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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

23
Ago17

"O Silêncio da Alma" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 É quando me olhas com esse olhar: solar, profundo e indecifrável, como se te alimentasses da luz que há em mim, que a minha alma se silencia e o coração se agita. Uma inexplicável contradição, teres a acalmia e o desassossego em ti.


É quando me presenteias com esse sorriso vasto, leve e apaziguador de todas as inconstâncias do mundo que – sem querer – me ofereces o mundo inteiro. O infinito. O horizonte marítimo.

Amar é isso mesmo: silenciar, deixarmo-nos levar e ficarmos sem palavras para dizer. Deixarmos o coração sem nada saber.

É quando a tua pele incendeia a minha, pelas chamas do toque dos teus dedos que tudo fica mais certo a cada quilómetro percorrido na minha pele.

É quando pegas nas minhas mãos e me puxas na tua direcção, na direcção do calor dos teus braços, de encontro ao teu peito que percebo o verdadeiro sentido do Amor. De repente, fazes com que tudo faça ainda mais sentido. A tua presença é o que dá mais sentido à minha vida. Depois acaricias o meu rosto e fazes uma curta pausa nos meus lábios, como se fosse um caminho inesperadamente interrompido, tal e qual como uma curta pausa para café. Degustas-me com um beijo lento, doce e prolongado. Saboreias; de seguida, sem tempo, consomes-me sem fôlego. Amar também é uma troca de sabores e a alma encolhe-se perante tal dimensão e o coração estende-se e redimensiona-se como se fosse elástico.

Aproximas a tua boca do meu ouvido e sussurras pensamentos e desejos:

– Preciso que sejas só minha! Prende-me a ti, para sempre!

Há um prazer mútuo desejável e desejos profundos que necessitam brevemente de serem alimentados. É nesse preciso e exacto momento que se espera que tudo se troque e tudo se dê. Eu dou-te mais amor e tu completa-lo com o resto que falta. No sofá da tua casa ou na minha cama, o Amor sabe adaptar-se às circunstâncias da vida. Não é esquisito, é camaleónico. É nesse momento que me balanço delicadamente sob a colcha de algodão, depois tu sobrepões-te sobre mim e a dança começa: as minhas mãos desaparecem por debaixo da t-shirt, até ela voar em voo picado. Por sua vez as tuas mãos colam-se ao botão dos meus calções e fazem-nos descer sem piedade.
E ali ficamos noite dentro, dias a fio, com a alma num silêncio sentido que fala. E o coração num alvoroço gritante, sempre com sede de mais.

No Amor há sempre um silêncio impenetrável na alma que deixa sempre tudo à flor pele.

E tudo termina por entre cansaços loucos, olhas para mim. Procuro-me em ti e no silêncio da madrugada sussurramos:

– Ama-me para sempre. Que a tua presença nunca se afaste da minha silhueta.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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