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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

02
Out17

"Doentes" - Final

João Jesus e Luís Jesus

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 Abro os olhos. Está escuro.

Pisco várias vezes os olhos, mas estes demorar a adaptar-se. 

- Dylan? - Pergunta uma voz muito fraca

Começo a ver melhor o ambiente e reconheço que está alguém à minha frente. Sentado e amarrado numa cadeira.

É a Heather. Dou um safanão na cadeira.

- Heather? - Pergunto

Ela parece fraca e parece muito cansada.

- O que se passa? - Pergunto rapidamente, tentando soltar-me da cadeira

- A Rhonda...e o Russel. Levaram o velhinho. Ele está lá em...cima. - Informa ela, pausadamente

- O que se passa contigo? - Pergunto preocupado

Ela parece muito pálida.

- Eles...infetaram-me. 

Não acredito no que oiço. 

- Não, não, não... - Sussurro

- Eles querem que...eu me transforme à tua frente. E claro...depois mato-te. - Geme ela - Por isso, Dylan, tens de sair...daqui. 

- Não Heather! Eu vou sair daqui contigo. - Digo-lhe

Ela faz um leve sorriso.

- Pensava que estavas zangado comigo. - Declara ela

A Heather tem razão. Eu estava mesmo muito zangado com ela.

- Eu sou um parvo, acho que já percebeste. - Digo-lhe

Ela dá uma risada.

Começo a abanar a cadeira com toda a minha força, para a conseguir partir. Ela cai ao chão e parte-se.

Liberto-me das cordas.

- Vamos lá. - Encaminho-me até à cadeira da Heather

- Não Dylan. - Diz ela - É melhor ficar aqui.

Reconheço que ela tem razão. Se ela se transformar, fica ali presa durante um tempo.

Saio da misteriosa sala e reparo que existe um pé-de-cabra perto da porta. Agarro-o e aperto-o com força.

- Espera Dylan... - Sussurra a Heather

Volto até ela.

- Boa sorte. - Diz ela com um sorriso

Sorrio-lhe e dou-lhe um beijo na mão. 

- Vou ter. - Reconforto

Ela olha seriamente para mim e eu fico preso ao seu olhar. De repente, beijo-a.

Ela sorri. 

- Agora vai. - Diz ela

Pisco-lhe o olho, tentando reconfortá-la e saio da sala. 

Existem umas escadas de madeira para subir para o piso de cima. Isso significa que estamos debaixo de terra, pois não me lembro de ver outro andar na cabana do lado de fora.

Subo as escadas devagar e abro a porta sem barulho. A sala de estar está vazia. Entro e escondo-me atrás de um grande sofá.

De repente, aparece o Russel. O meu coração começa a bater freneticamente, pois posso ser apanhado. 

- Pensei ter ouvido algo. - Diz ele para a Rhonda, onde supostamente está cozinha

Ele prepara-se para voltar à cozinha, mas atiro uma pedrinha que se encontra em cima da mesa, perto do sofá. A pedra bate na porta que se abre devagar, provocando uma enorme chiadeira.

Ele vira-se de repente e anda devagar até à porta. Ele coloca a mão na maçaneta da porta e abre-a rapidamente, atirando-se para as primeiras escadas.

Ele fica confuso, pois não vê ninguém, então atiro-me para cima dele e espeto-lhe a ponta aguçada do pé-de-cabra por detrás do pescoço.

Ele emite um som estranho e cai no chão, provocando um estrondo enorme.

- Russel? - Pergunta a Rhonda, da cozinha

O Russel revira os olhos e o seu sangue pinga pelas escadas. 

Devagar, vou até à cozinha. A Rhonda já deve ter percebido.

Levanto-me e entro na cozinha, com o pé-de-cabra na frente. Ela tem uma arma nas mãos e treme como uma vara verde.

- O que fizeste ao Russel? - Pergunta ela, furiosa

- Dei-lhe umas festinhas no pescoço. - Ironizo

Ela fica de olhos muito abertos e aponta-me a arma com mais força. 

Vejo o velhinho detrás dela, de pé em frente à secretária onde se encontra a cura. O velho faz-me sinal. Ele aponta para a barriga dela.

Ah! Ele quer que eu a atinja ali, depois de ele fazer alguma coisa. Aceno com a cabeça devagar.

- Anda lá, Rhonda! Força! - Digo-lhe

Ela parece cada vez mais furiosa.

- Dispara. Ou estás ainda com pena do pequeno Russel? - Digo

Ela fica vermelha de raiva e aceno com a cabeça ao velho.

A Rhonda prepara-se para disparar, mas o velho agarra-lhe pelas costas e consegue derrubá-la. Ela dispara a arma, mas não me atinge.

Chego perto dela e enfio-lhe o pé-de-cabra mesmo na barriga.

- Urgh! - Grita ela

Os olhos dela ficam muito abertos e a boca tenta dizer algo, mas apenas sai sangue.

- É a vida Rhonda! Os maus vão-se embora e ainda conseguem levar os bons consigo, mas os melhores de todos ficam. Não é o teu caso. - Digo-lhe

Empurro mais o pé-de-cabra e ela morre.

- Rapaz. - Sussurra uma voz perto da Rhonda

O velhinho está no chão, com sangue perto dele, mas não sei se pertence à Rhonda.

- Ela atingiu-me. - Diz ele

Agarro-o.

- Não pode morrer, senhor. Ainda não temos a cura. - Imploro

Ele dá um risinho.

- Está um caderno no meu quarto. Tem lá a receita. Tudo o que precisam...está lá. - Diz ele, muito ofegante - Salvem o mundo, por favor. 

Ele começa a contocer-se.

- Calma. - Digo-lhe baixinho

Ele sorri.

- Vou para um lugar melhor. - Diz ele sorridente

- Pois vai. - Sussuro-lhe

Ele tem um espamo e a sua respiração pára. Fecho-lhe os olhos e coloco-o deitado no sofá, pois ele não merecia morrer e acho que devia ter um túmulo apropriado.

Vejo que ainda existe, um pouco da cura num pequeno caldeirão, na cozinha. Coloco-o num copo que está perto de mim e corro para a sala onde a Heather se encontra.

Ela está ainda mais fraca. Não deve tardar muito para se transformar.

- Heather? - Pergunto-lhe quando chego perto dela

Ela não responde e só consigo ouvir a respiração dela. 

- Já vais ficar boa. Tens de tomar isto tudo. - Digo-lhe

Ela não faz nada. 

Encosto-lhe o copo à boca e ela abre-a muito devagarinho.

- Tens de beber. - Informo

Desço o líquido devagar pelo copo e ela dá goles devagarinho. Acho que está a correr bem.

- Pronto, já está. - Digo 

Mas ela continua a não fazer nada.

- Heather? - Digo preocupado

De repente, ela começa a tremer muito rapidamente.

- Heather! - Grito, agarrando-a

Ela continua a tremer imenso e eu não sei o que fazer. 

De repente, pára. A cabeça dela caí para o lado e vejo que os olhos dela estão fechados.

Coloco os dedos no pescoço e sinto pulsação. Está viva, mas por pouco.

Devagar, ela abre os olhos.

- Acho que...parou. - Diz ela

Ela sorri e eu beijo-a.

- Os outros? - Pergunta ela

- Estão mortos. - Informo

Ela pisca rapidamente os olhos.

- Não te preocupes, o velhinho deixou a receita. - Digo-lhe 

Ela suspira aliviada. Desamarro-a e subimos para o andar de cima.

______________________________________________________________________

 

Chegamos ao hospital. 

- Ela mudou de quarto, Doutora. - Diz uma enfermeira - Último quarto. 

Corremos para a porta indicada e entro rapidamente no quarto.

- Maggie. - Digo, correndo para ela

Ela parece mais magra e fraca do que a última vez que a vi. A infeção deve estar quase completa.

- Conseguiste? - Pergunta ela curiosa

- Claro.

Entrego-lhe uma garrafinha com um pouco da cura. Ela bebe-a rapidamente e começa a tremer, como aconteceu com a Heather.

Desta vez, não fico tão preocupado e segundos depois, ela já recupera a consciência.

Abraço-a. Com força.

- Tinha tantas saudades tuas. - Suspira ela - Obrigada.

- E eu tuas, seu mosquito! - DIgo-lhe

Uma enfermeira entra pelo quarto.

- Senhora, o que fazemos com o homem gago que trouxe? - Pergunta a enfermeira

A Heather sorri-me. Decidimos trazer o Gago connosco, para este nos dar informações sobre os outros grupos de Infeção, para os conseguirmos exterminar.

- Interne-o na ala psiquiátrica. Ele precisa de uns tratamentos. - Diz ela 

Rio-me. A Heather ri-se e a Maggie também.

- Ainda temos muito trabalho pela frente. - Digo-lhe - Vamos precisar do Gago operacional. - Digo-lhe, quando a enfermeira sai do quarto

- Nós vamos conseguir. - Diz ela

Levanto-me.

- Depois de exterminar-mos os grupos de Infeção, temos de espalhar a cura pelo mundo, para acabar com o vírus. - Digo

- Vai ser díficil. - Diz a Heather - Mas eu vou contigo.

Sorrio e ela abraça-me. Beijo-a.

- Que nojo Dylan! Eu estou aqui! - Ri-se a Maggie

Rio-me as gargalhadas. 

Tudo irá ficar bem.

 

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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