Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

06
Jan18

"Se For Um Sonho"

João Jesus e Luís Jesus

narrative-794978_1920.jpg

Dei por mim a pensar.

Será que estou a sonhar? E se tudo isto não passar de um grande sonho, com pesadelos dentro? 

Será que a realidade é pior que isto? Será que me atrevo a acordar?

Se tudo isto for um sonho, agradeço à minha linda cabeça pela enorme história que está a criar. Tem os seus pontos altos e também os seus pontos baixos, mas acho que é uma história linda de ser contada.

Não sei porquê, acho que posso mesmo estar a sonhar! Principalmente quando acontece algo demasiado bom, julgo que não pode ser realidade!

Quando presencio momentos maus, oh por favor, não quero mais nada do que acordar na minha cama e dizer a mim próprio que tudo isso era um sonho, um sonho muito mau. Um pesadelo!

Gostava de saber como é a realidade, como é a vida sem estar a sonhar. Será mágica? Será terrível? Será tão má que apenas quero sonhar com algo melhor?

Não sei! Só sei que quero mais disto! Quero sentir-me vivo. Quero sentir mais do mesmo! Quero ter mais surpresas. Quero continuar a viver onde eu amo estar.

Se isto tudo for mais um sonho muito, muito longo, quero apenas continuar a sonhar.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

 

05
Jan18

"Viver é Não Saber Que Se Vive" - Florbela Espanca

João Jesus e Luís Jesus

still-life-851328_1920.jpg

Ponho-me, às vezes, a olhar para o espelho e a examinar-me, feição por feição: os olhos, a boca, o modelado da fronte, a curva das pálpebras, a linha da face... E esta amálgama grosseira e feia, grotesca e miserável, saberia fazer versos? Ah, não! Existe outra coisa... mas o quê? Afinal, para que pensar? Viver é não saber que se vive. Procurar o sentido da vida, sem mesmo saber se algum sentido tem, é tarefa de poetas e de neurasténicos. Só uma visão de conjunto pode aproximar-se da verdade. Examinar em detalhe é criar novos detalhes. Por debaixo da cor está o desenho firme e só se encontra o que se não procura. Porque me não esqueço eu de viver... para viver? 


Florbela Espanca, in "Diário do Último Ano" 

27
Out17

"Querido Diário"

João Jesus e Luís Jesus

book-2589045_1920.jpg

 Querido Diário,

Nem sei se te devo chamar querido! Cada dia que passa perco cada vez mais sentimentos por todos. 

Não sei porquê, não sei como, mas já não me interessa absolutamente nada! Nem quero saber o que o meu cão fez ou deixou de fazer, o que a minha avó teve e o que aconteceu ali.

Estou-me nas tintas, é uma forma de dizer!

Sinto-me desligado do mundo. Também não sei porquê. Sinto que não pertenço aqui. Sinto que não tenho nada que me prenda neste lugar.

Antes de tudo, não vou fazer nada estúpido! Quero apenas continuar a tentar senti-me bem por estar aqui. Quero sentir o que realmente é viver.

Quero correr por um campo cheio de relva verde e curta, enquanto tento alcançar o horizonte, onde o sol se põe. 

Quero sentir o vento passar-me no corpo. 

Quero sentir-me feliz por algo que concluí. 

Quero apenas, viver. Sentir alguma coisa. 

Acho que a vida se esqueceu de mim e me deixou vazio. Quero apenas sentir algo, nem que seja a dor de uma picadela de abelhas, pois já não sinto isso.

Enfim, querido diário, preciso apenas da vida para me sentir vivo.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

27
Set17

"Ouve o Que Te Digo" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

bf51b-aproveitaravida.jpg

 

Aproveita a vida
E preserva o teu amigo
Ri
Chora
E abraça
Se algo tem ou não saída
Estou contigo

Cumprimenta quem passa
Com um sorriso
Ajuda o mais que puderes
Se for preciso
Não olhes só para o teu umbigo

Diz tudo
O que tens a dizer
Perdoa
Poderás não ter
Outra oportunidade para o fazer

Ouve música
Ao amanhecer
Vai a cantar pela rua
Se te apetecer

Esquece-te
Do mundo
E saboreia
Até o sentimento
Mais pequeno
E profundo
É essa a minha ideia

Diverte-te
Sozinha ou acompanhada
Ama
E deixa-te ser amada

Faz as coisas mais banais
Arrisca
Vai à aventura
Sonha
Mesmo que seja uma loucura
Só assim serás diferente
De todos os demais
Procura
Descobre e imagina
O que está ausente
Tudo aquilo que te falta
Para seres completa
No presente

Vive ao máximo
Não ouças o que o outro diz
Corre
Luta
E vence
Cada obstáculo

Concretiza
Tudo o que tens em mente
E sê feliz
Porque a vida é um espectáculo

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

12
Set17

"Querer Viver"

João Jesus e Luís Jesus

hand-984170_1920.jpg

 A poeira fazia os olhos doerem imenso. Não se via absolutamente nada, apenas um enorme véu de poeira no ar. 

Mal conseguia respirar. Inspirava devagarinho, mas mal tentava fazer isso, dava consigo a tossir infinitamente. Tentou respirar pela sua camisola, mas esta era muito fininha.

Avistava a luz da janela a tentar passar por entre a poeira. Queria sair dali. Queria continuar a viver.

Estava tonto e magoado. A poeira, o cheiro a queimado e o sangue deixavam-no profundamente enjoado. Várias pedras tinham caído por cima de si e estava cheio de feridas.

Tentou arrastar-se até à janela, para respirar um pouco de ar fresco, mas esta parecia estar cada vez mais longe. Desistiu ao fim de poucos minutos. 

A sua perna magoada, pesava como um elefante e quando fazia um pequeno movimento com ela, dava consigo a gemer de dor.

Começou a chorar. Já estava morto! Não havia salvação possível. Iria morrer ali, no chão da sua cozinha. 

Ele não queria morrer. Queria sair dali para voltar a ver os seus pais. Queria sair dali para continuar a ser feliz. Mas isso iria ser impossível, pois nunca iria sair dali vivo.

Irritado, deciciu voltar a tentar sair dali. Arrastava-se até à janela, ignorando as dores excruciantes na sua perna. Já estava perto da janela.

A janela já estava partida. Olhou para baixo e viu uma enorme multidão a gritar desesperada. Estava muito alto! O resto do prédio estava destruido.

Os bombeiros não podiam subir. Não sabia o que fazer.

Então, decidiu que era hora de morrer. Não iria querer morrer devagar, então, decidiu que se iria atirar pela janela e rezou para que alguém o conseguisse apanhar.

Respirou fundo, olhou para os céus e gritou. Despediu-se do mundo e com muita coragem, atirou-se fora da janela.

Os seus pulmões pareciam estar a queimar enquanto caia. Ele fechou os olhos. 

De repente, sentiu que tinha caido em cima de algo mole. Abriu os olhos e viu. Estava vivo, tinha caido em cima da lona dos bombeiros. 

Iria voltar a viver.

 

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL