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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

16
Nov17

"Aconchego"

João Jesus e Luís Jesus

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 Atirou mais um pedaço de lenha para a lareira.

As chamas elevaram-se e saltaram pequenas fagulhas, que lhe lembrou pirilampos.

Sorriu e apertou-se contra si. Estava bem. Estava tudo perfeito!

O calor batia-lhe na cara, sentia as bochechas queimarem, mas sentia-se bem. O calor tranquilizava-o. 

- Estás aqui. - Suspirou a sua mãe

Esta sentou-se no pequeno escano de madeira dura. 

- Hmm! Sabe mesmo bem este calor. - Suspirou de novo

Continuou a olhar para a lareira. As chamas hipnotizavam-no e via as fagulhas saltarem de um lado para o outro como lindas fadas.

- Chega-te para aqui, minha riqueza. - Sussurrou-lhe

Automaticamente, deitou-se e colocou a cabeça no colo da mãe. Esta dava-lhe festinhas na cabeça, muito devagarinho, como lhe costumava fazer em criança.

Sorriu e fechou os olhos.

- Aqui está mesmo quentinho. - Disse ele

- Pois está. - Concordou a mãe

Com as festinhas na cabeça, o calor da lareira e o prazer de estar com a sua mãe, não parecia haver nenhum problema. 

Abriu os olhos de novo. Viu uma chama a subir e a descer. 

Fechou os olhos e adormeceu.

 

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12
Nov17

"Por Favor, Não Me Deixes Sozinho"

João Jesus e Luís Jesus

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 - Mãe? - Perguntou ele, acordando

- Sim, meu filho? - Perguntou-lhe baixinho

- Onde vamos? Porque é que estamos no carro? - Perguntou ele

Ela calou-se e sentia as lágrimas nos olhos.

- Mãe?! Estou a ficar assustado!

- Não te preocupes, vamos só dar um voltinha. Já voltamos para casa. - Mentiu-lhe - Volta a dormir. Ainda vai demorar.

Ele sentou-se melhor no banco.

- Não consigo. Já estou bem acordado. - Disse devagarinho

Ele olhou para fora do carro. 

- Onde estamos, mãe? - Perguntou curioso

- Já estamos um pouco longe de casa. É melhor voltares a dormir, porque vai mesmo demorar. - Disse, um pouco assustada

- Eu nunca vim aqui. - Disse-lhe

O carro parou de repente. 

- Porque é que paramos, mãe? - Perguntou assustado

Ela começou a chorar.

- Mãe, porque é que estás a chorar? - Perguntou-lhe triste

Colocou-lhe a mão no ombro. 

- Meu menino! - Suspirou, abraçando-o

- Está tudo bem, mãma! Estou aqui contigo. - Disse-lhe baixinho

Sorriu-lhe.

- Vamos sair só um pouquinho para apanhar ar fresco. - Avisou-o

Sairam do carro.

- Vamos jogar a um joguinho, para nos animarmos um pouco, está bem? - Desafiou

- Estás estranha mãe. - Disse ele

Ela limpou as lágrimas com a manga da camisola.

- Não estou nada. É só para nos animarmos. - Sorriu-lhe - Fazemos assim, tapamos os olhos e não podemos olhar. Eu escondo-me e tu tens de me procurar, ok?

- Mas eu não quero ficar aqui sozinho.

- Tu és um menino corajoso! Vais conseguir encontrar-me. - Disse-lhe, tremendo com a voz - Não podes mesmo olhar.

- Está bem. Começou eu a procurar.

Ela afastou-se dele, após ele tapar os olhos.

- Conta até cem devagar. Depois procura-me. - Disse-lhe com as lágrimas nos olhos

- Está bem, mãmã. - Disse ele - Não vás para muito longe, não quero ficar sozinho.

Começou a chorar e entrou no carro. Ligou-o e acelerou, deixando o menino para trás.

 

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10
Nov17

"Onde Estão?"

João Jesus e Luís Jesus

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 Hoje a tia deu-me um estalo na cara.

Nunca ninguém me tinha batido. Foi a primeira vez e eu detestei.

Tudo por causa da mesma coisa que eu pergunto todos os dias.

A pergunta mais detestada pela minha tia.

A pergunta que até eu tenho medo de perguntar.

"Onde estão? Onde estão os meus pais?". A pergunta que eu faço a todos, todos os dias.

A pergunta a que me respondem com: "Oh, ele é uma criança, não tem culpa! Os teus pais estão muito longe daqui, a trabalhar.". 

Mas hoje, fartaram-se. E eu sei bem porquê.

Eles não sabem que eu já sei onde os meus pais estão, há muito tempo. 

Há cerca de algumas semanas atrás, descobri um cartãozinho, como aqueles das lembranças, mas com as fotos dos meus pais, com algumas cruzes por cima. 

Estavam mortos. Há muito tempo.

Mas mesmo assim, finjo que não sei, queria ver se eles têm coragem de me dizer a verdade que já deviam ter dito há muito tempo.

Mas, prontos, sou uma criança. Mas ainda consigo perceber algumas coisas.

 

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01
Out17

"À Tua Espera"

João Jesus e Luís Jesus

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Jo tinha acabado de pedir um café. 

Sentou-se numa cadeira da esplanada e colocou de novo os óculos de sol na cara. Estava um belo dia em Paris. 

As pessoas passavam com baguetes e com as crianças. Estava mesmo um belo dia.

Jo olhou para o telemóvel. Não tinha recebido nenhuma mensagem. Devia estar a chegar.

- O seu café, minha senhora. - Disse o garçon, num francês muito requintado

- Merci. - Respondeu ela, dando o dinheiro

O garçon aceitou o dinheiro certo e colocou na sua bolsinha. Sorriu e despediu-se.

Jo olhou para o seu relógio de pulso, que lhe fora oferecido. Eram quase sete horas da tarde.

Deu um gole no café escaldante. Ele já devia ter chegado.

Terminou o café e olhou em volta. Será que ele estava a chegar?

- Ainda bem que cheguei! - Disse uma voz, atrás dela

Jo virou-se imediatamente e viu a cara que ela mais amava. 

- Pai! - Levantou-se e abraçou-o

Ele deu uma risada.

- Estava a ver que nunca mais chegava! - Disse ela com um grande sorriso

- Perdi-me nas ruas e tive de pedir ajuda. Mas consegui! - Respondeu ele com um sorriso

Ele sentou-se na cadeira à frente dela e fez sinal ao garçom.

- Isto aqui é mesmo bonito! - Suspirou ele - A mãe ia gostar.

Jo sentiu um pouco de tristeza. A mão tinha partido há cerca de quatro anos. 

- É verdade. - Concordou

O garçom chegou com o café e ele pagou imediatamente, oferecendo gorjeta. O garçom sorriu outra vez e desapareceu.

- Tinha tantas saudades suas. - Suspirou Jo - Mesmo muitas.

- Podias ir sempre visitar-me. Estou sempre de portas abertas. - Respondeu ele

Há muito que o seu pai ansiava para que Jo vivesse com ele.

- Oh pai, você bem sabe que a minha vida está aqui. Não posso ir embora de Paris. - Respondeu ela

- Claro, claro. Eu entendo. - Disse ele, com um pouco de desapontamento - Contudo, estarei sempre à tua espera. 

Ela sorriu e reparou que o café estava a fechar.

- Bem, acho que é hora de irmos para minha casa. - Declarou

Ele levantou-se de imediato.

- Bem, então vamos. Temos umas longas férias pela frente.

Sorridente, ela abraçou o pai mais uma vez e partiram por entre as ruas francesas.

 

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28
Set17

"Fraqueza"

João Jesus e Luís Jesus

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 Todos nós temos um ponto fraco.

Quando algo malvado atinge esse ponto, cedemos completamente. Pois é a nossa maior fraqueza.

Mas as fraquezas, não são coisas más. Até os mais fortes têm alguma fraqueza.

Ter fraquezas é ser valente, pois mostra que não somos de ferro e que nos preocupamos com algo. Pois a maioria das fraquezas não são partes do corpo. São pessoas.

E é dessas fraquezas que nos devemos orgulhar, porque quer dizer que estamos a cuidar de alguém que não somos nós e provavelmente essa pessoa, também olha por nós.

Se atingirem esse ponto fraco, essa pessoa, devemos colocar a nossa máxima força na sua defesa, pois perdê-la irá ser devastador.

Mesmo que sejamos fortes, que digamos que nada nos derruba, estamos enganados. Algo nos irá derrubar.

As fraquezas.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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