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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

06
Set17

"Caos" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 É este o nome do meio do meu coração. Caos. Avesso. Mundo ao contrário. Desorientação total. Foi assim que deixaste o meu coração desde que decidiste virar-lhe as costas e seguir com a tua vida; assim, como se nada fosse. De um dia para o outro. Escolheste ocupar o coração de outra pessoa, alguém que conseguisse corresponder mais e melhor às tuas expectativas. Alguém que na verdade não exigisse tanto de ti, do teu tempo e do teu amor. Alguém que não te sufocasse tanto por querer-te vinte e quatro horas por dia ao seu lado.

 
Alguém que conseguisse dar-te o espaço que tanto me pedias. Que gostasse de ti, te amasse mas te quisesse numa curta distância. Apesar de doer como lâminas afiadas, ter-te perdido, ter ficado sem ti para sempre; talvez tenha sido melhor assim. Não sei amar-te da forma como me pedias. Da forma que me exigias. Amar-te na longitude. Gostar de ti sem plenitude. Vivermos num namoro ocasional. Para poder amar-te preciso de ti por inteiro, não só em pequenos fragmentos. Preciso de ti aqui, sempre que o meu coração necessitar. Preciso da tua mão que me embala. Do teu toque que me inquieta e sossega. Preciso do teu abraço. Das tuas carícias.
 
Eu preciso de ti. O meu coração precisa ainda mais de ti; no entanto, sinto que tu não precisas de nós. Apenas necessitas de alguém que esteja ao teu lado nas horas vagas, quando sentes que precisas, mas nunca para sempre. O sempre incomoda-te, aprisiona-te, confunde-te. Os compromissos roubam-te tempo, o tempo que é só teu e só para ti. Os compromissos fazem-te afastar das coisas que mais gostas de fazer; por isso, não te entregas, não te dás, ficas apenas a metade do caminho e quando tudo se complica e intensifica, desistes. Se para ti desistir é fácil, não imaginas o quanto me custa desistir de ti. Desistir de tudo. Fazer de conta que nada aconteceu.
 
Para mim o amor não é uma coisa passageira, que se faz e desfaz como um embrulho de natal, quando se quer e se apetece é para ser vivido intensamente. Isso faz de nós pessoas diferentes porque não olhamos a grandiosidade deste sentimento da mesma forma. Nesse sentido, o melhor é cada um seguir o seu caminho.
 
As feridas que sinto no peito irão sarar, levando assim o curso do seu tempo. Nunca é fácil sarar feridas de amor, nunca é fácil renunciar e esquecer. Sei que ficarão em mim as muitas cicatrizes da tua passagem, mas com o tempo elas irão acabar por ser disfarçadas. Irei esquecer-te e sair deste caos.
 
Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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