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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

02
Nov16

“O Amor tem que continuar” - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus
Amor

Tínhamos tudo para sermos felizes. Acreditávamos que a nossa história era uma daquelas histórias que termina com a deixa do costume: “(…) e foram felizes para sempre”; tinha havido – desde o início – uma química entre nós que fez rapidamente com que os nosso olhares se cruzassem como se não houvesse amanhã.

Sentimos desde  logo que éramos almas gémeas, que o que sentíamos um pelo outro era mútuo e verdadeiro, lembro-me de ver sentimentos e vontades nos teus olhos, nos teus gestos, nas tuas palavras. Na forma como me olhavas, como me  tocavas e como me desejavas na tua vida.

Lembro-me daquela tarde de Verão: quente e abrasador, quando nos conhecemos, do abraço que trocamos: intenso e intemporal, como que o mundo tivesse parado e se tivesse rendido aos nossos pés. Senti emoção no teu olhar, senti a humidade da tua pele. E divagamos sem tempo e sem destino, eternos.

Conversamos horas a fio, fizemos juras de amor eterno, promessas para a toda a vida, dissipamos dúvidas e dificuldades e  parecia que tínhamos a vida toda pela frente e que esta se nos oferecia sem querer nada em troca.

E vivemos dias infinitos e semanas incertas, recheadas de aventuras e de loucuras, de amor e entrega plenas. Acreditava ter encontrado um amor para toda a vida, alguém que finalmente tinha capacidade para se entregar à minha maneira de estar e ser e de olhar tudo aquilo que me rodeia.

Mas… Num ápice, aquele conto de fadas que vivíamos juntos, começou a desvanecer-se. Tu começaste a afastar-te e tudo o resto foi diminuindo. Começamos a ver-nos menos, a compreender-nos menos, a falar menos, a conviver menos, até que o que sentíamos um pelo outro acabou por morrer como o esvoaçar de uma borboleta, pautado por mais discussões que gestos de amor, carinho e ternura. De repente, aquilo que nos unia deixou de fazer sentido, de ser sentido como era dantes, já nos amávamos, já não via amor nos teus olhos, as nossas vidas já não se completavam, os nossos corações já não se entendiam e cada um seguiu o seu caminho.

Foram tempos conturbados, inconstantes e amargos. Tempos solitários, vazios a sentir a tua falta e a tua presença. Tempos de reflexão, contornando a vontade enorme que tinha de esquecer tudo e voltar atrás só para tentar – uma última vez – recuperar-te e recuperar o que ainda restava da nossa história. Mas já era tarde demais: tinhas-me esquecido, tinhas apagado da tua vida todas as memórias e recordações do que tínhamos vivido juntos.  Tinhas decidido seguir com a tua vida para a frente deixando-me no passado.

E agora? Como me iria reerguer de novo sem ti?

Muita gente me dizia que eu tinha que esquecer-te e seguir com a minha vida porque o amor continua; no entanto, quando amamos tanto alguém como pode o amor prosseguir sem mágoas nem ressentimentos, sem saudades e sem o sentimento de ausência permanente?

Apesar de o sentir como impossível, descobri que afinal era possível.

E reencontrei o amor ao lado de alguém, que me fez perceber que a minha relação passada não passava de um simples jogo de interesses e sentimentos, talvez tivesse sido verdadeiro e sentido; mas senti que não te esforçaste por demonstrá-lo; por isso, ainda bem que o amor que tenho para dar se conseguiu reconstruir e encontrar o caminho certo.

 Enquanto o amor se encontrar, a vida tem sempre motivos de sobra para continuar!

Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"



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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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