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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

16
Out17

"Fama" - Capítulo I

João Jesus e Luís Jesus

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 Corria pela estrada abaixo. 

- Deixei-me em paz! - Gritava ela, enquanto corria

Uma enorme multidão de jornalistas, papparazis e fãs malucos corriam atrás dela.

- Espera menina Chelsea! Só uma perguntinha! - Gritou alguém atrás dela

Continuou a correr, mas os seus pés doíam. Bem sabia que não devia ter calçado aqueles sapatos de manhã! Para a próxima, iria prevenida com uns rasos na mala.

A estrada ia ficando cada vez mais inclinada e ela sentia que ia cair ao chão a qualquer momento. Mas continuou.

De repente, sentiu o pé sair do sapato e ela caiu no meio da estrada.

Rapidamente se levantou, os jornalistas estavam a ganhar terreno. 

- Precisas de ajuda? - Ouviu uma voz à sua esquerda

Olhou tão rapidamente que sentiu o pescoço estalar.

- Graças a Deus! - Suspirou

Ele sorriu e estendeu-lhe um capacete. Os jornalistas estavam mesmo a chegar.

Velozmente, saltou para cima da mota sem ajuda.

- Anda lá! Estás à espera do quê? - Gritou-lhe ela

- Estou à espera que te agarres bem. - Declarou ele, docemente

Revirou os olhos e fez-lhe a vontade, agarrando-se de volta da sua cintura.

Ele sorriu maliciosamente e colocou a mota a andar, acelerando muito.

Ela olhou para trás e viu toda a multidão, parar na estrada. Tinham sido derrotados!

Sorriu e virou-se de novo para a frente.

O vento batia-lhe nas roupas. Ainda bem que estava de calças! 

Via que ele a estava a levar para sua casa. Não se importou! De certeza que todos aqueles que desistiram na estrada, iriam para sua casa já de seguida.

Chelsea olhou para o horizonte. Via as pequenas montanhas, as casas de luxo e a placa tão famosa de Hollywood. 

A mota abrandou e quase de repente, parou. Estavam mesmo em frente da casa mais luxuosa de Los Angeles.

Saiu da mota e entregou-lhe o capacete.

- Obrigado Liam! A sério! - Agradeceu

Ele sorriu de novo, enquanto arrumava a mota.

- Não foi nada de mais. - Respondeu ele

- Tu salvaste-me de uma multidão infernal de papparazis! Isso significa muito! - Declarou ela

Ele deu uma risada e olhou para ela.

- Raios! Estás ferida! - Disse ele, preocupado

Chelsea começou a sentir apenas uma leve dor nas pernas e nas palmas das mãos

- Oh! Isto nem dói! - Mentiu

Um ardor enorme tomava conta das mãos dela, que estavam todas esfoladas por causa da queda. As calças tinham rasgado nos joelhos e estes pareciam sangrar.

- Anda vamos para dentro! Eu ajudo. - Disse ele

- Ok! Mas é melhor fechar cortinas, acho que vai ser uma noite longa para os papparazis. - Avisou

Começaram a andar até à entrada.

- Porquê? Por causa daquilo de ontem à noite? - Perguntou curioso

- Exatamente. - Concluiu

- Tu e os teus problemas...

- Problemas de alguém famoso. - Sorriu

 

 

4 semanas antes

 

 

- Então, tenho teste de Inglês de manhã e um quiz de História depois do almoço, certo? - Perguntou Chelsea

- Correto! - Disse a colega - Estudaste para algum deles?

Chelsea sorriu, um pouco envergonhada.

- Oh anda lá, Dianna! Só desta vez! - Implorou

Dianna era uma rapariga magricela, aluna de boas notas e tinha um grande coração para todos. Porém, esta sentia-se um pouco frustrada, pois quase todos os seus amigos se aproveitavam dela nas aulas.

- Chelsea, tu tens de começar a estudar. - Disse

- Tu bem sabes que eu sou uma esquecida! Só copio mais desta vez, prometo. - Justificou ela

Dianna olhou para os olhos dela. Chelsea parecia estar a falar a sério. Afinal, ela era a sua melhor amiga e aquela que lhe durou mais tempo.

- Está bem. Que seja! - Disse

Chelsea sorriu e abraçou a amiga.

- Apanha-me esse cabelo ruivo e dá uma vista de olhos aos teus apontamentos! - Disse Dianna, depois do abraço

- Como quiser. 

Chelsea apanhou o cabelo e sorriu para a amiga.

- Estou mortinha pelo casting desta tarde! - Chiou

Dianna ficou surpreendida. Achava que Chelsea não queria participar!

- Qual? Para o de modelo da "Angelicals"? - Perguntou Dianna, mexendo nos seus óculos

- Hum hum. -Confirmou a amiga - Também vais? 

Dianna riu-se, mas no fundo sentia-se triste.

- Claro que não. Tenho de estudar, fazer os tpc's...

- Dianna, tu vais comigo! - Interrompeu

Dianna ficou paralisada.

- Tu bem sabes que eu sou feia! E além disso detesto estar em público. - Revelou ela

Chelsea olhou seriamente para a amiga.

- Dianne, tu és muito bonita. - Disse ela - Basta tirares os óculos e soltares o cabelo, aplicares um pouco de maquilhagem na cara e estás pronta para o casting. Eu ajudo!

Dianne sentiu algo quente por dentro, como um fogo. 

- A sério que me ajudas?

- Claro! Somos amigas, não? - Perguntou Chelsea

- Claro. - Respondeu a outra

Abraçaram-se de novo e entraram na sala de Inglês, prontas para o teste.

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- Pronto, acho que já está! - Conclui Chelsea

Dianne olhou para o espelho. Nem se reconhecia!

- Vai haver um problema, Chelsea! Eu não vou ver quase nada sem os meus óculos. - Disse

- Toma! Comprei-te lentes de contacto. 

Estendeu-lhe uma caixinha.

- Oh obrigado! Obrigado mesmo! - Agradeceu Dianne

Chelsea sorriu e ajeitou o cabelo.

- Vamos? - Perguntou

Dianne respirou fundo.

- Sim. - Disse devagar

Chelsea sorriu e colocou apenas o seu colar. Aquele colar tão especial, que a avó lhe oferecera.

Saíram do quarto e caminharam até ao auditório do terceiro pavilhão. 

Estava muita gente, à espera de entrarem. 

- Bem, agora é só esperar. - Declarou Dianne

Esperaram durante quase meia hora na fila. 

- Dianne Bescrey? - Chamou uma voz dentro de uma sala

Dianne ficou paralisada. Estava amedrontada!

- Vai lá! Força! - Encorajou Chelsea

A passos curtos, Dianne entrou no auditório.

Demorou cerca de cinco minutos, até ela sair a correr e a chorar. 

- Dianne?! - Gritou Chelsea 

Mas a colega passou a correr e não lhe ligou alguma.

- Chelsea DeTriny? - Chamou a mesma voz

Chelsea ficou preocupada, mas respirou fundo e entrou no auditório.

O auditório estava irreconhecível! Apenas havia três pessoas dentro e havia um grande cenário, onde ela devia posar.

- Pode subir para o palco. - Disse uma mulherzinha

Timidamente, subiu para o palco do auditório.

- Chamo-me Chelsea, tenho vinte e um anos. - Apresentou-se

As três pessoas que estavam sentadas nas cadeiras do auditório riram-se.

- Responda quando lhe perguntarem alguma coisa. - Disse outra vez a mulher

Chelsea decidiu que não gostava dela, mas de repente reconheceu-a.

Era a Blair Friens! A grande dona da marca "Angelicals"! 

Ela gostava muito dela, admirava todo o seu trabalho, mas agora passava a detestá-la! 

Blair era convencida, esquelética e extremamente snob. Chelsea rezou para que se fosse modelo no futuro, não ficasse assim depois de muitos anos de trabalho.

- Bem, vamos começar! - Disse um homem perto de Blair

Este levantou-se e caminhou até ao palco, agarrando numa câmara enorme.

- Chamo-me Liam. Sou fotógrafo. - Disse ele com um sorrisinho.

Ela sorriu-lhe de volta. 

Liam era muito bonito, no ponto de vista dela. Tinha uma pele castanha como chocolate, uns olhos enormes negros e parecia simpático.

Blair ordenou que Chelsea posasse para as fotos. Envergonhada por estar perante grandes celebridades, lá tentou posar o melhor que sabia.

Depois de cinco minutos com muitas fotografias, comentários enervantes de Blair e sorrisinhos do Liam, Chelsea acabou a sessão fotográfica.

- Bem, esta é melhor que a anterior. - Disse outra mulher perto de Blair

Ela não a conhecia. Era uma mulher muito atraente! Tinha um farto cabelo loiro e a sua aparência era divinal!

- Muito bem, Courtney! Gostei! Podes sair. - Disse outra vez a mulher

Chelsea sentiu que se ia começar a rir a qualquer momento.

- O meu nome é Chelsea. - Respondeu

Ouviu Liam a rir.

- Oh! Sim! Pois! Podes ir Chelsea. - Disse a mulher muito atrapalhada

Aos risinhos, Chelsea saiu do auditório.

 

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31
Jul17

"Doentes" - Capítulo V

João Jesus e Luís Jesus
Doentes

 

- A sério, eu tinha tudo naquele carro! - Repete ela

- Acho que já percebi Heather! - Digo um pouco enervado

- Mas eu estou furiosa! - Resmunga ela
Paro e olho para ela. Estou estafado e sujo e não sou capaz de continuar a ouvir a conversa dela...
- Olha, eu também estou furioso com isso tudo, mas não estou sempre a falar do mesmo! Tem calma, devemos estar perto de população. - Acabo por dizer
Ela passa a mão pelos seus cabelos loiros e fixa os seus olhos enormes azuis nos meus.
- Ok! Pode ser que tenhas razão. - Concorda ela
Sorrio e continuamos a andar.As minhas pernas doem muito e para nem falar das costas, que parece que estão mergulhadas em lava. 
- É verdade, como estão as tuas costas? - Pergunta ela
- Estão quente! E doridas. - Revelo
- Se eu tivesse o meu carro...
- Ok! Se tivesses o carro podias fazer tudo e mais alguma coisa! O problema é que não tens. - Grito
Ela começa a rir-se. Está louca!
- Sou mesmo uma chata! - Revela ela - Não consigo ficar calada.
Rio-me um pouco e quando acabo de rir, reparo que tenho a garganta muito seca.
- Ainda tens água? - Pergunto
- Tu não tens a tua? A minha acabou à pouco. - Diz ela
- A minha está quente. - Declaro - Mas vai ter de ser...
Abro a mochila e bebo alguma água. Quero beber mais!
- Tem calma! Depois ficamos sem água, bebe pouco apenas para não desidratares. - Avisa ela aflita
Fecho a garrafa e volto a colocá-la na mochila.
Olho para o céu. Está quase a pôr o sol. Caminhamos durante um dia inteiro e só quero descansar!
- É melhor procurarmos sítio para dormir. Está a escurecer. - Digo
- Como vamos fazer para dormir esta noite? - Pergunta ela
- Como todos os dias. Deitas-te e fechas os olhos! - Rio-me
- Ok, mas aqui é uma zona selvagem, existem animais que nos podem rasgar a garganta à noite! - Diz ela assustada
- Dormimos por turnos. - Proponho 
- Concordo. E onde vamos dormir? - Pergunta ela
Olho em volta. Existe um espaço mais alto e sem árvores mais à frente.
- Ali à frente, assim podemos ver tudo o que vem debaixo e acender uma fogueira sem risco de incêndio. - Digo
- Então vamos lá! - Ela começa a correr para lá - Quanto mais depressa chegar, melhor!
Rio-me e corro atrás dela. Ela chega primeiro e quando chega ao meio do monte, deita-se no chão.
- Ufa! - Suspira ela
Sento-me perto dela e descalço as sapatilhas. As solas estão muito gastas da longa caminhada. Olho outra vez de volta e vejo que existe um pequeno lago muito perto, vai dar para tomar banho e se a água for boa, conseguimos encher as garrafas.
Falo com a Heather sobre tudo o que vi. Ela diz que vai ser a primeira a tomar banho e que eu fico com o primeiro turno.
Vejo-a a correr descalça para o lago. Quando ela chega, começa a tirar os calções e entra para a água com a t-shirt. 
- Não se olha assim para um rapariga! Ainda por cima quando se está a tomar banho! Olha para outro lado! - Grita ela
- Só por dizeres isso, vou ficar a olhar! - Grito-lhe
Ela começa a rir-se e de repente é puxada para baixo de água. Quando volta à superfície começa a gritar por ajuda.
Corro para ela muito aflito. 
- Heather! - Mergulho imediatamente
Ela volta à superfície quase engasgada de tanto rir. Está a gozar!
- Estúpida! - Rio-me e atiro-lhe com água
Ela volta a rir-se.
- És mesmo um parvo! - Ela ri às gargalhadas - E se estivesse aqui algo perigoso, não devias entrar na água!
- Estava preocupado! Assustaste-me! - Explico
- Ao que parece, ainda te preocupas comigo. - Diz ela
Volto a atirar-lhe com água. 
Mergulho debaixo de água. A água está gelada, mas sabe muito bem. Parece potável, por isso quando saio, encho as garrafas com a água.
- O que vamos comer? - Pergunta a Heather, saindo da água e vestindo os calções
- Existem ali algumas bagas comestíveis, eu tenho barras de cereais na mochila e com sorte, ainda apanho um esquilo ou dois. - Revelo
- Ótimo! Eu depois cozinho-os. Vai acendendo a lareira. - Diz ela - Tenho de tratar de assuntos femininos.
Rio-me e volto para perto das nossas coisas. Está tudo no sítio. 
Apanho alguma madeira e erva seca e acendo uma lareira bem boa. A Heather chega com algumas mangas que apanhou e eu caço um esquilo.
Já é noite, quando começamos a comer. O esquilo cheira muito bem.
- Cada um come metade. - Diz a Heather quando o tira da lareira
Agarro na minha metade de esquilo. Cresce-me água na boca. 
Enquanto como o esquilo, mastigo um pouco da barra de cereais e beberico água. No fim, lambo até os dedos que ficaram com algum molho do esquilo.
Acabo a refeição comendo uma fatia de manga e algumas bagas.
- Estou cheio! - Digo muito satisfeito
Ela levanta-se e suspira.
- Soube mesmo bem! Vou dormir. - Diz ela - Acorda-me quando for o meu turno, ok?
- Não te preocupes! - Conforto-a
- Até logo. - Ela deita-se no meu saco de cama, que eu por sorte tinha na mochila
Ela adormece muito rápido. Fico a contemplar a lareira. Está a ficar frio e a lareira está a fornecer-nos um bom calor.
De repente, oiço um barulho um pouco atrás da Heather, onde recomeça a selva.
Agarro num pau bem pesado e avanço até onde ouvi o barulho.
Chego ao lugar e olho em volta. Está tudo calmo. Calmo demais.
Volto ao acampamento a correr e preparo-me para acordar a Heather.
- Diz uma palavra e já eras. - Diz uma voz atrás da minha orelha
Sinto algo frio e pontiagudo perto da minha garganta.
 
Calor

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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