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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

18
Abr18

"Quando Tudo Se Conjuga" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Eu estava ali. Com os nervos à flor da pele, sentada na mesa do canto, escondida para que não me visses. Para que nada nosso se reencontrasse, nem um simples olhar.

Os compassos do meu coração como passos de gigante; o desassossego.

E de repente surges inexplicavelmente do nada, passas por mim e sorris com a simplicidade desenhada no olhar e a humildade como contorno dos teus lábios. Desviei o olhar e senti-me a corar, tu sabes sempre como captar a minha atenção, como cativar, como me conquistar.

Já estás farto de saber que adoro o teu sorriso, que me apaixona e que me rendo sempre.
Fiquei a ouvir-te contar histórias com esse sotaque e essa simpatia e dedicação pelas pessoas que tanto te caracteriza e que já sei de cor.

A emoção, a levar a melhor sobre ti, os teus olhos verdes, cor de azeitona, a destacarem-se e a revelarem-te. Sempre a seres tu mesmo. Ris-te e fizeste rir, comoveste-te e emocionas-te. Deste muito de ti.

E no fim estive para ir embora, mas depois não tive coragem e voltei para trás. Estava na hora do reencontro.

Uma troca de olhares, um sorriso, um toque, um cumprimento. A sensação de não saber o que dizer, apesar de te conhecer como a palma da mão. De ter feito parte de ti numa outra fase das nossas vidas.

E conversamos olhos nos olhos.

Procurei-me em ti!

Parte de mim, em ti!

Parte de ti, em mim!

Parte de nós… Para sempre!

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

14
Jan18

"Risadas"

João Jesus e Luís Jesus

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Bruno entrou na sala pequena e mal iluminada.

Sabia o que ia acontecer. Era inevitável.

Aproximou-se da cama perto da janela, que tinha a persiana corrida. Lá estava o seu tio, a pessoa que ele mais gostava. 

- Oh, meu Bruninho. - Suspirou ele mal o viu

Bruno sorriu, embora sentisse algo estranho dentro de si, como uma serpente a mexer-se. Sabia que iria começar a chorar em breve.

- Olá, tio Miguel. - Disse

O tio deu uma pequena gargalhada. 

- Pensava que já não irias ver o teu velho tio antes de morrer. - Disse ele

Bruno sentiu o coração a apertar-se. Tinha de se controlar, ou iria chorar mesmo à frente do tio.

- Não pense nisso. Eu iria vir de qualquer das maneiras. - Sussurrou ele e sentou-se perto do tio

O tio tinha lágrimas nos olhos.

- Tenho muito orgulho em ti, Bruninho. - Revelou

Bruno apertou a mão do tio.

- E eu gosto muito de si, tio. - Disse-lhe - Nunca se esqueça de mim, esteja onde estiver, ok?

As lágrimas ameaçavam sair.

- Prometo que não me esqueço. - Combinou - Mas acho melhor contares-me alguma piada, daquelas melhores que tu sabes, para eu nunca me esquecer dos melhores momentos contigo.

Bruno não estava com cabeça para aquilo. Mas era o seu tio, era o seu último pedido, tinha de o cumprir.

- Estou a pensar numa tio... - Informou

- Demora o tempo que precisares, meu filho.

O tio apertou-lhe mais a mão. Não queria despedir-se do seu sobrinho, o filho que ele nunca teve.

Bruno lembrou-se da piada e contou-a ao tio devagarinho, tim-tim por tim-tim. 

Muito rapidamente o tio se começou a rir. Riu-se como Bruno nunca o ouvira. Continuavam de mãos dadas enquanto os dois se riam.

Bruno notou numa lágrima que deslizava pelo rosto do tio. Ia ter saudades dele.

O tio começou a parar de se rir e a fechar os olhos. Bruno não o impediu, sabia que a hora tinha chegado.

O tio fechou os olhos, a lágrima caiu para os lençóis da cama e ele nunca mais proferiu nada. Tinha acontecido.

Bruno levantou-se, sem largar a mão do tio e beijou-lhe a cabeça. 

 

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29
Set17

"Malmequeres"

João Jesus e Luís Jesus

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Subiu a colina e olhou para o horizonte.

Iria chover em breve. Tinha de se apressar. 

Em cima daquela colina, havia a coisa mais importante para ela. 

Um campo. Um campo cheio de malmequeres amarelos, líndissimos. Mas não era só essa a razão de ela gostar tanto daquele campo.

Ali, morava a sua melhor amiga. Chamava-lhe Inês. Era um nome bonito.

Correu para o meio do campo. Tinha de ser uma visita rápida, pois ia chover.

Ela podia ter ido visitá-la mais cedo, mas não tinha tempo. Agora nunca tinha tempo, por causa da escola.

Ela detestava a escola! Chamavam-lhe nomes feios que a faziam chorar. Diziam que ela vivia no mundo dela. Que era tótó.

A sua melhor companhia, era a Inês, pois ela compreendia-a.

Entrou no campo de malmequeres e passou a mão por alguns. Gostava de sentir os aromas do campo e de tocar na natureza.

 De repente, viu os cabelos ruivos de Inês escondidos entre as flores. Ela parecia estar sentada. A chorar.

Devagar, aproximou-se dela.

- Inês? - Sussurrou ela

A Inês virou-se para ela. Estava pálida, magra e parecia muito infeliz.

- Que se passa? - Perguntou ela, sentando-se perto dela

Inês continuou a chorar.

- Porquê é que não vieste visitar-me? Pensava que éramos amigas. - Chorou ela

- Mas eu vim-te visitar hoje! - Desculpou-se ela, colocando a mão no ombro dela

- Sabes que mesmo que venhas todos os dias, eu vou ter saudades tuas. E tu já não vinhas cá cima há muito tempo! - Disse ela apenas um pouco mais animada

- Estou muito ocupada com a escola, agora. - Revelou ela

- Eu percebo, Margarida. - Sorriu ela, levemente

Margarida sorriu e abraçaram-se. 

- Tinha tantas saudades tuas. - Disse Inês

- E eu tuas. - Arrancou um malmequer

 

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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