Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

08
Nov17

"Destinos (des)Cruzados" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

tumblr_lheaop2efp1qe1bvfo1_500_large.jpg

 Tinha chegado a hora do adeus, numa manhã chuvosa e fria de Outono. Acordou apressado, o avião partia dali a dez minutos e ele tinha mesmo que se despachar, mas parecia não ter pressa para sair. Naquele dia não havia nada que o fizesse sorrir, que trocasse o silêncio que ele sentia pela alegria dos últimos dias, parecia que ainda sentia o perfume dela em si, nas suas roupas, por toda a casa. Pintado nas paredes, desenhado nos lençóis da cama, em cada divisão. Musicado na sala de jantar onde todas as noites dançavam ao som da mesma música. O sabor dos lábios dela nos seus, naquele último beijo que trocaram. Lembra-se e soletra e sussurra o nome dela… S-O-F-I-A. Que ecoa no ar em cada pedaço de céu.

Recorda, a sua essência, a textura e suavidade da sua pele, o toque, as formas do seu corpo.

Só voltariam a ver-se dali a alguns meses quando o Sol voltasse a brilhar e a Primavera estivesse de regresso, estavam separados pelo imenso Oceano Atlântico, quase em lados opostos do mundo. Nesse curto espaço de tempo, nessa distância sem fim à vista tentariam desenhar a saudade que iriam sentir um do outro. Tudo o resto ficaria bem guardado a sete chaves até voltar a fazer sentido.

As saudades já eram mais do que muitas. Impossíveis de descrever. De viver. Tinham vivido aqueles últimos dias com grande intensidade, o amor que sentiam um pelo outro tinha renascido, tinha reaprendido novamente o verdadeiro sentido do amor.

Desde o Verão que não se viam, que não se tocavam, que não olhavam um para o outro olhos nos olhos. Que o espaço naquela casa não ganhava outra vida, outra cor, que a almofada ao lado da sua, na cama, não era preenchida. A presença de Sofia fazia-lhe falta.
No aeroporto, Sofia já esperava pelo avião na sala de embarque, parecia ansiosa pela chegada de Luís, ainda não tinha parado de o procurar por entre a multidão de pessoas. Mas nada.

Luís, comia a torrada enquanto conduzia a alta velocidade pelas ruas da cidade, tinha cinco minutos para chegar ao aeroporto. Chega finalmente ao aeroporto um minuto depois da hora marcada, o avião acabava de partir levando Sofia para bem longe, Luís olha pela janela para aquele ponto branco no céu. Tinha falhado, nem tinha conseguido despedir-se.

…Muita coisa tinha ficado por dizer.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger "Escreviver"

21
Out17

"A Chegar a Casa"

João Jesus e Luís Jesus

speed-indicator-433919_1920.jpg

 O vento batia-lhe na cara com uma força imensa.

Era a segunda vez que andava de mota nesse dia. Agora queria apenas ficar em casa por umas horas!

O capacete estava guardado na mala da mota, debaixo do banco. 

Gostava de sentir o vento na cara, o casaco a voar. 

Agora não ligava a mínima para isso. Queria apenas chegar a casa, ver a sua filha e a sua mulher à espera que chegasse. 

Estava quase a chegar! Estava mesmo quase a chegar.

O semáforo ficou vermelho, então parou. Impaciente, batia com os dedos no guiador da mota. 

O sinal nunca mais mudava. Permanecia vermelho. 

De repente, um clarão de luz apareceu do outro lado da rua. Um clarão enorme.

Era um carro. Parecia descontrolado. 

Ignorou, não deveria chegar perto de si. O sinal continuava vermelho.

De repente, o carro passou por cima dos passeios e chegou perto de si. Viu a pessoa que estava dentro dele, com os olhos arregalados de pavor. Viu o sinal ainda vermelho.

De repente, caiu ao chão com o impacte. Sentiu a testa abrir. Sentiu dor. Sentia um peso por cima.

E o sinal vermelho mudou para verde.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

01
Out17

"À Tua Espera"

João Jesus e Luís Jesus

cafe-2627635_1920.jpg

Jo tinha acabado de pedir um café. 

Sentou-se numa cadeira da esplanada e colocou de novo os óculos de sol na cara. Estava um belo dia em Paris. 

As pessoas passavam com baguetes e com as crianças. Estava mesmo um belo dia.

Jo olhou para o telemóvel. Não tinha recebido nenhuma mensagem. Devia estar a chegar.

- O seu café, minha senhora. - Disse o garçon, num francês muito requintado

- Merci. - Respondeu ela, dando o dinheiro

O garçon aceitou o dinheiro certo e colocou na sua bolsinha. Sorriu e despediu-se.

Jo olhou para o seu relógio de pulso, que lhe fora oferecido. Eram quase sete horas da tarde.

Deu um gole no café escaldante. Ele já devia ter chegado.

Terminou o café e olhou em volta. Será que ele estava a chegar?

- Ainda bem que cheguei! - Disse uma voz, atrás dela

Jo virou-se imediatamente e viu a cara que ela mais amava. 

- Pai! - Levantou-se e abraçou-o

Ele deu uma risada.

- Estava a ver que nunca mais chegava! - Disse ela com um grande sorriso

- Perdi-me nas ruas e tive de pedir ajuda. Mas consegui! - Respondeu ele com um sorriso

Ele sentou-se na cadeira à frente dela e fez sinal ao garçom.

- Isto aqui é mesmo bonito! - Suspirou ele - A mãe ia gostar.

Jo sentiu um pouco de tristeza. A mão tinha partido há cerca de quatro anos. 

- É verdade. - Concordou

O garçom chegou com o café e ele pagou imediatamente, oferecendo gorjeta. O garçom sorriu outra vez e desapareceu.

- Tinha tantas saudades suas. - Suspirou Jo - Mesmo muitas.

- Podias ir sempre visitar-me. Estou sempre de portas abertas. - Respondeu ele

Há muito que o seu pai ansiava para que Jo vivesse com ele.

- Oh pai, você bem sabe que a minha vida está aqui. Não posso ir embora de Paris. - Respondeu ela

- Claro, claro. Eu entendo. - Disse ele, com um pouco de desapontamento - Contudo, estarei sempre à tua espera. 

Ela sorriu e reparou que o café estava a fechar.

- Bem, acho que é hora de irmos para minha casa. - Declarou

Ele levantou-se de imediato.

- Bem, então vamos. Temos umas longas férias pela frente.

Sorridente, ela abraçou o pai mais uma vez e partiram por entre as ruas francesas.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL