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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

10
Jan18

"Amor Erótico" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Há já alguns dias que tudo se repetia. Todas as noites J. tinha o mesmo sonho, um sonho persistente que o fazia acordar sistematicamente sobressaltado, ofegante e a transpirar. Já não conseguia regressar à cama e voltar a dormir, de boxers e roupão vestido, ia até à cozinha, enchia uma chávena de café bem quente e ficava horas na escuridão da sala, sentado no sofá sobre o vazio da noite. Nunca mais conseguia sossegar, aquele sonho, parecia persegui-lo.

Via e revia tudo tempos a fio. Tudo começava com um cenário todo branco, paredes brancas, sem nada, uma cama ao centro, um nevoeiro esfumado no ar que fazia com que não conseguisse vislumbrar mais pormenores. Do nada aparecia um vulto feminino, belo e esbelto, longos cabelos loiros, sorriso fácil e de lingerie branca. Lentamente ia-se aproximando dele, e num único movimento, puxava-o para si a partir do decote da camisa axadrezada que trazia vestida, para depois o empurrar bruscamente de encontro à cama e assim possuí-lo sofregamente noite dentro. E era assim que tudo começava.

Por entre beijos intensos e carícias, roupa que voava em direcção ao chão, a mão que acariciava cada fio de cabelo dela, que explorava o corpo dela. Os lábios carnudos dela, que lhe humedeciam a pele, as mãos suaves, doces e ternas que percorriam o seu corpo, lhe apertavam a pele e a carne e que o faziam gemer e contorcer-se de prazer, atingindo o clímax, num orgasmo fervilhante. Como adorava as curvas dela, percorrê-las, senti-las, os seios perfeitos, simétricos e quentes que faziam faísca na humidade e frescura dos seus lábios, no suor libertado pelo corpo dela, o ventre duro e macio, desalinhado como as dunas no deserto. A excitação no seu auge. Aquele amor despido, carnal, intenso, vivido no limite, a necessidade e saciedade de um corpo, de contacto físico.

De repente, ela levanta-se, deixando praticamente tudo a meio, ainda havia sensações, cheiros e aromas para explorar e descobrir, nua, sem mais nada que a protegesse, veste a camisa dele. Acena, atira-lhe um beijo e difunde-se na névoa.

J. acorda, e é assim que tudo termina todas as noites, sem mais nenhum detalhe a acrescentar, mas desta vez, tudo foi diferente. Encontra nas costas da cadeira a sua camisa, a camisa do sonho, e de repente sem nada que o fizesse prever… sente o cheiro dela.

Sorri, veste a camisa. E sai…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

08
Jan18

"Fama" - Capítulo XII

João Jesus e Luís Jesus

- Ai! Finalmente em casa. - Suspiro, assim que caio no enorme sofá do meu novo apartamento

Fecho os olhos. Estou tão cansada! 

- Ufa! Nem me posso mexer. - Diz a Dianne, sentando-se perto de mim

Fico quieta durante um grande tempo no sofá. De repente, o meu estômago começa a roncar.

Levanto-me, cheia de preguiça.

- Onde vais? - Pergunta a Dianne, baixinho

- Vou comer alguma coisa. - Digo

Ela olha imediatamente para mim.

- Lembra-te do que a Babuína te disse. - Avisa ela

Sorrio. Babuína foi o nome que demos à senhora que gritou comigo durante um bom tempo sobre os meus hábitos de alimentação.

Abro o frigorífico. Uau! Está cheio de coisas boas. Mas o meu sorriso desvanece-se, pois tudo que existe no frigorífico é light ou muito saudável, tudo dentro da dieta proposta.

Agarro num gelado se menta, claro, light! 

- Parece que hoje já andaram aqui a fazerem tudo para seguir a dieta à risca. - Digo, quando chego perto da Dianne - Só temos comida saudável cá em casa.

A Dianne ri-se.

O gelado até é delicioso, mas falta-lhe aquele sabor a coisa que não faz muito bem para a saúde. Sinto falta disso.

A Dianne coloca um dedo no gelado e come uma grande porção dele.

- Se queres vai buscar. - Brinco

A campainha toca.

- Urgh, quem será agora? - Diz a Dianne revirando os olhos

Levanto-me e abro a porta.

- Oh! Liam! Olá. - Digo sorridente

O Liam entra em casa com o seu enorme sorriso habitual.

- Olá Chelsea. Olá Dianne. - Diz ele 

Fecho a porta.

- Então, gostaram do vosso primeiro dia? - Pergunta ele curioso

A Dianne olha para mim.

- Bem, foi estranho. Também só começamos hoje, amanhã de certeza vai ser melhor. - Minto

Ele senta-se no sofá.

- Ouvi dizer que ouve uns problemas com algumas pessoas na cantina. Essa gente! Arranja logo sarilhos no primeiro dia. 

A Dianne começa-se a rir imeditamente e engasga-se um pouco. 

- Hum, pois. - Digo-lhe, concentrando-me no meu gelado - Uma dessas pessoas..fui...eu.

Ele cala-se e fica a olhar para mim.

- Credo. Estás só no primeiro dia, Chelsea! - Diz ele, espantado - Já sabes que tens de cumprir as regras todas que eles dizem.

- Tu bem sabes que eu sou uma pessoa díficil que detesta seguir regras. - Revelo

- Não faz mal. - Diz ele, colocando a sua mão na minha perna

Uou! Parece que levei um choque elétrico!

- Hum, eu vou à casa de banho... acho eu. - Diz a Dianne, atrapalhada

Ela pisca-me o olho e entra na casa de banho.

- Quando é que a Dianne começa o curso de assistente? - Pergunto, para tentar mudar de assunto

- Acho que começa amanhã. - Diz ele, mas não retira a mão da minha perna

Olho-o nos olhos. Ele sorri levemente. Estou envergonhada.

- Isso é gelado de menta? - Ele agarra na minha colher e tira um grande pedaço de gelado - Adoro.

Ele come a colher de gelado. 

- Acho que o gelado era meu, mas ok. - Digo

Ele ri-se e eu começo a rir-me também.

- Gosto muito de ti, Chelsea. - Diz-me ele

- Eu também gosto muito de ti, Liam.

Ficamos parados a olhar um para outro e de repente, ele beija-me.

É um beijo muito longo. Mas estou a gostar!

- Ai! Ups! Desculpem, acho que ainda não terminei na casa de banho. - Diz a Dianne atrapalhada quando nos vê

Acabamos o beijo e desatamos às gargalhadas.

 

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06
Jan18

"Se For Um Sonho"

João Jesus e Luís Jesus

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Dei por mim a pensar.

Será que estou a sonhar? E se tudo isto não passar de um grande sonho, com pesadelos dentro? 

Será que a realidade é pior que isto? Será que me atrevo a acordar?

Se tudo isto for um sonho, agradeço à minha linda cabeça pela enorme história que está a criar. Tem os seus pontos altos e também os seus pontos baixos, mas acho que é uma história linda de ser contada.

Não sei porquê, acho que posso mesmo estar a sonhar! Principalmente quando acontece algo demasiado bom, julgo que não pode ser realidade!

Quando presencio momentos maus, oh por favor, não quero mais nada do que acordar na minha cama e dizer a mim próprio que tudo isso era um sonho, um sonho muito mau. Um pesadelo!

Gostava de saber como é a realidade, como é a vida sem estar a sonhar. Será mágica? Será terrível? Será tão má que apenas quero sonhar com algo melhor?

Não sei! Só sei que quero mais disto! Quero sentir-me vivo. Quero sentir mais do mesmo! Quero ter mais surpresas. Quero continuar a viver onde eu amo estar.

Se isto tudo for mais um sonho muito, muito longo, quero apenas continuar a sonhar.

 

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01
Jan18

"Fama" - Capítulo XI

João Jesus e Luís Jesus

Muito devagar e respirando fundo várias vezes, lá tenho coragem e bato à porta do compartimento onde me pediram para estar.

- Entre. - Oiço uma voz

Entro, com o coração aos pulos no meu peito.

- Pode sentar-se. - Diz uma mulherzinha com ar de rica e snob, apontando para uma cadeira mesmo à sua frente

Sento-me calmamente, mas cada vez mais, o meu coração pula do seu sítio.

- Menina Chelsea, tem alguma ideia do porquê de a chamar aqui? - Pergunta ela, olhando para uma folha

- Não faço ideia. - Concluo

Ela sorri maliciosamente.

- Eu já sabia que ia dizer isso, afinal, todos dizem. - Diz ela

Detesto-a! Detesto quase toda a gente.

- Bem, eu vou dizer-lhe o porquê. Julgo que já deve calcular que o almoço livre foi como uma prova. Queríamos ver quem seguiria a dieta à risca, mesmo com tudo ao seu dispor e total liberdade para comer o que quisesse. - Revela ela

Fico pasmada. Uau! Esta gente tem esquemas estranhos!

- E é aí que começamos a escolher os melhores candidatos. - Diz ela com um sorriso malicioso - E nós esperávamos muito de si Chelsea, mas logo na primeira prova, você decepcionou-nos. 

Olho para ela seriamente.

- Decepcionei-vos por comer aquilo que eu acho que me faz bem? - Digo com uma risada

Ela parece ser atingida por um raio quando me ouve falar.

- Hum, sim! Se nós a mandamos comer por exemplo, uma alface crua em vez de bolachas de água e sal, você tem de comer, pois agora nós temos influências em si. - Diz ela com um ar de mandona

- Acho que ainda sou eu que mando no que como. - Digo-lhe

Ela dá uma risada quase inaudível e chega mais perto de mim.

- Chelsea, pare. Pare com isso ou vai sair daqui mais cedo do que imagina. Não era isto que mais desejava? Então limite-se a cumprir as regras se ainda quer estar aqui. - Diz ela olhando com os seus olhos de cobra venenosa diretamente para mim

Levanto-me da cadeira.

- Acho que já percebi. - Digo

- Então, entendeu que tem de cumprir a dieta? - Pergunta ela, com um ar mais amoroso

- Entendi. - Digo, enquanto abro a porta - Só que não sou obrigada de a cumprir. Adeus.

Fecho a porta e sorrio. Estou orgulhosa de mim!

Vou ter com a Dianne, que estava à minha espera. 

- Então? Correu bem? - Diz ela com um sorriso

Conto-lhe tudo enquanto andamos até ao pavilhão onde continuaremos as tarefas do dia. 

- Disseste mesmo isso? - Pergunta a Dianne surpreendida

- Sim. Estava farta de a ouvir. - Digo

A Dianne começa-se a rir.

- Sabes que isso pode ter sido mau, por um lado. - Diz ela

- Sim, eu sei! Mas é verdade! Não vão ser eles que vão mandar no que como ou deixo de comer.  - Afirmo - E tu achas exatamente o mesmo, não te ponhas para aí a armar-te em séria!

A Dianne começa ainda a rir-se mais.

- Ok, ok! Eu concordo contigo. - Diz ela - Temos de nos despachar, pois temos mais coisas hoje. 

Começo a correr para o próximo estúdio, pois estamos atrasadas, como sempre.

 

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22
Nov17

"Olhar Invisível" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Sonhar… Um acto que acontece durante o nosso sono, interpretado de diversas formas, ainda meio incompreendido e sem uma justificação aparente. Dizem que os sonhos não são mais do que uma experiência de imaginação do subconsciente. Uma busca pela realização de desejos reprimidos. Os sonhos permitem-nos sair por breves momentos da nossa vida, da nossa pele e viver outras vidas, sermos outras pessoas, atingirmos o que até então parecia inatingível.

Havia um homem, perdido algures numa rua infinita de uma cidade longínqua, que vivia triste, angustiado e frustrado. Era conhecido por quem com ele se cruzava, e por quem conhecia a sua história como o homem que não conseguia sonhar. Não conseguia. Muita gente se questionava, como era possível haver uma pessoa que não fosse capaz de sonhar, que não soubesse o que era ter um sonho. Mas ele não sabia, passava horas e horas a tentar perceber o que havia de errado consigo próprio para ver tudo tão negro quando fechava os olhos. De certa forma era como se fosse desprovido de pensamento, de alma, de sentimento. Parecia que não era feito de carne e osso.
Um dia, estava ele muito descansado perdido em si mesmo, sentado nos degraus da sua escada quando apareceu uma jovem. Sentou-se ao seu lado e limitou-se a olhar para ele, no vazio dos seus olhos, não trocaram uma única palavra, ficaram apenas ali ao lado um do outro. Até que ele disse uma coisa…
Como é que se sonha?
Sky, era perspicaz e percebeu de imediato o dilema do homem. Explicou-lhe que sonhar não se aprendia, que era inato e nascia connosco. Que era como o vento, imprevisível. Ele calou-se e nada disse. Ela pegou na mão dele, e foram dar um passeio sem destino. Ele quis saber se ela tinha muitos sonhos, se sonhava muito. Disse-lhe que era uma sonhadora nata e que adorava sonhar. Voltou a fazer-se silêncio.
Pararam junto à praia, em jeito de segredo ele disse-lhe que adorava o mar e sentir a maresia, Sky convidou-o a descalçar-se e a deitarem-se na areia. Assim o fizeram, descontraídos e apenas com a maresia a envolvê-los.
De repente, o improvável acontece… Ele mostra-se agitado e acorda sobressaltado. Tinha-a a visto, tinha-a sentido, nos seus braços, aquele beijo. Estavam juntos. Juntos para sempre.
E apercebe-se, que tudo não tinha passado de um sonho. O primeiro de muitos…

 

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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