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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

29
Mar18

"Pedras"

João Jesus e Luís Jesus

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Estavam lá desde sempre. Imortais. Vigilantes.

Não conseguiam falar. Apenas olhavam. Olhavam com os seus olhos fundos e sábios, de quem está na vida há muito, muito tempo. 

Estavam abandonadas. Ninguém lhes dá algum uso. Já viram gente a chegar ao mundo e gente a ir-se embora. Já viram catástrofes, já viram milagres, sempre no mesmo sítio, quietas.

Já provaram sangue das crianças descuidadas que caiam em cima de si. E depois ninguém limpava e ficava lá marcado durante dias, até a água lhes tocar.

Eram pedras. Pedras solitárias.

Nem elas próprias sabiam o que podiam fazer consigo mesmas. Apenas ficavam quietas, pois não conseguiam mexer-se. 

Falavam por pensamento umas com as outras, mas mesmo assim sentiam-se sozinhas.

Só que nesses momentos, todas tinham um truque. Olhavam com os seus olhos de binóculos para dentro das casas das pessoas que viviam perto de si. 

O que viam deixava-as feliz consigo mesmas. Já não se sentiam mais sozinhas, sentiam-se unidas umas com as outras, pois o que viam era gente agarrada a coisas estranhas que davam luzes e piscavam. Estavam sempre calados, sempre a olhar para as maquinetas. Pareciam pedras, mas não como elas.

Sorriam mentalmente umas para as outras e ficavam quietas como sempre. A olhar. Sozinhas mas acompanhadas.

 

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26
Ago17

"Companhia"

João Jesus e Luís Jesus

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 Ela tinha acabado de pousar o último guardanapo na mesa. Estava contente pelo seu trabalho.

A mesa enorme da sala estava decorada e muito bem posta. Demorara muito tempo, mas estava perfeita. 

Olhou para o relógio. Os convidados estavam a chegar. 

Ela correu para o espelho e ajeitou os cabelos. Queria que aquele jantar fosse bom e bonito. 

Correu para a porta da entrada e abriu-a. Estava contente. Finalmente ia ter companhia! Ia estar com a sua família.

Olhou novamente para o relógio. Já passava da hora combinada, mas os convidados atrasam-se sempre, então continuou a esperar, com esperança que aparecesse alguém.

A noite já chegava quando ela fechou a porta. Não iria chegar ninguém para jantar, ia estar sozinha.

Uma lágrima desceu pelo seu rosto. A sua família rejeitava-a sempre. Não iam às suas festas, não a convidavam para eventos familiares e raramente falavam com ela.

Tentou recompor-se e colocou de novo um sorriso na sua cara. Não iam estragar aquela noite.

Andou até ao quarto que tinha feito para as suas sobrinhas brincarem. Agarrou em algumas bonecas velhas, as mais bonitas que encontrara, e levou-as para a sala, colocando uma em cada cadeira.

- Bom apetite. - Disse ela para as bonecas, começando a sua refeição

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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