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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

21
Jan18

"Vem Ter Comigo"

João Jesus e Luís Jesus

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Espero que vejas isto que te escrevi.

Espero que faças o que te peço neste papel muito simples para ti, mas precioso para mim.

Quero que saibas que cada vez mais te tenho na minha cabeça. 

Quero estar contigo esta noite. Por isso vem ter comigo.

Vamos estar um com o outro. Podemos apenas falar um com o outro, conhecer-nos melhor. Quero saber mais sobre ti. Quero contar-te histórias engraçadas.

Quero abraçar-te Sentir os teus cabelos perto da minha cara e cheirar o seu cheiro divino. 

Vem ter comigo por favor, ou irei eu ao teu encontro. Vamos fugir juntos. 

Vamos tentar viver a vida à grande. Eu e tu, juntos a correr para um sítio aleatório. 

Por favor, vem mesmo ter comigo. Não aguento estar sem ti. Quero ver-te ao vivo e a cores.

Vem ter comigo e vamos descobrir o que é o amor.

 

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17
Jan18

"Cabelos Ao Vento" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Sempre gostaste da minha farta cabeleira, desde a adolescência. Eras louco, por ela. Os meus longos cabelos castanhos-claros, quase a passarem o ombro. Dava por mim nas aulas, onde partilhávamos uma das carteiras de frente para o quadro, a fixar o olhar em ti, distraído da matéria, de tudo o que a professora explicava e te rodeava, concentrado a passar os dedos por cada fio do meu cabelo, um dia até chegaste a cheirá-lo, dizias que cheirava ao perfume das rosas.

– Qual é o perfume das rosas? – Perguntei-te eu assim sem mais nem menos só para te desafiar, para te deixar em maus-lençóis, como eu gostava de me meter contigo.

– Não sei! – Respondeste tu muito tímido e envergonhado.

– Então como é que podes dizer que o aroma do meu cabelo é como o perfume das rosas, se não o conheces?

– Tu és a minha rosa e não preciso de conhecer o teu perfume para saber que é o melhor perfume que já existiu. Basta-me senti-lo.

Conseguias sempre deixar-me sem palavras. A professora chamava-te a atenção e tu alteravas a tua postura, mas minutos depois voltavas ao mesmo.

Para ti eu era a rosa de pétalas ao vento, como ficavas maravilhado e satisfeito a ver cada madeixa a esvoaçar no ar, leve e docemente como as asas de um pássaro, gostavas de me ver com a farta cabeleira solta.

O tempo foi passando, fomos crescendo e eu quis desfazer-me da farta cabeleira, estava na altura de mudar, mas tu nunca mais foste o mesmo. Para ti eu tinha deixado de ser quem era, nunca mais me olhaste da mesma forma. Afastamos-nos um do outro, deixamos de nos falar, os nossos caminhos descruzaram-se.

Agora, passados quase 10 anos desde que esta história aconteceu, voltei à farta cabeleira de que tanto gostavas, cansei-me do cabelo curto e sem graça, foi no parque da cidade onde passeava com a minha cara-metade que nos cruzamos. Hoje trazia o cabelo apanhado numa trança, mas apesar de tudo, não deixaste de sentir-lhe o mesmo cheiro de tempos passados. A mesma suavidade, leveza e doçura. Andavas por ali a vaguear sozinho, soube que nunca tinhas encontrado ninguém que preenchesse o vazio que o que sentias por mim tinha deixado. Cumprimentamos-nos, tu tocaste-me e na despedida sussurras-te:

– É bom ter-te de novo aqui!

Beijaste-me.

E desapareceu…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

10
Jan18

"Amor Erótico" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Há já alguns dias que tudo se repetia. Todas as noites J. tinha o mesmo sonho, um sonho persistente que o fazia acordar sistematicamente sobressaltado, ofegante e a transpirar. Já não conseguia regressar à cama e voltar a dormir, de boxers e roupão vestido, ia até à cozinha, enchia uma chávena de café bem quente e ficava horas na escuridão da sala, sentado no sofá sobre o vazio da noite. Nunca mais conseguia sossegar, aquele sonho, parecia persegui-lo.

Via e revia tudo tempos a fio. Tudo começava com um cenário todo branco, paredes brancas, sem nada, uma cama ao centro, um nevoeiro esfumado no ar que fazia com que não conseguisse vislumbrar mais pormenores. Do nada aparecia um vulto feminino, belo e esbelto, longos cabelos loiros, sorriso fácil e de lingerie branca. Lentamente ia-se aproximando dele, e num único movimento, puxava-o para si a partir do decote da camisa axadrezada que trazia vestida, para depois o empurrar bruscamente de encontro à cama e assim possuí-lo sofregamente noite dentro. E era assim que tudo começava.

Por entre beijos intensos e carícias, roupa que voava em direcção ao chão, a mão que acariciava cada fio de cabelo dela, que explorava o corpo dela. Os lábios carnudos dela, que lhe humedeciam a pele, as mãos suaves, doces e ternas que percorriam o seu corpo, lhe apertavam a pele e a carne e que o faziam gemer e contorcer-se de prazer, atingindo o clímax, num orgasmo fervilhante. Como adorava as curvas dela, percorrê-las, senti-las, os seios perfeitos, simétricos e quentes que faziam faísca na humidade e frescura dos seus lábios, no suor libertado pelo corpo dela, o ventre duro e macio, desalinhado como as dunas no deserto. A excitação no seu auge. Aquele amor despido, carnal, intenso, vivido no limite, a necessidade e saciedade de um corpo, de contacto físico.

De repente, ela levanta-se, deixando praticamente tudo a meio, ainda havia sensações, cheiros e aromas para explorar e descobrir, nua, sem mais nada que a protegesse, veste a camisa dele. Acena, atira-lhe um beijo e difunde-se na névoa.

J. acorda, e é assim que tudo termina todas as noites, sem mais nenhum detalhe a acrescentar, mas desta vez, tudo foi diferente. Encontra nas costas da cadeira a sua camisa, a camisa do sonho, e de repente sem nada que o fizesse prever… sente o cheiro dela.

Sorri, veste a camisa. E sai…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

03
Jan18

"A Part Of Me" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Todos vivemos na busca da pessoa que nos completa. Procuramos a outra metade do que somos no cerne de milhões de opções, até ao dia em que o tão esperado momento chega… E tu apareces. E tudo muda e a minha vida deixa automaticamente de ser a mesma porque estás aqui, porque fazes parte dela, porque existes.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. Sempre te procurei, não me perguntes como nem porquê, não te sei explicar isto por palavras. Só sei que sempre te procurei, e é só isso que importa acrescentar. Sempre soube que tu existias, sentindo-o. Quando finalmente te encontrei, fiquei desde logo com a forte sensação que tínhamos sido feitos um para o outro, procurava a pessoa que encaixava na perfeição no puzzle que eu sou, e finalmente tinha-a encontrado. Eras tu. Eras mesmo tu. Estávamos destinados. Um ao outro. A ficarmos juntos.

Como eu precisava de uma pessoa assim como tu. A junção perfeita. A felicidade na sua forma mais plena e pura, na sua forma mais simples e pequenina, pedaços felizes de nós.

Estava destinada a cruzar-me com o teu olhar todos os dias, estava destinada a ouvir o teu sorriso e a deixar-me perder. A ter o teu toque só para mim, assim em exclusivo, como se fosse uma preciosidade guardada dentro de um frasquinho, secretamente escondido na minha mesa-de-cabeceira, como se de um tesouro se tratasse. Que eu pudesse abrir quando quisesse e deixares-me envolver em ti.

O que mais me fascina em ti?

Seres parte de mim. Em tudo e para tudo. Acho que acabo de descobrir que o foste desde sempre, mesmo quando não te conhecia, fizeste sempre parte de mim e do meu mundinho. Algo me dizia que ia ser assim. És parte de mim nos sonhos, nas escolhas, nas conquistas, e nos objectivos e realizações. És parte de mim em cada fragmento de ti que me ofereces, todos os dias.

O que mais amo em ti?

Ora deixa cá ver… É difícil escolher, sabes?

Amo tudo. Mesmo tudo. Tu por inteiro. Principalmente aquilo em que me transformaste, como me mudaste, o que sou.

Seres parte de mim, é seres para sempre…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

20
Dez17

"Esperas por Mim..." - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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… Quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. Naquele momento não me apetecia falar, não queria dizer nada, mas ao mesmo tempo precisava de te dizer tudo, no entanto, não conseguia. Estava sem forças. Limitava-me a olhar para ti…ti…

Sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde iria chegar, já contávamos os dias. Para que chegasse o dia em que nada seria suficiente, um olhar não basta, um sorriso não chega, um abraço é minúsculo, um beijo não aquece e… Amo-te! Essa palavra tão cheia de significado, fica como que suspensa no vazio, como uma marioneta. Via-a escrita nos teus olhos, por trás dos óculos pretos que usas todos os dias, nunca gostei de tos ver, sempre te disse isso, mas tu insistias que os óculos eram um acessório que estavam na moda. Não contrario. Nas mãos que seguram as minhas e não me querem deixar ir.

Maldita saudade, essa coisa abstracta, sem corpo, que não sabe o que é amar alguém ou sentir a falta de alguém, que vive feliz na tristeza, na ausência e na solidão que nos obriga a deixar para trás quem mais gostamos. Que nos faz perder o chão daquilo que nos fazia sentir tão intactos na vida.

Será que Amo-te, vai continuar a fazer sentido? Claro que sim, vou amar-te sempre, para toda a vida e vou estar aqui à tua espera quando voltares dessa viagem, disseste tu. Parecias tão convicto do que dizias que os meus receios se dissiparam, sorri e voltei a sentir aquela segurança tipicamente tua.

De repente, olhas para mim, esse teu olhar fervilhante e intenso como fogo, sedento de mim, de contacto físico, do meu corpo, dos meus lábios. Esse sorriso rebelde, que me faz perder sempre a cabeça. Ainda me lembro da primeira vez que te vi sorrir assim, foi naquela noite de Feira Popular, em que nos conhecemos. Ias com os teus pais quando calhou chocarmos no meio da multidão, foi a primeira vez de muita coisa. Gosto do teu sorriso. Não te vais esquecer de sorrir assim para mim, quando eu voltar, pois não? Nunca percas esse teu sorriso, é a única coisa que te peço.

E olhas para o teu relógio de pulso. Ainda temos tempo, quero amar-te antes de partires, sussurraste-me ao ouvido à medida que me beijavas no pescoço.

Esperas por mim quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. E não disseste mesmo nada.

Olhaste para mim… E amaste-me como se não houvesse amanhã!

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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