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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

04
Abr18

"Gostar de Ti"- Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Gostar de ti é rever-me em ti e naquilo que somos. Acho que esta é uma boa definição de amor.

Gosto de ti como se gosta da chuva, das gotas que caem do céu num ritmo frenético mas continuo e nos humedecem a pele e nos lavam a alma. 

Gosto de ti como se gosta do Sol, do seu brilho, do calor que dele emana. Como aquele pôr-do-sol que pela sua intensidade me faz sempre pensar em ti.

Gosto de ti. Acho que sempre gostei de ti. Como da primeira vez, afinal de contas a primeira vez é sempre a que interessa, é um gostar diferente de tudo o resto. Um gostar com intensidade, com verdade, com emoções, com sentimentos, com sensações, com momentos e com pormenores, que jamais se esquecem, que são únicos e genuínos.

O grande pormenor da minha vida és tu. Aquele detalhe que gosto de guardar só para mim, que não gosto de partilhar com ninguém. Pode parecer egoísmo quando guardamos assim algo em segredo de toda a gente, mas faz parte. Termos algo só nosso para podermos desfrutar em silêncio.

Gosto mesmo de ti. Como no dia em que correste para mim e me abraçaste. Aquele abraço eterno e apertado que nunca soube explicar nem descrever, simplesmente ficou… E marcou.

Gosto de ti pelas primeiras palavras que me disseste. Ainda te lembras?

– Gostas de mim como eu gosto de ti?

E deste-me a mão e olhaste-me com esse teu olhar intenso e profundo, que parecia querer penetrar por mim adentro, sem palavras ou gestos. Não te soube responder logo, devido ao teu jeito de me deixares sempre sem palavras mas, sim gostava de ti como tu gostavas de mim e sabia que íamos gostar muito um do outro para sempre.

E gostamos mesmo.

Gostar de ti é apenas não te largar mais. 

Gostar de ti é exactamente como me disse um dia um jovem que comigo se cruzou na rua. 

– Gosta de alguém, não gosta?

Não respondi, limitei-me a olhar para ele. E ele continuou…

Eu vejo isso em si, sabe porquê?

Gostar muito de alguém é como sorrir para a vida. E poder tocar-lhe.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

28
Fev18

"Saber A Mar" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Cruzamo-nos, naquele dia, junto à marginal. Eu estava ali de férias com os meus amigos, depois de um ano intenso na faculdade, e ele trabalhava na praia como nadador-salvador. Íamos distraídos cada um perdido na sua vida e acabamos por chocar um com o outro, pedimos desculpa, um ao outro, e seguimos o nosso destino. Mas aquelas férias nunca mais iam ser as mesmas, parecia que me tinha sido indiferente, mas não tinha.

Os olhares que nós trocamos, a expressividade e o verde água dos seus olhos, nunca mais me deixaram sossegar, queria vê-lo outra vez, não o conhecia, não sabia o seu nome, se vivia ali ou se também estava só de passagem, mas precisava de o encontrar. Queria saber mais sobre ele, apesar do mundo de incertezas em que estava rodeada.

Voltei à praia… sozinha. Inventei uma desculpa bem esfarrapada e deixei o resto do grupo a curtir uma bela tarde de mergulhos na piscina, só para o procurar. Estendi a toalha no areal, pus os óculos-de-sol e deixei-me ficar sentada perdida nas ondas do mar, no ciclo vicioso que era o mar a enrolar na areia. A praia estava cheia, não havia um espacinho livre para mais uma toalha, a areia estava a escaldar, o calor do sol apertava bruscamente, estava mesmo a apetecer-me um mergulho. Larguei tudo e desatei a correr para o mar, até que…

– Olá! Por aqui?

Era tudo aquilo que eu mais desejava, não precisei de o procurar, veio ele ao meu encontro. Apresentamo-nos, fiquei a saber que se chamava Luís Miguel, que tinha 29 anos e que todos os verões trabalhava naquela praia como nadador-salvador, para conseguir mais algum dinheiro. Ficamos ali sentados à beira-mar com as ondas a tocarem a pele, a conversar, falamos de filmes, de música, de leituras, da paixão pela praia e pelo bodyboard.

Seguiram-se dias inesquecíveis, o Luís conheceu os meus amigos e formamos um grupo, durante o dia estávamos sempre juntos na praia e depois de ele acabar o seu turno, a noite era nossa, todos os dias nos levou a um sítio diferente. Dei por mim a vê-lo perguntar-me quanto tempo iríamos ficar ali. Meu Deus!!!

Infelizmente faltavam pouco mais de 4 dias para o nosso regresso, e o Luís era tão porreiro, começamos a gostar um do outro assim do nada. Sabia que era um amor praticamente impossível porque iríamos acabar por ter que nos separar e íamos ficar longe um do outro, e não há amor que resulte à distância, provavelmente nunca mais nos iríamos ver. Mas quisemos arriscar, e passamos os últimos dias sempre juntos a namorar, eu gostava tanto dele, que já sentia uma bola no estômago só de pensar que teria que o deixar.

Na véspera do meu regresso, passamos a noite juntos na praia e envolvemo-nos, foi talvez uma das noites mais belas da minha vida, fomos um só. O Luís ofereceu-me um presente magnífico, disse-me que era para que nunca mais o esquecesse, como se eu o conseguisse esquecer, eu sabia que jamais o iria esquecer, um colar com um coração esculpido numa concha do mar que dizia: Para a Raquel com amor. É o meu amuleto da sorte, anda sempre comigo.

Regressei à minha vida, à faculdade. Uma semana depois o Luís fez-me uma surpresa e veio visitar-me, não me podia ter sentido mais feliz, já não estava a conseguir suportar as saudades que tinha dele.

Afinal de contas… Saber amar (só) é saber deixar alguém te amar.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

24
Fev18

"Algo Único"

João Jesus e Luís Jesus

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Sei que já estás farta de me ouvir dizer sempre o mesmo.

Mas preciso de repetir outra vez e outra vez, até ficar gravado na tua e na minha mente. 

És algo único! Uma pessoa diferente das outras. Tens algo em ti que eu nunca vi em mais ninguém. Tens a tua essência, a tua "úniqueza" se é que me entendes.

E é por isso que gosto tanto de ti! Por causa das tuas coisas que te fazem única. 

Dos teus pensamentos, da tua personalidade, do teu modo de ser, de sorrir... És única em tudo! És unicamente única.

E é por isso que tenho a certeza que te amo. Que não quero mais ninguém. Porque tu és diferente de todas as outras pessoas. Porque mudaste todas as minhas expectativas. Porque mudaste a minha forma de ver alguém.

Agora quero apenas dar-te a mão, ficar contigo para sempre. Quero fazer com que sejas sempre assim: bela e única. Quero que vivas comigo. Quero que fiques comigo. Quero que me ames.

Quero ser único contigo da mesma forma que és única comigo. 

Amo-te e não sei dizer mais nada. Amo-te de uma maneira única.

 

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20
Dez17

"Esperas por Mim..." - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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… Quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. Naquele momento não me apetecia falar, não queria dizer nada, mas ao mesmo tempo precisava de te dizer tudo, no entanto, não conseguia. Estava sem forças. Limitava-me a olhar para ti…ti…

Sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde iria chegar, já contávamos os dias. Para que chegasse o dia em que nada seria suficiente, um olhar não basta, um sorriso não chega, um abraço é minúsculo, um beijo não aquece e… Amo-te! Essa palavra tão cheia de significado, fica como que suspensa no vazio, como uma marioneta. Via-a escrita nos teus olhos, por trás dos óculos pretos que usas todos os dias, nunca gostei de tos ver, sempre te disse isso, mas tu insistias que os óculos eram um acessório que estavam na moda. Não contrario. Nas mãos que seguram as minhas e não me querem deixar ir.

Maldita saudade, essa coisa abstracta, sem corpo, que não sabe o que é amar alguém ou sentir a falta de alguém, que vive feliz na tristeza, na ausência e na solidão que nos obriga a deixar para trás quem mais gostamos. Que nos faz perder o chão daquilo que nos fazia sentir tão intactos na vida.

Será que Amo-te, vai continuar a fazer sentido? Claro que sim, vou amar-te sempre, para toda a vida e vou estar aqui à tua espera quando voltares dessa viagem, disseste tu. Parecias tão convicto do que dizias que os meus receios se dissiparam, sorri e voltei a sentir aquela segurança tipicamente tua.

De repente, olhas para mim, esse teu olhar fervilhante e intenso como fogo, sedento de mim, de contacto físico, do meu corpo, dos meus lábios. Esse sorriso rebelde, que me faz perder sempre a cabeça. Ainda me lembro da primeira vez que te vi sorrir assim, foi naquela noite de Feira Popular, em que nos conhecemos. Ias com os teus pais quando calhou chocarmos no meio da multidão, foi a primeira vez de muita coisa. Gosto do teu sorriso. Não te vais esquecer de sorrir assim para mim, quando eu voltar, pois não? Nunca percas esse teu sorriso, é a única coisa que te peço.

E olhas para o teu relógio de pulso. Ainda temos tempo, quero amar-te antes de partires, sussurraste-me ao ouvido à medida que me beijavas no pescoço.

Esperas por mim quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. E não disseste mesmo nada.

Olhaste para mim… E amaste-me como se não houvesse amanhã!

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

13
Dez17

"Gestos de Amor" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 Amo-te. Sim, A-M-O-T-E. Soletrando devagar o que sinto.

É só isso que hoje me apetece escrever, sussurrar ao teu ouvido, descrevê-lo no teu corpo. Sobre o qual me apetece pensar, no sentido que essa palavra tem, na forma que apresenta, as curvas que tem, a loucura que desencadeia na minha vida quando te toco, quando me envolvo em ti e te percorro.

O que é afinal o amor? Tu sabes o que é?

Então faz um esboço para mim, tenta desenhá-lo em mim.

O amor é um pedaço. Um fragmento do nosso ser. Todos temos um pedaço de nós escondido algures numa recôndita parte daquilo que somos, da nossa existência. É aquele pedaço de nós, que diz o que pensa e que faz o que não deve, sem fazer nem dizer nada em concreto, intervém de mansinho sem ser solicitado e mesmo sendo tão pequenino e tantas vezes frágil e sensível consegue ser forte o suficiente para mexer com tudo. É o centro de todas as emoções, memórias e recordações e sente tudo o que nós sentimos e nem faz por disfarçar. Demonstra-o bem. Faz-nos marcar a diferença por expressarmos tudo de uma forma tão única. Este é o pedaço de mim que partilho contigo, é o pedaço de nós que deixas em mim, que reforças em mim. Que cuida sempre de mim. Que te dou. Seres parte de mim. Ai… O amor. O amor é amar. Amar-te. E amar, essa forma por vezes ingrata de viver, é uma dor de alma. Amar é estar contigo. É estar longe de ti e mesmo assim continuar a amar-te como sempre. É esperar-te. Desesperar-te. Contar contigo e tu não dizeres nada. Procurar-te. Ver através do silêncio e do vazio. Amar-te, por vezes, é como uma folha de papel em branco, suave e leve como uma pena, doce de maresia. Inconstante. Incerto. Permanente. Para sempre. Amar-te, é só um pedaço de nós, uma palavra. E nessa palavra, onde estou eu, cabes só tu.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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