Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

26
Jun17

O Fim - "Aquele Dia de Inverno"

João Jesus e Luís Jesus
novela

O rapaz tenta levantar-se, mas consigo empurrá-lo de volta à cadeira.
- Vamos começar com um pequeno interrogatório, ok? - Digo-lhe com raiva
Ele fica nervoso.
- O que estavas no restaurante no dia de casamento? Não me lembro de que te tenhamos convidado! - Ameaço-o
Ele olha em volta.
- Eu não fiz nada! Eu juro! - Grita ele
- Fala baixo. - Digo com uma pancada - Eu quero a verdade, apenas a verdade!
- Eu não posso dizer nada, ele disse que me matava. - Sussurra ele
Fico estática. Estará a falar do Philiph? 
- Foi o Philiph que te disse isso? - Pergunto curiosa
- Claro que não. - Ri-se ele - Ele está bem morto!
Dou-lhe um estalo bem forte na cara.
- Quem foi? - Pergunto entre dentes
- Não...posso...dizer nada! Ele ameaçou que me ia matar se eu e a outra disséssemos alguma coisa sobre aquela noite. - Diz ele com medo
- Acho que não estás a perceber bem. - Digo-lhe
Agarro pelo casaco e puxo-o até lá fora. Encosto-o a uma esquina onde ninguém nos vê.
- Eu não te perguntei se querias contar-me quem disse isso, eu estou a obrigar-te! - Grito-lhe
Ele começa a abanar-se.
- Eu não quero morrer. - Diz ele - Não quero mesmo. Ele é muito poderoso, ele tem contactos em todo o lado!
- Se me contares, eu peço-te que fiques com o detetive Forbes. Estás em segurança com ele. - Digo
Ele olha de novo em volta.
- É o velho! Ele queria ajustar contas com ele. - Diz ele o mais baixo que pode - O pai dele matou-o, eu apenas o encobri e coloquei uma droga que ele me deu, na comida do teu marido, para o atrair-mos para fora do restaurante.
A minha boca seca completamente. Nunca suspeitei dos pais do Philiph. Eles... bem, eles pareciam boas pessoas.
- Hum, e o que é que a minha irmã Courtney estava a fazer com aquela corda na mão? - Pergunto vagarosamente
- Ela estava apenas no lugar errado à hora errada. Ele viu o senhor Forbes a estrangular o Philiph, então ele ameaçou-a a esconder a arma do crime ou matava-te. - Revelou ele, ainda mais baixo
Fui uma estúpida! Como desconfiei da Courtney, ela é minha irmã! Fez tudo para me proteger.
- Onde é que ela escondeu a corda? - Pergunto
- Num tronco oco de árvore no restaurante. - Diz ele - Por favor, agora deixa-me ir para a esquadra!
- Podes ir. - Digo
Ele corre para dentro da esquadra.
Caio no chão. O pai matou o seu único filho, incriminou a Courtney e o rapaz ruivo. Foi tudo muito bem pensado!
Lembro-me do Philiph a sair porque se sentia indisposto, isso fora por causa da droga que meteram na comida. Eles devem tê-lo atraído pelo telemóvel, pois lembro-me que ele esteve o jantar todo no telemóvel.
Levanto-me e decido que tenho de ir buscar a corda ao restaurante. Apanho um táxi e dirijo-me para o restaurante, onde tudo  aconteceu.
Mal chego, vejo a tal árvore. Corro para ela e vejo que a corda está lá. Apanho-a e vejo o sangue seco do Philiph. 
Preparo-me para sair, quando oiço passos.
- Menina Alexis. - Diz Mr. Mika
- Olá. - Digo, escondendo a corda atrás das costas
- Não precisa esconder isso, fui eu que lhe dei a pista da Courtney, na cabine das câmaras. Sabe, aquele vídeo... - Diz ele misteriosamente
- Como? - Pergunto-lhe
- O seu telemóvel caiu e eu apanhei-o, e depois enviei-lhe o vídeo, deixando-o aberto para você ver depois. - Diz ele - Por isso, eu tentei ajudá-la e já vi que conseguiu perceber quem matou o Philiph.
- Obrigada! - Digo-lhe - Tenho de ir.
Corro de volta para o táxi, mas desta vez vou para um sítio diferente.
O táxi para em frente da mansão enorme. O carro dele está estacionado cá fora, ele está em casa.
Pago o táxi e saio. Coloco a corda na mala.
Bato à porta e rapidamente esta é aberta por uma empregada.
- Olá menina Alexis. - Diz ela - Em que posso ajudar?
- Queria falar com o senhor Forbes, por favor. - Digo
- Claro, ele está na sala, pode entrar. - Diz ela
Entro na mansão e vou para a sala, aquele sítio que conheço bem.
Ele está sentado numa poltrona com a perna cruzada, a ler o jornal de economia.
- Oh, olá Alexis. - Diz ele, levantando-se - Em que posso ajudar?
Continuo calada e aproximo-me dele.
- Como teve coragem? - Digo-lhe entre lágrimas
- Desculpa? 
Empurro-o para a poltrona.
- Como conseguiu matar o seu único filho no dia de casamento? - Grito
Ele olha seriamente para mim.
- Mas querida, eu não fiz nada disso, eu era incapaz...
- Cale-se! - Grito ainda mais alto - É tudo mentira! Eu sei bem que foi você. Foi você que mandou o rapaz ruivo deitar droga na comida do Philiph e o atrair lá para fora. Foi você que o estrangulou com esta corda. 
Mostro-lhe a corda ensanguentada. Ele fica branco como o cal.
- Também sei que mandou a minha irmã ficar calada e esconder tudo. - Digo cheia de raiva
De repente, ele levanta uma arma.
- És muito espertinha! Está quieta. - Diz ele
- Porque é que o matou? - Pergunto
Ele ri-se.
- Teve de ser. Ele sabia muitos segredos meus. - Diz ele - Agora vou ter de te matar também. 
A empregada aparece na porta da sala e grita. O senhor Forbes olha para ela e eu salto-lhe por cima.
A arma cai no chão e eu começo a bater-lhe. Ele tenta levantar-se e quase apanha a arma, até que eu lhe coloco a corda no pescoço e o puxo para mim.
Ele cai no chão outra vez e eu começo a apertar cada vez mais a corda. Ele começa a fica roxo.
- Não, menina Alexis! - Grita a empregada aterrorizada
O senhor Forbes começa a ficar mais calmo e roxo. Não largo a corda.
- Menina Alexis! - Grita outra vez a empregada
De repente, o senhor Forbes revira os olhos e os seus braços caem no chão. Está morto.
 
5 ANOS DEPOIS

A porta da cela abre-se com um rangido. É o Nate!
- Nate! - Digo, atirando-me para os braços dele
Ele abraça-me.
- Então miúda? - Diz ele
- Tinha tantas saudades tuas. - Digo com lágrimas nos olhos
- Eu estive aqui ontem Alexis. - Ri-se ele
Abraço-o com mais força.
- Mesmo assim, tenho saudades tuas. - Declaro - Quando posso sair daqui? Já te disseram? Disseste que hoje te diziam alguma coisa!
Ele larga-me e eu sento-me na cama desconfortável da minha cela.
- Bem, eu falei com eles ontem. - Diz ele olhando seriamente para mim
- E? - Pergunto ansiosa
Oiço passos perto da porta da cela.
- Alexis! - Grita a Courtney
Ela abraça-me e eu fico surpreendida. Ela nunca me veio visitar e está tão diferente!
- Courtney. - Sussurro - Tu nunca me vieste visitar.
- Ela não tinha permissão para isso, por ser uma das suspeitas daquilo que tu sabes. - Diz o Nate
- Então porque é que viste hoje? - Pergunto-lhe
Ela olha para mim e tem uma lágrima a passar-lhe pela cara.
- Alexis, estás livre. Eles libertam-te hoje! - Diz ela eufórica, voltando a abraçar-me
Sinto-me feliz. Abraço-a com mais força.
- Estou livre. - Digo - Nate, eu estou livre!
Beijo-o e ele olha para mim com um sorriso.
- Vamos. Temos de ir embora daqui. - Diz a Courtney ainda mais sorridente
Ela dá-me a mão e saio da cela. 
Saio da ala das celas e vejo uma janela. Corro para ela e reparo numa coisa. Está a nevar.
 
Calor
 
 

6 comentários

Comentar post

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL

Ranking