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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

09
Dez17

"Enquanto a Neve Cai"

João Jesus e Luís Jesus

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Sento-me no sofá, com a lareira acesa à minha frente.

Sabe tão bem! Sabe tão bem não fazer nada quando está frio lá fora! Sentir o calor da lareira a bater na cara é reconfortante.

Levanto-me rapidamente e agarro no meu copo de chocolate quente acabadinho de fazer. Volto para o sofá com o copo de chocolate a ferver. 

Dou um pequeno gole na bebida dos deuses e olho lá para fora, através da janela. 

Não se vê um pássaro. Não se vê um raio de sol. Apenas uma enorme e densa camada de nuvens cinzentas que parecem prontas a rebentar a qualquer momento.

Sinto algo a subir para perto de mim. É a minha gata! Ela ronrona e tenta cheirar o que eu estou a beber. Dou-lhe uma festinha na cabeça e ela deita-se no sofá, a olhar para as brasas cintilantes da lareira.

Dou mais um gole no chocolate quente. Um calor enorme começa a ferver dentro de mim. 

Sinto a gata a ronronar à minha beira, as brasas da lareira crepitam e o chocolate quente enche-me de calor. Está perfeito!

Dou uma pequena risada e de repente, sinto-me tentado a olhar lá para fora. Fico surpreendido com o que vejo e levanto-me imediatamente, fazendo com que a minha gata abra os olhos instantaneamente.

Está a nevar! Pequenos flocos brancos caem na relva do meu jardim e pintam-na de branco, como tinta. 

Sorrio e abraço a minha gata. Só nevara uma vez, quando eu era pequeno. 

Corro lá para fora e coloco a gata na relva.

Sorrio e deito a língua de fora, enquanto tento apanhar algum floco de neve. Vejo a minha gata a tentar "caçar" um deles com as patas.

Rio-me e limito-me a olhar para o céu, com um enorme sorriso na cara, enquanto a neve cai.

 

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22
Set17

"Com Os Auscultadores Nos Ouvidos"

João Jesus e Luís Jesus

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 Fechou a janela do quarto muito depressa. 

Nevava lá fora e estava um frio de rachar. Ainda com arrepios, passou a mão pela camisola grossa e apertou-se um pouco, para tentar eliminar o frio.

Estava aborrecido. O dia não tinha corrido bem.

Era daqueles dias em que só lhe apetecia enroscar-se nos cobertores e ficar ali parado, sem ligar nenhuma ao mundo, durante horas a fio. E era isso que ia fazer!

Agarrou no seu walkman, quer dizer, o do seu pai. Fora ele que lho dera quando estava quase à beira da morte. Guardava-o com muito cuidado, era o seu bem mais precioso.

Colocou a sua cassete preferida no walkman e colocou os auscultadores nos seus ouvidos.

Atirou-se para a cama e enfiou-se dentro dela. Estava quente, confortável. Fechou os olhos e respirou fundo.

Sentia falta do pai. Sentia falta das longas conversas com ele. Sentia falta das cantorias no carro de manhã cedo.

Devagar, carregou no botão do play do walkman. Ouviu a cassete rodar e de repente, começou aquela música que ele conhecia tão bem.

Fechou os olhos e sorriu para o teto. Era bom lembrar-se dos bons momentos com o seu pai. 

Deixou cair uma lágrima em nome do seu pai e adormeceu ao ouvir a música.

 

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21
Set17

"Camada Gelada"

João Jesus e Luís Jesus

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 Os dedos fininhos envolviam o cântaro. Estava muito frio.

Ainda mal se via a luz do dia e já ela descia a vila, para ir até à fonte. Tinha de ser! Não havia outro remédio.

Via que havia gelo. Muito gelo sobre as plantas, a estrada e também sobre os seus dedos. Não os sentia, pois estavam congelados.

Descia a estrada com cuidado, para não escorregar. Da sua boca saíam grandes nuvens brancas. 

Faltavam cerca de duas horas para o ínicio da escola e ela ainda tinha de buscar água para a sua senhora, alimentar os animais e limpar a casa. Era muito trabalho para pouco tempo.

Mas ela tinha de fazer isso! Pois os seus pais dependiam do seu dinheiro, pois estavam velhos e doentes para trabalhar. 

Chegou à velha fonte e abriu a torneira. Não saiu nem gota. O bico estava congelado. 

Envolveu o dedo no seu casaco e tentou partir o gelo. Conseguiu ao fim de alguns segundos.

A água jorrava para o cântaro. Havia vapor em volta dela. Até a água gelada da nascente estava mais quente que aquela manhã! 

Quando o cântaro transbordava, desligou a torneira. 

As suas mãos congeladas agarraram o cântaro e com muito esforço, carregou o cântaro, começando outra vez a enorme caminhada até à casa da sua patroa.

Sem querer, o cântaro escorregou-lhe das mãos. Partiu-se no chão em mil pedaços. 

Rapidamente agarrou os cacos e atirou-os para o monte, não fosse aleijar alguém. Aquela distração iria ser recompensada em menos um dia de ordenado e uma sova em casa. Iria haver fome nesse dia.

A água que se entornara no chão, escorria pelo chão, mas grande parte dela já se havia congelado. 

Não valia a pena chorar, então levantou-se do chão e passou a mão no seu avental. 

Tinha uma longa caminhada até casa da patroa.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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