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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

20
Dez17

"Esperas por Mim..." - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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… Quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. Naquele momento não me apetecia falar, não queria dizer nada, mas ao mesmo tempo precisava de te dizer tudo, no entanto, não conseguia. Estava sem forças. Limitava-me a olhar para ti…ti…

Sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde iria chegar, já contávamos os dias. Para que chegasse o dia em que nada seria suficiente, um olhar não basta, um sorriso não chega, um abraço é minúsculo, um beijo não aquece e… Amo-te! Essa palavra tão cheia de significado, fica como que suspensa no vazio, como uma marioneta. Via-a escrita nos teus olhos, por trás dos óculos pretos que usas todos os dias, nunca gostei de tos ver, sempre te disse isso, mas tu insistias que os óculos eram um acessório que estavam na moda. Não contrario. Nas mãos que seguram as minhas e não me querem deixar ir.

Maldita saudade, essa coisa abstracta, sem corpo, que não sabe o que é amar alguém ou sentir a falta de alguém, que vive feliz na tristeza, na ausência e na solidão que nos obriga a deixar para trás quem mais gostamos. Que nos faz perder o chão daquilo que nos fazia sentir tão intactos na vida.

Será que Amo-te, vai continuar a fazer sentido? Claro que sim, vou amar-te sempre, para toda a vida e vou estar aqui à tua espera quando voltares dessa viagem, disseste tu. Parecias tão convicto do que dizias que os meus receios se dissiparam, sorri e voltei a sentir aquela segurança tipicamente tua.

De repente, olhas para mim, esse teu olhar fervilhante e intenso como fogo, sedento de mim, de contacto físico, do meu corpo, dos meus lábios. Esse sorriso rebelde, que me faz perder sempre a cabeça. Ainda me lembro da primeira vez que te vi sorrir assim, foi naquela noite de Feira Popular, em que nos conhecemos. Ias com os teus pais quando calhou chocarmos no meio da multidão, foi a primeira vez de muita coisa. Gosto do teu sorriso. Não te vais esquecer de sorrir assim para mim, quando eu voltar, pois não? Nunca percas esse teu sorriso, é a única coisa que te peço.

E olhas para o teu relógio de pulso. Ainda temos tempo, quero amar-te antes de partires, sussurraste-me ao ouvido à medida que me beijavas no pescoço.

Esperas por mim quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. E não disseste mesmo nada.

Olhaste para mim… E amaste-me como se não houvesse amanhã!

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

13
Dez17

"Gestos de Amor" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 Amo-te. Sim, A-M-O-T-E. Soletrando devagar o que sinto.

É só isso que hoje me apetece escrever, sussurrar ao teu ouvido, descrevê-lo no teu corpo. Sobre o qual me apetece pensar, no sentido que essa palavra tem, na forma que apresenta, as curvas que tem, a loucura que desencadeia na minha vida quando te toco, quando me envolvo em ti e te percorro.

O que é afinal o amor? Tu sabes o que é?

Então faz um esboço para mim, tenta desenhá-lo em mim.

O amor é um pedaço. Um fragmento do nosso ser. Todos temos um pedaço de nós escondido algures numa recôndita parte daquilo que somos, da nossa existência. É aquele pedaço de nós, que diz o que pensa e que faz o que não deve, sem fazer nem dizer nada em concreto, intervém de mansinho sem ser solicitado e mesmo sendo tão pequenino e tantas vezes frágil e sensível consegue ser forte o suficiente para mexer com tudo. É o centro de todas as emoções, memórias e recordações e sente tudo o que nós sentimos e nem faz por disfarçar. Demonstra-o bem. Faz-nos marcar a diferença por expressarmos tudo de uma forma tão única. Este é o pedaço de mim que partilho contigo, é o pedaço de nós que deixas em mim, que reforças em mim. Que cuida sempre de mim. Que te dou. Seres parte de mim. Ai… O amor. O amor é amar. Amar-te. E amar, essa forma por vezes ingrata de viver, é uma dor de alma. Amar é estar contigo. É estar longe de ti e mesmo assim continuar a amar-te como sempre. É esperar-te. Desesperar-te. Contar contigo e tu não dizeres nada. Procurar-te. Ver através do silêncio e do vazio. Amar-te, por vezes, é como uma folha de papel em branco, suave e leve como uma pena, doce de maresia. Inconstante. Incerto. Permanente. Para sempre. Amar-te, é só um pedaço de nós, uma palavra. E nessa palavra, onde estou eu, cabes só tu.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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