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Letras Aventureiras

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

24
Mai16

"Olhos, orelhas e bigodes"

João Jesus e Luís Jesus

Era um dia de sol, mas não estava calor. Corri até aos arbustos onde ela andava sempre. E lá vi: um, dois e três gatinhos. A pequena mamã estava cansada com a noite anterior, mas conseguia ver a alegria nos seus olhos. Mas infelizmente, jazia na terra um quarto gatinho, que não sobreviveu.DSC01292

Rapidamente os três irmãos cresceram, lindos e animados, faziam a cabeça em água a todos que os acariciavam. Dei-lhes nomes: ao primeiro gato chamei-lhe Tom, ao segundo, que era gata, chamei-lhe Kitty, por ser muito fofinha, e à última, que também era uma gata, chamei-lhe Pequenina, devido ao seu tamanho. Os dois primeiros eram muito animados, mas a Pequenina não gostava de ser o centro das atenções. Escapulia-se por entre as pernas das pessoas e quem a enervasse era garantido um arranhão no braço. Sinceramente, não gostava muito dela nessa altura.

Certo dia, encontrei a mamã gata a miar muito alto. Corri para ver o que acontecera. Faltava no ninho o pequeno Tom. Procurei-o por todos os lados, mas em vão. Ele não estava ali. Até que vi num campo perto de minha casa, um cão amarelo muito feio a brincar com algo. Corri até lá e encontrei-o já sem vida, estendido no chão. Dei um grito de tristeza e chorei. Fiz-lhe um funeral rápido e enterrei-o no meu quintal. Voltei para casa e então reforcei a proteção às duas fêmeas restantes.

No fim da tarde, ouvi barulho lá fora e uma das gatinhas deu um grito. Fui ver o que se passava e só restava a manhosa Pequenina. Corri para o campo outra vez e encontrei o cão a morder a gata. Nos seus últimos segundos, a gata virou-se para mim e miou quase sem voz. Agarrei nela e tentei molhá-la, para ver se ela podia voltar. Mas nada! Outro enterro. E só sobrava a pobre Pequenina. A mãe gata e a filha estavam tristes.

Passados uns meses, a Pequenina estava crescida e esbelta. Mas continuava mazinha. Eu continuava a prestar mais atenção à mãe dela do que à jovem gata. Até que num dia chuvoso, a mãe gata não apareceu para nos cumprimentar, nem para comer, nem para nada. Quatro dias passaram e a gata não voltava. A Pequenina não aguentava tanto sofrimento, então começou a tratar a minha cadela, a Nina, como sua mãe adotiva. Até a Nina se convencia que a gata era sua filha. A cadela ganhou leite (não sei como, mas ganhou) e amamentava a gata, que mesmo crescida continuava a mamar. Até que num dia, ia para a escola e vi a mãe gata morta em cima de uma pedra.

Tentei não chorar, mas era impossível, porque ela era muito querida. Então, percebi que a única gata restante, precisava de mais amor do que eu pensava.

Até aos dias de hoje, a Pequenina ainda vive comigo e eu adoro-a. Também já foi e é mamã, e é uma das melhores que eu já conheci. Adoro-a muito e espero que ela não me deixe. Porque adoro os seus olhos, orelhas, bigodes e o seu pêlo. Adoro tudo nela.

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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