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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

17
Jan18

"Cabelos Ao Vento" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Sempre gostaste da minha farta cabeleira, desde a adolescência. Eras louco, por ela. Os meus longos cabelos castanhos-claros, quase a passarem o ombro. Dava por mim nas aulas, onde partilhávamos uma das carteiras de frente para o quadro, a fixar o olhar em ti, distraído da matéria, de tudo o que a professora explicava e te rodeava, concentrado a passar os dedos por cada fio do meu cabelo, um dia até chegaste a cheirá-lo, dizias que cheirava ao perfume das rosas.

– Qual é o perfume das rosas? – Perguntei-te eu assim sem mais nem menos só para te desafiar, para te deixar em maus-lençóis, como eu gostava de me meter contigo.

– Não sei! – Respondeste tu muito tímido e envergonhado.

– Então como é que podes dizer que o aroma do meu cabelo é como o perfume das rosas, se não o conheces?

– Tu és a minha rosa e não preciso de conhecer o teu perfume para saber que é o melhor perfume que já existiu. Basta-me senti-lo.

Conseguias sempre deixar-me sem palavras. A professora chamava-te a atenção e tu alteravas a tua postura, mas minutos depois voltavas ao mesmo.

Para ti eu era a rosa de pétalas ao vento, como ficavas maravilhado e satisfeito a ver cada madeixa a esvoaçar no ar, leve e docemente como as asas de um pássaro, gostavas de me ver com a farta cabeleira solta.

O tempo foi passando, fomos crescendo e eu quis desfazer-me da farta cabeleira, estava na altura de mudar, mas tu nunca mais foste o mesmo. Para ti eu tinha deixado de ser quem era, nunca mais me olhaste da mesma forma. Afastamos-nos um do outro, deixamos de nos falar, os nossos caminhos descruzaram-se.

Agora, passados quase 10 anos desde que esta história aconteceu, voltei à farta cabeleira de que tanto gostavas, cansei-me do cabelo curto e sem graça, foi no parque da cidade onde passeava com a minha cara-metade que nos cruzamos. Hoje trazia o cabelo apanhado numa trança, mas apesar de tudo, não deixaste de sentir-lhe o mesmo cheiro de tempos passados. A mesma suavidade, leveza e doçura. Andavas por ali a vaguear sozinho, soube que nunca tinhas encontrado ninguém que preenchesse o vazio que o que sentias por mim tinha deixado. Cumprimentamos-nos, tu tocaste-me e na despedida sussurras-te:

– É bom ter-te de novo aqui!

Beijaste-me.

E desapareceu…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

22
Out17

"Quando o Amor Chegar"

João Jesus e Luís Jesus

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 Olhou de novo para o relógio na parede.

Ainda não tinha chegado! De certeza não ia chegar hoje.

Mais um dia passado e ainda não tinha chegado o que ela tanto queria: o amor.

Levantou-se. Tinha de fazer o jantar. Já era tarde.

Começou a partir uma cebola. Ia fazer o que fazia todos os dias. Arroz de cenoura.

Começou a pensar. 

Já fazia vinte anos que esperava que o amor chegasse a sua casa. Fazia vinte anos que ela esperava sentada num banco à espera de alguém.

Tudo por causa daquela maldita coisa! Tinha vergonha! Vergonha do que os outros fossem pensar dela.

Ela bem sabia que nunca ninguém chegaria ali, pois ela nao conhecia quase ninguém. 

Sabia que se queria algo, tinha de se levantar do banco de madeira e enfrentar os seus medos.

De repente, desligou o gás do fogão. Passou a mão pelas roupas. Olhou para o espelho que tinha na parede.

Saiu de casa e fechou a porta. 

Essa noite, ela iria procurar o amor.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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