Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

15
Dez17

"Muda De Vida ou De Poema" - Gonçalo M. Tavares

João Jesus e Luís Jesus

leave-1957302_1920.jpg

 Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal. 

Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema. 

Gonçalo M. Tavares, in 'A Perna Esquerda de Paris' 

 

13
Dez17

"Gestos de Amor" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

066ac-hands_by_laureno9100.jpg

 Amo-te. Sim, A-M-O-T-E. Soletrando devagar o que sinto.

É só isso que hoje me apetece escrever, sussurrar ao teu ouvido, descrevê-lo no teu corpo. Sobre o qual me apetece pensar, no sentido que essa palavra tem, na forma que apresenta, as curvas que tem, a loucura que desencadeia na minha vida quando te toco, quando me envolvo em ti e te percorro.

O que é afinal o amor? Tu sabes o que é?

Então faz um esboço para mim, tenta desenhá-lo em mim.

O amor é um pedaço. Um fragmento do nosso ser. Todos temos um pedaço de nós escondido algures numa recôndita parte daquilo que somos, da nossa existência. É aquele pedaço de nós, que diz o que pensa e que faz o que não deve, sem fazer nem dizer nada em concreto, intervém de mansinho sem ser solicitado e mesmo sendo tão pequenino e tantas vezes frágil e sensível consegue ser forte o suficiente para mexer com tudo. É o centro de todas as emoções, memórias e recordações e sente tudo o que nós sentimos e nem faz por disfarçar. Demonstra-o bem. Faz-nos marcar a diferença por expressarmos tudo de uma forma tão única. Este é o pedaço de mim que partilho contigo, é o pedaço de nós que deixas em mim, que reforças em mim. Que cuida sempre de mim. Que te dou. Seres parte de mim. Ai… O amor. O amor é amar. Amar-te. E amar, essa forma por vezes ingrata de viver, é uma dor de alma. Amar é estar contigo. É estar longe de ti e mesmo assim continuar a amar-te como sempre. É esperar-te. Desesperar-te. Contar contigo e tu não dizeres nada. Procurar-te. Ver através do silêncio e do vazio. Amar-te, por vezes, é como uma folha de papel em branco, suave e leve como uma pena, doce de maresia. Inconstante. Incerto. Permanente. Para sempre. Amar-te, é só um pedaço de nós, uma palavra. E nessa palavra, onde estou eu, cabes só tu.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

 

12
Dez17

"Desconhecidos"

João Jesus e Luís Jesus

open-top-bus-2721270_1920.jpg

Estava sentado no habitual banco da paragem do autocarro.

Tinha fome. Tinha muita fome.

Esperava ali todos os dias para que alguém com bom coração, lhe desse alguma coisa. Esperava ali pela sua família, que lhe prometera que iria voltar para junto dele. Eram mentirosos.

Levantava-se quando a geada o acordava e deitava-se quando acabavam os horários dos autocarros. A paragem era a sua casa.

Por vezes, alguém passava perto dele e olhava-o com pena, mas nunca lhe dava nada. Muitos eram aqueles que se riam dele ou que lhe faziam caretas através do autocarro.

Estava outra vez sentado na paragem, a olhar para as pessoas. Não tinha coragem de pedir nada a ninguém. Limitava-se a olhar, à espera que alguém lhe visse através dos olhos o que ele precisava.

Um homem, com cerca de sete crianças chegou à paragem. 

Deve ser um pai de uma grande família, pensou o homem. Ele também já assim fora.

O homem tinha uma cara enorme de cansado. Tratar de muitas crianças era assim, desgasta-nos mas deixa-nos uma enorme felicidade por dentro.

O homem olhou para ele. A sua cara encheu-se de preocupação.

De repente, ele abriu a sua mochila enorme e tirou um grande embrulho. 

- Tome. - Disse ele para o homem, estendendo-lhe o embrulho

- Não, não. - Recusou o homem, empurrando o embrulho - O senhor vai precisar disso.

Ele sorriu, mas voltou a dar o embrulho ao homem, que desta vez nada disse. 

- E isto pode ajudá-lo.

Colocou-lhe na mão um grande maço de notas. O homem ficou surpreendido e quando se preparava para entregar o dinheiro ao seu dono, chegou o autocarro.

Eles despediram-se dele e acenaram do autocarro. 

O homem sorriu e começou a desembrulhar o embrulho.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

11
Dez17

"Fama" - Capítulo IX

João Jesus e Luís Jesus

fama.png

Fico apenas quieta e muito séria a olhar para a multidão.

Oh não, não, não! Porquê o Jordan? Não havia mais rapazes na universidade?

- Então, Chelsea? Nem um olá? - Diz ele com um sorriso malvado

Reviro os olhos e quando dou por mim, temos de sair do palco, pois a apresentação já acabou. 

Corro para a Dianne, antes que o Jordan tenha tempo de chegar.

- Dianne, o rapaz da nossa universidade é...

- Olá meninas. - Diz ele atrás de mim - A falar de mim?

A Dianne fica com os olhos muito arregalados. 

- Olá Jordan. - Digo eu, arrogantemente

- Não, não estávamos a falar de ti, para além disso, existe mais gente aqui presente e mais interessante do que tu. - Diz a Dianne

- Não me lembro de te ter dado ordem para falares, tartaruga. - Diz ele

A Dianne cala-se e fica um pouco magoada.

- Tartaruga foi a tua mamã que demorou para te trazer aqui. - Digo-lhe

Ele fica um pouco corado e a conversa acaba. Sento-me no meu lugar, um pouco orgulhosa do que disse.

A Blair sobe ao palco e despede-se de todos os modelos, dizendo que amanhã às nove da manhã começam as primeiras dietas e aulas e essas coisas do género.

As pessoas começam a sair do estúdio, enquanto os repórteres dão as últimas entrevistas e fotos. Saio do estúdio com a Dianne e o Jordan vai atrás de nós, a fingir que sabe por onde anda.

Passado cerca de dez minutos, o Liam vem ter connosco.

- Então, gostaram? - Pergunta ele com o seu enorme sorriso

- Sim. Agora podemos ir para casa? - Pergunto

- Claro, claro...

- Acho que ainda não me apresentei. Sou o Jordan, o colega da Chelsea. - Diz o Jordan secamente, estendendo a mão a Liam

- Eu sei quem tu és. - Diz o Liam, com o sobrolho carregado - Sou o Liam.

Eles largam a mão um do outro muito rapidamente. 

- Bem, os rapazes vivem num apartamento mais pequeno e noutro sítio da cidade. Por isso, tens de esperar por um motorista que eu vou chamar para ti. - Diz o Liam

Ele chama o motorista e despedimo-nos do Jordan, felizmente!

Entramos no carro do Liam e ele leva-nos para casa.

- Bem, até amanhã meninas. Não se esqueçam, têm de estar no estúdio 6 às nove horas, alguém vos vem buscar. - Diz o Liam

Agradecemos e o Liam vai-se embora.

Fecho a porta e deixo-me cair no enorme sofá que tem vista para a cidade. A Dianne também se deita no sofá, que é mesmo enorme.

- Uau. Que dia! - Digo

- Meu Deus! Nunca pensei que fosse assim tão estranho! - Diz a Dianne

- Estou mesmo cansada. - Revelo

- Eu também. E ainda nem começamos. - Declara ela

Ficamos caladas e rapidamente, eu adormeço.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

10
Dez17

"Perdido"

João Jesus e Luís Jesus

gorge-2994975_1920.jpg

 

Finalmente estava lá em cima!
Subiu para a pedra mais alta e olhou. Lá embaixo via as casinhas todas, as luzes ligadas e algumas crianças a brincar na rua.

Já há muito tempo que tentava subir aquela enorme montanha, para ver melhor o mundo.

Queria ver as casas todas, queria ver algo familiar. Não sabia onde estava. Estava perdido.

Estava perdido pois um homem estranho, de barba enorme e dentes podres o tinha levado para um sítio suspeito e ele conseguiu fugir.

Olhou atentamente para todo o lado. Não via nada familiar. Não via a sua casa. Não via o seu carro. Não via os seus pais à procura dele.

Sentou-se na pedra e chorou. Tinha sido em vão! Estava perdido eternamente. Nunca iria encontrar a sua casa. Ia viver na floresta para a vida toda.

De repente, levantou-se outra vez e olhou para o horizonte. Via o sol a tentar esconder-se para dar lugar à noite. 

Então decidiu perseguir o sol até encontrar a sua casa. Talvez o sol fosse seu amigo e lhe desse luz para encontrar a sua casa de novo.

Desceu da pedra, com um leve sorriso na cara e começou a correr. 

Iria encontrar a sua casa.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL