Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

11
Mar18

"Parabéns"

João Jesus e Luís Jesus

events-2607706_1920.jpg

Suspirou novamente.

Podia ser o dia dos seus 20 anos, a idade em que tudo muda, mas sentia-se fraca e triste consigo mesma. 

Abriu o forno e tirou o pequeno queque que tinha feito para si, já que ninguém lhe podia cantar os parabéns, pois era orfã. 

O queque cheirava maravilhosamente bem, mas ela não queria saber. Detesta aniversários! Era o dia em que tudo lhe vinha à cabeça, o dia em que sentia a pior tristeza de todas.

Olhou para o queque. Passaram-lhe imensas imagens pela cabeça. O dia em que ficou orfã, foi a principal. Lembrava-se dos olhos do ladrão que entrou em casa. Lembrava-se de ele os mandar pôr em joelhos. E lembrava-se que no fim, este matou os pais e deixou-a viva para ela sofrer. 

Deu um estalo na cara em si própria. Não queria pensar nisso. O coração parecia que ia arrebentar de mágoas.

Agarrou na vela que comprara de manhã. Espetou-a devagar no bolo e acendeu o isqueiro. Encostou a chama ao pavio da vela e esta acendeu quase de imediato.

Olhou para a pequena chama que dançava na vela. As lágrimas enchiam os olhos dela.

- Parabéns... - Tentou cantar, mas a voz ficava rouca e ia chorar

A sua mãe cantava essa música como ninguém. Tinha uma bela voz.

Levou a mão ao peito. Pensou nos pais, felizes. As lágrimas escorriam pela cara abaixo.

Pensou no que eles poderiam dizer-lhe. Tinha saudades. Tinha saudades da sua família e de estar feliz. 

Abriu os olhos e limpou as lágrimas com a mão. Aproximou-se do queque que ainda brilhava com a luz da vela.

Aproximou-se e soprou, apagando a vela.

- Vou mudar. - Desejou - Por vocês.

Sorriu com tristeza.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

17
Fev18

"Despedida"

João Jesus e Luís Jesus

close-3083812_1920.jpg

Olhou para o relógio uma última vez e reparou que era quase meia-noite. 

Corria pela rua apinhada de gente em Nova York. Tinha de chegar a casa. Queria estar alguns momentos com o seu filho antes de partir no dia seguinte para uma missão em África.

Cada vez mais gente se juntava nas ruas. Mal conseguia passar. Mas nesta noite, ele faria o impossível. Queria ver o seu filho uma última vez antes de partir.

De repente, bateu contra alguém e caiu no chão.

- Desculpe! - Disse o senhor

- Não faz mal. - Disse, levantando-se imediatamente e recomeçando a corrida

Sentia o peito a arder, as pernas a ceder... Sentia que podia morrer a qualquer momento. Mas hoje, até tentaria matar a Morte, só para ver a cabeça do seu filho uma última vez.

Chegou à porta do prédio e à pressa tirou as chaves do bolso e abriu a porta muito rapidamente. Carregou no botão do elevador, mas não queria esperar e desatou a correr pelas escadas acima. 

Abriu a porta de casa e atirou as chaves para o chaveiro.

- Fred? - Disse

Não ouviu resposta, mas começou a ouvir passos vindos da cozinha.

- Fala baixo, ele está a dormir. - Disse a sua mulher

Suspirou. 

- Prometeste que chegavas mais cedo hoje. Ele esperou por ti, mas acabou por adormecer. - Revelou ela - Não lhe podes prometer algo e nunca cumprir.

- Eu sei. - Abraçou-a - Mas não consegui sair mais cedo. E tenho de me despedir dele.

Ela olhou para ele seriamente e notou que os seus olhos se enchiam de água.

- Parece que o dia chegou. - Disse, beijando-o - Vai lá despedir-te dele. 

Abraçou-a novamente e entrou no quarto do filho.

Ele ressonava baixinho na sua cama. Resolveu não o acordar.

Sentou-se na borda da cama e olhou para o filho. Ele respirava devagarinho. 

As lágrimas começaram a sair dos seus olhos. Colocou a mão no cabelo do filho, sentindo-o uma última vez. Adorava mexer-lhe no cabelo. Acalmava-o.

Beijou-lhe a testa e acariciou-lhe a cara. Devagarinho, já muito emocionado, levantou-se e saiu do quarto, olhando uma última vez para o filho, que dormia.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

14
Jan18

"Risadas"

João Jesus e Luís Jesus

hands-2888625_1920.jpg

Bruno entrou na sala pequena e mal iluminada.

Sabia o que ia acontecer. Era inevitável.

Aproximou-se da cama perto da janela, que tinha a persiana corrida. Lá estava o seu tio, a pessoa que ele mais gostava. 

- Oh, meu Bruninho. - Suspirou ele mal o viu

Bruno sorriu, embora sentisse algo estranho dentro de si, como uma serpente a mexer-se. Sabia que iria começar a chorar em breve.

- Olá, tio Miguel. - Disse

O tio deu uma pequena gargalhada. 

- Pensava que já não irias ver o teu velho tio antes de morrer. - Disse ele

Bruno sentiu o coração a apertar-se. Tinha de se controlar, ou iria chorar mesmo à frente do tio.

- Não pense nisso. Eu iria vir de qualquer das maneiras. - Sussurrou ele e sentou-se perto do tio

O tio tinha lágrimas nos olhos.

- Tenho muito orgulho em ti, Bruninho. - Revelou

Bruno apertou a mão do tio.

- E eu gosto muito de si, tio. - Disse-lhe - Nunca se esqueça de mim, esteja onde estiver, ok?

As lágrimas ameaçavam sair.

- Prometo que não me esqueço. - Combinou - Mas acho melhor contares-me alguma piada, daquelas melhores que tu sabes, para eu nunca me esquecer dos melhores momentos contigo.

Bruno não estava com cabeça para aquilo. Mas era o seu tio, era o seu último pedido, tinha de o cumprir.

- Estou a pensar numa tio... - Informou

- Demora o tempo que precisares, meu filho.

O tio apertou-lhe mais a mão. Não queria despedir-se do seu sobrinho, o filho que ele nunca teve.

Bruno lembrou-se da piada e contou-a ao tio devagarinho, tim-tim por tim-tim. 

Muito rapidamente o tio se começou a rir. Riu-se como Bruno nunca o ouvira. Continuavam de mãos dadas enquanto os dois se riam.

Bruno notou numa lágrima que deslizava pelo rosto do tio. Ia ter saudades dele.

O tio começou a parar de se rir e a fechar os olhos. Bruno não o impediu, sabia que a hora tinha chegado.

O tio fechou os olhos, a lágrima caiu para os lençóis da cama e ele nunca mais proferiu nada. Tinha acontecido.

Bruno levantou-se, sem largar a mão do tio e beijou-lhe a cabeça. 

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

23
Dez17

"(Des)Preparada"

João Jesus e Luís Jesus

doctor-563428_1920.jpg

Ia com os seus relatórios nos braços, enquanto caminhava mais uma vez pelo corredor no hospital.

Estava a ter um dia horrível! Montanhas de trabalhos, muitas consultas e tinha uma enorme dor de cabeça.

Andava pelo corredor, quando ouviu um grito. Parou de imediato.

Ouviu o grito outra vez. Reparou que este som vinha da sala mais próxima de si.

Espreitou. Numa cama, perto da janela, estava um senhor já velho, completamente sozinho. 

O homem voltou a gritar. Pensou que uma enfermeira já devia vir, mas olhou em volta e reparou que o corredor estava completamente vazio.

O homem gritou ainda mais alto. Sentiu que devia ir para perto dele.

Aproximou-se e olhou para o senhor.

O senhor não estava a olhar para ela e apenas se abanava todo. Gritava de vez em quando e ela arrepiava-se de cada vez que ouvia o grito. 

Deu uma olhadela rápida ao relatório da médica dele, que estava no fundo da cama. Quase não tinha nada, não sabia como o ajudar.

Puxou uma cadeira e sentou-se perto do velho.

- Calma. Estou aqui. - Disse ela calmamente, segurando-lhe na mão

O velho parou de se mexer e de gritar, mas não olhava para ela. Com a outra mão, ela tocou na campainha para chamar uma enfermeira.

- Já vamos ver o que se passa consigo. - Disse-lhe

O velho começou a respirar mais devagar. Tocou outra vez na campainha.

- Tem de ser forte. Já está a chegar ajuda. - Disse, um pouco mais nervosa

Notou que uma lágrima enorme saia dos olhos do velho. Imediatamente, subiram-lhe as lágrimas aos olhos. Não gostava de ver gente abandonada, à beira das portas da morte.

Limpou-lhe a lágrima com a mão. 

- Vai ficar bem de certeza. - Sussurrou-lhe

Ele pareceu sorrir e fechou os olhos.

As enfermeiras chegaram e correram para o velho. 

Elas colocaram-lhe os dedos no pescoço. Muito devagar, após repetirem o mesmo passo várias vezes, olharam para a médica.

- Está em paz. Já partiu. - Disseram-lhe

As lágrimas saíram-lhe dos olhos. Não estava preparada. Não queria ver ninguém a morrer.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

17
Dez17

"Vem Ter Comigo"

João Jesus e Luís Jesus

pinky-swear-329329_1920.jpg

Agarrou no seu telemóvel, que estava no bolso do seu casaco.

Tinha os olhos molhados, tinha um grande vazio dentro de si. Precisava de se animar um pouco.

Entrou na aplicação das mensagens, percorreu a lista e encontrou o nome. Encontrou o nome daquela pessoa especial.

Carregou no nome e escreveu uma pequena mensagem. Pediu-lhe que viesse a sua casa o mais rápido possível. 

Esperou e poucos minutos o telemóvel vibrou. Agarrou imediatamente nele.

Oh não! Estava a ligar-lhe. Sem demoras, atendeu a chamada.

- Sim? Lúcia? - Perguntou a outra pessoa

- Olá. 

- Oh! - Suspirou - Pensei que estava algo errado. O que se passa?

Lúcia respirou fundo.

- Por favor vem cá a casa! Preciso de falar com alguém. - Choramingou

Ouviu-se um suspiro do outro lado da linha.

- Lúcia... Era suposto estarmos de relações cortadas! Supostamente nós estamos zangadas. - Disse ela

- Ok! Mas Beatriz, por favor, vem cá! Vamos esquecer essa estupidez! Vem cá! Preciso de falar! Vem ter comigo. Somos melhores amigas. - Disse ela, enquanto mais lágrimas rolavam pela cara abaixo

- Ok Lúcia. Estou aí em dez minutos. Não faças nada estúpido. - Disse Beatriz, cuidadosamente

- Obrigada. - Sorriu - Obrigada por seres minha amiga. 

- Somos melhores amigas não é? Devemos apoiar-nos uma à outra. - Disse Beatriz um pouco mais animada

Lúcia sorriu e esperou pela amiga, sentada na cama.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL