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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

22
Set17

"Com Os Auscultadores Nos Ouvidos"

João Jesus e Luís Jesus

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 Fechou a janela do quarto muito depressa. 

Nevava lá fora e estava um frio de rachar. Ainda com arrepios, passou a mão pela camisola grossa e apertou-se um pouco, para tentar eliminar o frio.

Estava aborrecido. O dia não tinha corrido bem.

Era daqueles dias em que só lhe apetecia enroscar-se nos cobertores e ficar ali parado, sem ligar nenhuma ao mundo, durante horas a fio. E era isso que ia fazer!

Agarrou no seu walkman, quer dizer, o do seu pai. Fora ele que lho dera quando estava quase à beira da morte. Guardava-o com muito cuidado, era o seu bem mais precioso.

Colocou a sua cassete preferida no walkman e colocou os auscultadores nos seus ouvidos.

Atirou-se para a cama e enfiou-se dentro dela. Estava quente, confortável. Fechou os olhos e respirou fundo.

Sentia falta do pai. Sentia falta das longas conversas com ele. Sentia falta das cantorias no carro de manhã cedo.

Devagar, carregou no botão do play do walkman. Ouviu a cassete rodar e de repente, começou aquela música que ele conhecia tão bem.

Fechou os olhos e sorriu para o teto. Era bom lembrar-se dos bons momentos com o seu pai. 

Deixou cair uma lágrima em nome do seu pai e adormeceu ao ouvir a música.

 

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29
Ago17

"Memórias Passadas"

João Jesus e Luís Jesus

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 As memórias são o nosso passado. Podem ser boas ou más, mas continuam a ser memórias. Memórias essas que não podem ser alteradas, porque são o passado. E o passado já lá vai…           

Tantas vezes que nos arrependemos ou nos orgulhamos de coisas que já fizemos, que já vimos. Tantas vezes que queremos voltar atrás para mudarmos as coisas que fizemos, ou para repetir os bons momentos. Mas não podemos. O passado é irredimíve            

Podemos sempre pensar em mil maneiras de voltar atrás, mas o que está feito está feito. Não se pode voltar atrás.           

Mas podemos sempre mudar o passado, na nossa fábrica de ideias: a imaginação. Aí podemos ver o que queremos, mas não passa de ficção! De coisas que nós inventamos. De coisas que gostaríamos de corrigir, e corrigimos, mas apenas na nossa cabeça; porque queremos esquecer as más memórias.           

Porém, queremos sempre recordar as boas. Essas fazem-nos felizes! Fazem sentir-nos orgulhosos das boas obras que já fizemos. Fazem sentir que estamos neste mundo para alguma coisa. Faz-nos sentir úteis.            

E só existe uma coisa que ainda podemos mudar… o nosso futuro.

 

20
Ago17

"No Jardim"

João Jesus e Luís Jesus

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 - Ora bem, ninguém sai daqui até à noite! - Disse a mãe decididamente, pousando uma enorme bacia cheia de gelo com vário refrescos

A mãe já andava com essa ideia há muito tempo. Queria passar uma tarde em família no novo jardim. Há muito tempo que não estavam todos juntos.

- Boa! Coca-cola! - Disse a Mariana, agarrando numa garrafa

- Porque é que não posso estar lá dentro a jogar? - Resmungou o Daniel

- Porque hoje queremos passar uma tarde todos juntos na piscina ou simplesmente a falar. - Explicou o pai, deitando-se na espreguiçadeira e colocando os óculos de sol

O Daniel bufou.

- E assim também podemos criar algumas memórias, pois as melhores lembranças são sempre em família. - Disse a mãe alegremente - Eu vou para a piscina. Quem vem comigo?

- Eu! - Gritou a Mariana

- Eu também. - Disse o pai

Daniel também queria ir, mas não queria mostar que estava a aderir à ideia.

De repente, deu por si a pensar... A sua melhor memória era quando ele e os seus pais foram acampar. Foi uma noite espetacular! O pai não estava a conseguir montar a tenda, mas como Daniel tinha andado nos Escuteiros, conseguiu montá-la, mas de noite tiveram de voltar a casa, porque começou a chover, mas passaram momentos divertidos.

Outra das suas lembrança preferidas, foi quando Mariana nasceu. Ele ficou feliz por ter uma irmã e viu a felicidade nos rostos dos seus pais.

Muito devagar, ele tirou a camisola e correu para a piscina, pronto para criar mais uma lembrança com os pais.

 

10
Ago17

"No Fundo Da Garrafa"

João Jesus e Luís Jesus

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Era a segunda garrafa do dia e a décima terceira dessa semana que tinha começado ontem.

Os seus olhos pesavam e a cabeça andava à roda. Já estava habituado, mas ficava desconfortável.

Cada lembrança que tinha, mais um gole pelo gargalo da garrafa e olhava para o fundo desta. Ele via o líquido daquela bebida a subir cada vez mais e a deixar o fundo vazio.

Ele não bebia porque era viciado, bebia para esquecer, ou pelo menos tentar. A sua vida fora uma miséria.

Ele bem sabia que isso não lhe fazia esquecer todas as desventuras que já tivera, mas acalmava a sua mente. Deixava-o tão confuso que o impedia de pensar nisso.

Por vezes, caía inconsciente na rua de tanto beber. As pessoas ajudavam-no, mas ele não queria ser ajudado. Queria apenas esquecer.

E quando uma garrafa acabava, tinha outra ao lado e começava imediatamente a beber. 

Ele já tentara parar,  mas a sua cabeça não deixava. Arrastava-o de volta aos tempos infelizes. Então voltava a beber cada vez mais.

E como a bebida chegava ao fundo da garrafa, a sua vida também. Não lhe restava muito tempo se continuasse assim.

Enervado e tonto, atirou a garrafa para o fim da rua. Não queria beber mais. Não podia beber mais.

 

Calor

08
Ago17

"Memórias Num Baloiço"

João Jesus e Luís Jesus

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- Ele ainda está na árvore? - Perguntou ela entusiasmada para a sua mãe

A sua mãe sorriu e ela notou que mesmo já idosa, a sua mãe continuava bela como sempre.

- Está. Não tive coragem de o deitar abaixo. - Disse ela docemente

- Ótimo! Eu volto já... - Disse ela, correndo para o jardim

A mãe ficou a vê-la com um sorriso nos lábios.

As lágrimas subiram-lhe aos olhos quando o avistou pendurado na árvore. Mexia-se um pouco com a leve brisa que corria. Não tinha mudado nem um pouco.

Ali estava ele. O baloiço que lhe fora construído quando tinha cinco anos, pelo seu pai. Era uma das melhores coisas que o pai lhe tinha dado quando estava vivo.

Sentou-se nele e baloiçou-se. Tantas memórias que lhe chegavam à cabeça enquanto baloiçava! 

Lembrava-se de quando o pai estava doente, ela corria para o baloiço e rezava lá por ele. Lembrava-se das fotos que o pai tirava enquanto ela fazia acrobacias nele. Lembrava-se das grandes conversas que tivera com ele enquanto estava ali.

E de repente, ela sentiu-se feliz. Lembrou-se de quando o pai a empurrava no baloiço. Era a melhor sensação do mundo sentir as mãos do seu pai nas suas costas. Sentia que nada a podia derrubar. Sentia-se protegida.

Uma lágrima rolou pela sua face. Ela adorava o seu pai. Tinha saudades dele. 

E do nada, sentia algo forte mas fraco ao mesmo tempo, algo gélido de tão quente estar, nas suas costas. Sentia as mãos do seu pai a empurrá-la no baloiço.

 

Calor

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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