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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

10
Fev18

"Máscara"

João Jesus e Luís Jesus

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Tinha chegado a sua época preferida do ano. O Carnaval.

Contava os dias até à sua chegada. Chorava dias a fio quando este já tinha passado. 

No Carnaval, abria a sua pequena mala e retirava o seu bem mais precioso de todos. Uma máscara e um fato. 

No Carnaval, ele era o rei. Todos o conheciam, mas desconheciam a sua verdadeira identidade. As crianças adoravam-no e todos gostavam dele, mas nos outros dias do ano, as pessoas não o reconheciam e tratavam-no com repugnância, escondiam as crianças de si e estas tinham-lhe medo devido às histórias que lhe contavam.

E tratavam-no assim devido à sua raça. Era cigano. Vendia as coisas na feira e todos desconfiavam de si, por isso chegava ao fim do mês sem um único tostão. 

Não percebia o ódio das pessoas por si e pela sua raça. Por isso, adorava o Carnaval, pois podia esconder-se atrás de uma máscara e ninguém o reconhecia.

Então, nesse dia abriu a mala. Tirou a máscara e o fato. Vestiu-os e saiu para a rua com um sorriso nos lábios. 

Mal saiu para a rua, um enorme grupo de crianças rodeou-o a pedirem abraços e companhia. Adorava o Carnaval.

Durante a tarde inteira, percorreu as ruas no desfile com as crianças e até adultos, que gostavam das suas brincadeiras. 

Chegou ao fim do dia exausto, mas contente. Os carros alegóricos passavam uma última vez pelas ruas, então subiu no maior que viu.

As pessoas viram-no e aproximaram-se aos gritos de felicidade e tiravam fotos. 

Sorriu e muito devagar retirou uma máscara e saudou todo o público.

Ficaram todos calados, olhando para ele muito sérios. 

Mas como por magia, desataram aos gritos e a sorrirem, felizes por saber a identidade do seu ídolo. 

Então, muito feliz, atirou-se para a multidão, que o apanhou imediatamente.

 

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01
Nov17

"Estranha Forma de Vida" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 Hoje foi dia de mais um dos nossos encontros. Desde a adolescência que todas as semanas, eu, a Babi, a Sílvia, e a Nonô, às Quartas-feiras à noite, fazemos a nossa noite de mulheres. Nestas nossas noites, não é permitida a entrada a namorados ou maridos, deixamo-los em casa sozinhos a suspirar noite dentro pela nossa chegada e a imaginarem como são estas nossas noites exclusivamente femininas. Nunca lhes revelamos nada, fica tudo no segredo dos Deuses, só nós é que sabemos todos os detalhes. E vamo-nos divertir… Sozinhas.

O trabalho é outra daquelas coisas que não é convidada para a festa, nestas nossas noites, reunimo-nos e falamos de todos os assuntos de mulheres possíveis e imaginários excepto de coisas de trabalho. É mesmo expressamente proibido, mas nem sempre é fácil evitar, muitas vezes caímos no erro de falar de coisas relacionadas com o nosso trabalho. Sabem como é, faz parte do dia estarmos constantemente a falar de trabalho, é daquelas coisas que se entranha facilmente na pele. E depois não conseguimos desligar, e os assuntos acabam a fugir sempre para o mesmo.
Precisamente por causa do trabalho, a nossa noite feminina de hoje esteve mesmo para não se realizar, algo que nunca tinha acontecido até hoje. Mas entretanto a Babi ligou-nos e disse que precisava muito que nos encontrássemos hoje, que tinha uma coisa muito importante para nos contar. 
Tentamos reorganizar-nos e lá fomos, até ao bar do costume…

– Então o que é se passa?!
– Lembram-se das minhas férias em Ibiza?! Eu traí o Filipe com o Personal Trainer do ginásio do hotel.
Caiu como uma bomba.
– Tu o quê?! Enlouqueceste?!
– Talvez… Acho que não fui capaz de resistir. E por isso é que acabei tudo com o Filipe, antes fugir do que remediar.
– Tu acabaste tudo com ele para não teres que lhe contar a verdade?!
– Sim. É melhor assim. Para além disso o mal já está feito e não há volta a dar. Mais vale ele nem se quer vir a saber.
– Tu é que sabes, mas acho que fazes mal. Virares as costas aos problemas nunca foi uma boa solução. Há que encarar a vida de pé e de frente.

E dois dias depois… O Filipe acabaria por descobrir tudo.

 

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

03
Set17

"Aproveitar!"

João Jesus e Luís Jesus

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 Cheirava a doces, frangos e a fumo dos foguetes. Era a última festa de verão.

Isso também queria dizer que as minhas férias estavam prestes a acabar, assim como o verão e todos os seus festivais.

Não sei porquê, a atmosfera das festas sempre me deixou tranquilo e satisfeito. Sentir felicidade, diversão e sobretudo, muitos doces, sempre me deixou realmente feliz.

Olhei em volta. Havia muita gente nos carróseis, na arena do concerto e também muitas pessoas a passar na rua. Estavam todos a aproveitar a última festa de Verão. O último momento de diversão.

Então, comecei a andar, só não sei para onde. Apenas andei. Se todos estavam a aproveitar os últimos dias, eu também ia aproveitar da mesma maneira.

Não gosto da música que estava a tocar no concerto, mas mesmo assim limitei-me a ouvi-la e de vez em quando colocava as mãos no ar.

Antes do concerto acabar, andei até aos carrósseis. Mesmo que já seja um pouco crescido, ainda gosto de dar uma voltinha de vez em quando. Faz-me lembrar os meus tempos de criança.

Coloquei-me dentro daquelas chávenas que giram, e fiquei lá, muito e muito tempo. Ri-me, fiquei tonto e gritei de alegria. É tão bom divertirmo-nos!
Saí do carrossel e decidi que já era tempo de comer algo e como não podia desrespeitar a tradição de todas as festas, comi uma fartura.

Já a noite ia alta quando chegou a principal atração desta. O fogo-de-artíficio. 

Quando deu o primeiro estrondo, sorri alegremente.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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