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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

18
Mar18

"Melhores Amigos"

João Jesus e Luís Jesus

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O livro fechou-se de repente.

Enervada e pronta para se pôr aos gritos, olhou imediatamente para o lado para ver quem lhe tinha interrompido a leitura.

Ficou paralisada, sem saber o que dizer.

- Tenho de falar contigo. - Disse-lhe Filipe

Filipe era o seu melhor amigo. Ou pelo menos era, até à semana anterior. 

- Não tenho nada para te dizer, Filipe. - Disse e levantou-se

Ele agarrou-lhe o braço.

- Hoje temos de falar, Tânia! Isto não pode continuar assim. - Disse-lhe muito sério

Resolveu ficar quieta. Tinham de ter aquela conversa.

- Então o que me queres dizer? - Perguntou-lhe

Ele suspirou. 

- Temos de acabar com esta zanga! Por favor, isto está a tornar-se rídiculo. - Disse-lhe

Riu-se.

- Ai agora dizes que isto está ridículo? Eu avisei-te! Querias ter um novo amigo e agora ele deu-te com os pés e claro, vens te queixar a mim! Eu avisei. - Disse-lhe furiosa

Ele calou-se e olhou para o chão.

- Eu sei que tens sempre razão. Fui estúpido. - Disse

Tentou não se rir. Adorava quando o amigo admitia os seus erros.

- Por isso, por favor! Vamos deixar estas tretas de lado e vamos voltar a ser o que éramos. Sinto falta das nossas brincadeiras e conversas. - Continuou

Pensou. Ela também sentia a falta do seu melhor amigo. Sentia falta das coscuvilhices do intervalo. Sentia falta das leituras em conjunto. Sentia falta de estar junto com ele.

- Ok. - Estendeu-lhe a mão - Vamos esquecer isso.

Ele olhou-lhe para a mão, sorriu e puxou-a, abraçando-a.

- Senti tanto a falta disto! - Disse

Sorriu e abraçaram-se ainda mais.

- Melhores amigos como antes. - Declarou

Sorriram e começaram a andar pelo corredor da escola.

- Que treta estás a ler?

 

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24
Nov17

"Continuar"

João Jesus e Luís Jesus

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Sentou-se na outra ponta do pavilhão. 

Sentou-se onde quase ninguém a via. Onde não reparavam nela.

Cruzou as pernas e colocou os cadernos e os livros de Ciências em cima destas. Tinha teste daqui a uma hora e precisava de rever a matéria.

- Ahahaha! Olha para aquela ali! - Gritou uma rapariga no fundo do pavilhão

Muito devagar, espreitou por cima dos óculos para ver a autora daquela fala. Pff! Era a mesma rapariga de sempre. Aquele que todos eram amigos dela.

- A estudar, Tartaruga? - Perguntou a rapariga, quando se aproximou dela

Ela olhou discretamente para ela.

- Deixa-me em paz. - Disse baixinho

A rapariga riu-se para as suas amigas.

- Não ouvi nada! Repete se tiveres coragem! - Disse a ela a altos berros para que todos a ouvissem

Ignorou-a. Continuou a olhar para os seus apontamentos.

- Não sabes que é falta de educação não responder a uma pergunta? - Picou

- Não se a pergunta for de mau gosto. - Respondeu-lhe, muito corada

A rapariga ficou pasmada.

- Bem, vamos deixar a Tartaruga aqui a estudar. - Revelou - Hum, apenas quero ver qual é a matéria que vai sair para o teste.

Antes que pudesse reagir, a rapariga arrancou-lhe o caderno das mãos e levantou-o no ar. 

- Que letrinha tão bonita! Olha as folhas a serem puxadas para o chão.

Muito rapidamente, rasgou uma página do caderno. Atirou-a para o chão e riu-se com as amigas.

- Pára! - Gritou-lhe

As outras rasgaram mais algumas páginas e quando deram por si, já não restava nada do caderno.

- Xauzinho Tartaruga! Bons estudos! - Disseram maliciosamente e desapareceram

Correu para as folhas rasgadas aos pedaços no chão. Sentia-se triste e enervada.

Dos seus olhos saiu uma lágrima. Passou a manga nos olhos para a secar, pois não queria que a vissem chorar.

Respirou fundo e agarrou nas folhas rasgadas. Talvez ainda tivesse arranjo.

 

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24
Out17

"Caneta na Mesa"

João Jesus e Luís Jesus

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 Entro na sala de aula.

Raios! A pior época da escola tinha acabado de começar!

Testes! Os tão mal vistos testes!

E eu que gosto até de ir para escola (menos para ter aulas de Matemática e Físico-Química), começo a detestá-la quando chegam os testes todos seguidinhos, sem nenhum espaço entre eles.

Primeiro: não gosto porque ao estarem todos "colados" uns aos outros, é díficil decidir para qual vou estudar, por isso opto sempre por aquele que vem primeiro;

Segundo: detesto saber as coisas em que errei depois da sair da sala de aula;

Terceiro: detesto ainda mais saber que em vez de ordenar alguma pergunta de 1 a 10, assinalei uma das opções.

Era o primeiro teste do período. Rezava para que tirasse boas notas para que a minha mãe não me desse um raspanete e me tirasse o computador.

Sentei-me na cadeira, a professora entrega os testes.

Pela primeira vista, até parece que me vou safar. Começo a fazer tudo muito bem, tudo muito completo. 

A campainha toca, entrego o teste, satisfeito com o meu trabalho.

Junto-me aos meus amigos e pergunto-lhes as respostas da pergunta x. 

Sinto-me como se estivesse a cair. Já tinha errado uma.

Grunho e rezo, para que tire uma boa nota para a minha mãe não me tirar o computador.

 

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14
Out17

"Risos"

João Jesus e Luís Jesus

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 Foi ontem que aconteceu.

Estávamos na aula de inglês, a primeira aula do dia. Normalmente, esta aula costuma ser uma das melhores. 

A professora é divertida, a matéria é interessante e até fácil e é uma das aulas em que me sinto mais à vontade.

Porém, naquela aula, a euforia de todos estava noutra coisa. Numa coisa estranha...

Nesse dia, todas as escolas do país, teríam de se colocar debaixo das mesas da sala de aula, como se estivessem num terramoto. Teríamos de fazer isso às dez e treze da manhã, quando a campainha soasse.

Todos colocaram os alarmes nos telemóveis e relógios. Não queríamos perder aquilo por nada! Bem, era apenas uma simulação, nada de mais, mas claro que todos gostam de desperdiçar um pouco da aula para algo que possa a vir ser divertido.

A aula decorreu normalmente, excepto que todos olhavam mais de duas vezes por minuto para o relógio. De dez em dez minutos alguém perguntava as horas.

Foi então que chegou a esperada hora. Todos os alarmes apitaram. Todos se colocaram à escuta da campainha, todos eufóricos.

Mas esta não soava e cada vez mais, todos ficavam impacientes. Não queríamos perder aquilo por nada!

De repente, a campainha soou. Aos risos, ouvimos a voz da professora, que nos podiamos colocar debaixo das mesas. 

Todos nos rimos, pois alguns colegas gritavam e diziam várias coisas engraçadas. No final, demos com todos às gargalhadas e aquele tempo que tinhamos de esperar passou a correr.

Quando nos levantamos, todos nos riamos. Até a professora não resistia às gargalhadas.

Sentamo-nos e a aula recomeçou. 

 

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07
Out17

"Tímido"

João Jesus e Luís Jesus

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 - E quem quer resumir o texto? 

Nenhuma mão se levantou. 

- Ninguém? - Perguntou a professora

Ele queria participar, mas tinha vergonha. 

Tinha medo do que os miúdos do fundo da sala iriam dizer dele. Tinha medo de que todos achassem que ele era um "graxa".

Não queria que lhe chamassem nomes...outra vez! Então, não levantou o braço, embora soubesse perfeitamente responder à questão.

A professora passou o olhar pela turma. De repente, olhou para ele, com um pequeno sorriso.

- Queres resumir? - Perguntou ela

Em pânico, disse que não. A professora parecia desapontada, então virou-se para outro aluno.

- Queres ser tu a fazer o resumo? - Perguntou ela ao outro aluno

- Claro! - Respondeu ele, convencido

O rapaz sentia-se alíviado, mas ao mesmo tempo, triste. Triste porque não podia mostrar o que realmente sabia.

E depois, tinha de ouvir sempre a mesma pessoa a falar, pois ele não tinha coragem de falar, para não ser gozado diante dos outros.

Mais uma vez, aborrecido, limitou-se a escutar.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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