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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

18
Set17

"Doentes" - Capítulo XII

João Jesus e Luís Jesus

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Finalmente, acabo de cobrir a cova com terra. 

Está feito.

- Vamos embora. - Diz a Rhonda num tom de súplica

Continuo calado, a olhar para onde o meu melhor amigo está morto, já enterrado.

- Vamos Dylan. Temos de sair daqui. - Diz a Heather

Dou uma última olhadela à campa e agarro na minha mochila.

- Vamos. - Digo

Começamos todos a andar. Já se começa a avistar alguns raios de sol por entre os pinheiros.

- Achas que conseguimos eliminá-los a todos? - Pergunta a Heather

- Quase de certeza que sim. - Informa o Russel - Eles nunca são mais que vinte em algum lado, por isso, acho que os matamos a todos.

A Rhonda decide ir na nossa frente e o Russel atrás, pois eles são melhores na defesa. Devemos estar a chegar ao centro da floresta.

- Será que as pegadas no trilho não podiam ser dos Infetados? - Pergunto furiosamente

- Não. Eles gostam mais de andar pelas árvores e só pousam no chão para caçar. - Diz a Rhonda

Estou extremamente furioso. Detesto tudo! 

De repente, num ataque de fúria, dou um pontapé ao que me aparece à frente.

- Calma Dylan! Estamos quase a chegar, de certeza! - Diz a Heather, colocando-me a mão no ombro

Tiro-lhe a mão do meu ombro. No fundo, foi ela a culpada da morte do Sam. A arma dela não estava a funcionar e por causa disso, ele morreu.

A Heather deve perceber o que eu estou a sentir e afasta-se um pouco, parecendo muito triste consigo mesma. Bem feito, acho eu.

- Acham que é ali que está a cura? - Pergunta a Rhonda, apontado para um lugar mais luminoso na floresta

Aproximo-me da Rhonda e olho para o ponto que ela aponta.

Vê-se uma pequena cabana de madeira e vê-se uma luz acesa dentro dela. De certeza é ali.

- É ali! Ali deve ser o esconderijo do velho, eu li no diário. - Diz a Heather muito feliz

Olho para ela. Se em vez de ler aquele diário em poucos minutos verifica-se a arma, o Sam estaria entre nós. Ela vê-me e fecha o seu sorriso.

- Então é melhor irmos já. - Declara o Russel - A noite deve estar a chegar e eu quero sair daqui.

- É melhor corrermos. - Digo

Corro na frente deles, o mais rápido que posso. Oiço os passos pesados da Rhonda atrás de mim.

Paro em frente da cabana. É ali que conseguirei a cura para a minha irmãzinha. E é hoje!

Espero pelo resto do pessoal e bato à porta. Ouve-se movimento dentro da casa.

- Quem é? - Diz uma voz rouca dentro da cabana

Oiço o barulho de chaves.

- Hum...Somos nós?! - Diz a Rhonda

O barulho para.

- E quem são vocês? - Diz o velho com uma risada

Reviro os olhos.

- Queremos apenas um pouco da cura. - Digo

O resto do meu grupo olha para mim surpreendido.

- Bonito! Agora não vai abrir de certeza! - Resmunga a Rhonda

De repente a porta abre-se. 

Um velho, baixinho, com barbas enormes olha para mim de cima a baixo. 

- Ok, podem entrar. - Diz ele devagarinho - Mas as armas ficam comigo.

Desconfiado entrego-lhe a arma. A Heather e o Russel fazem o mesmo, mas a Rhonda recusa-se.

- Se não deres a arma ficas cá fora. - Diz o velhote

A Rhonda resmunga e entrega a arma.

- Espera aí! - Grita o velho quando a Rhonda entra em casa - A faca que tens na meia.

A Rhonda vira-se surpreendida.

- Como soube que eu...

- São muitos anos do mesmo. - Diz ele, estendendo o mão para a Rhonda

A Rhonda bufa enervada e entrega a faca. O velho fecha a porta imediatamente.

- Então... - Diz ele olhando para nós - Querem a cura?

- Obviamente. - Digo-lhe

Ele olha para mim muito seriamente.

- Gosto de ti rapaz. - Diz ele de repente e começa a andar muito rapidamente até à divisão que deve ser a sala

A cabana parecia ser pequena por fora, mas por dentro é enorme. 

Ele está de volta de uma mesa enorme, toda suja e cheia de papéis e umas misturas estranhas.

- Que é isso? - Pergunta o Russel

- A cura. - Diz o velho

Espreito para uma mistela que ele está a mexer. 

- Isso é a cura? A grande cura? - Pergunta a Rhonda surpreendida - Isso parece um batido light!

O velho dá uma gargalhadazinha.

- Deixem-me explicar. - Diz ele - Aqui temos tudo o que o vírus detesta. Calor, silêncio, lentidão e claro, luz, muita luz.

- Mas isso não parece ter nada disso. - Digo

- Parece. - Diz o velho misteriosamente - A cura tem todas essas coisas. Deve ser servida muito quente, pois o vírus queima com o calor. A bebida fica cada vez mais grossa com o calor, impedindo que o som se oiça e que se engula muito pior, daí a lentidão. E a luz, porque a bebida deve ser servida num período muito luminoso, o meio-dia, pois depois de curado, o vírus não quer deixar a pessoa e precisa de luz para se afastar.

- Então é por isso que a velha aldeia estava posicionada num sítio de muito calor e luz! - Diz a Heather surpreendida

- Exatamente. Ali era a zona mais infetada, por isso era a que mais precisava da cura, então fizeram várias mudanças para a receberem. - Diz ele orgulhoso

O velho é mesmo muito inteligente!

- Mas espere aí. - Digo

Ele olha para mim.

- O vírus espalha-se com a mordidela dos Infetados, não é? - Pergunto

- Claro!

- Mas a minha irmã e os meus pais não foram mordidos. Como aconteceu? - Pergunto curioso

O velho olha para mim com dúvida na cara.

- Não faço a mínima ideia, meu rapaz. - Diz ele

- Mas eu faço. 

Olho para o Russel. Ele está com um sorriso malvado na cara.

- Fomos nós. - Diz ele

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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