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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

27
Out17

"Querido Diário"

João Jesus e Luís Jesus

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 Querido Diário,

Nem sei se te devo chamar querido! Cada dia que passa perco cada vez mais sentimentos por todos. 

Não sei porquê, não sei como, mas já não me interessa absolutamente nada! Nem quero saber o que o meu cão fez ou deixou de fazer, o que a minha avó teve e o que aconteceu ali.

Estou-me nas tintas, é uma forma de dizer!

Sinto-me desligado do mundo. Também não sei porquê. Sinto que não pertenço aqui. Sinto que não tenho nada que me prenda neste lugar.

Antes de tudo, não vou fazer nada estúpido! Quero apenas continuar a tentar senti-me bem por estar aqui. Quero sentir o que realmente é viver.

Quero correr por um campo cheio de relva verde e curta, enquanto tento alcançar o horizonte, onde o sol se põe. 

Quero sentir o vento passar-me no corpo. 

Quero sentir-me feliz por algo que concluí. 

Quero apenas, viver. Sentir alguma coisa. 

Acho que a vida se esqueceu de mim e me deixou vazio. Quero apenas sentir algo, nem que seja a dor de uma picadela de abelhas, pois já não sinto isso.

Enfim, querido diário, preciso apenas da vida para me sentir vivo.

 

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17
Set17

"Mexe-te"

João Jesus e Luís Jesus

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 Se alguma vez pensares que as coisas boas te vêm ter à mão, estás enganado.

Para vivermos as coisas boas temos de correr atrás delas e não ficar à espera. Não fiques parado

Mexe-te.

Corre atrás da alegria. Salta por cima do medo. Ultrapassa as inseguranças e vence a corrida com compaixão pelos outros.

Não serve de nada estar parado quando as melhores coisas da vida nunca virão ao nosso encontro. Temos de nos mexer para as conseguir apanhar.

Mas se quisermos mesmo agarrar com força todas essas coisas, nunca nos sentaremos à espera. Correremos até à exaustão.

Por isso, mais uma vez, mexe-te. Não fiques parado.

Pois assim perdes o melhor da vida.

 

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12
Set17

"Querer Viver"

João Jesus e Luís Jesus

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 A poeira fazia os olhos doerem imenso. Não se via absolutamente nada, apenas um enorme véu de poeira no ar. 

Mal conseguia respirar. Inspirava devagarinho, mas mal tentava fazer isso, dava consigo a tossir infinitamente. Tentou respirar pela sua camisola, mas esta era muito fininha.

Avistava a luz da janela a tentar passar por entre a poeira. Queria sair dali. Queria continuar a viver.

Estava tonto e magoado. A poeira, o cheiro a queimado e o sangue deixavam-no profundamente enjoado. Várias pedras tinham caído por cima de si e estava cheio de feridas.

Tentou arrastar-se até à janela, para respirar um pouco de ar fresco, mas esta parecia estar cada vez mais longe. Desistiu ao fim de poucos minutos. 

A sua perna magoada, pesava como um elefante e quando fazia um pequeno movimento com ela, dava consigo a gemer de dor.

Começou a chorar. Já estava morto! Não havia salvação possível. Iria morrer ali, no chão da sua cozinha. 

Ele não queria morrer. Queria sair dali para voltar a ver os seus pais. Queria sair dali para continuar a ser feliz. Mas isso iria ser impossível, pois nunca iria sair dali vivo.

Irritado, deciciu voltar a tentar sair dali. Arrastava-se até à janela, ignorando as dores excruciantes na sua perna. Já estava perto da janela.

A janela já estava partida. Olhou para baixo e viu uma enorme multidão a gritar desesperada. Estava muito alto! O resto do prédio estava destruido.

Os bombeiros não podiam subir. Não sabia o que fazer.

Então, decidiu que era hora de morrer. Não iria querer morrer devagar, então, decidiu que se iria atirar pela janela e rezou para que alguém o conseguisse apanhar.

Respirou fundo, olhou para os céus e gritou. Despediu-se do mundo e com muita coragem, atirou-se fora da janela.

Os seus pulmões pareciam estar a queimar enquanto caia. Ele fechou os olhos. 

De repente, sentiu que tinha caido em cima de algo mole. Abriu os olhos e viu. Estava vivo, tinha caido em cima da lona dos bombeiros. 

Iria voltar a viver.

 

25
Ago17

"Nunca Mais"

João Jesus e Luís Jesus

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 Depois de muito tempo, finalmente percebi!

Percebi a lição que me queriam ensinar. Não percebo como não percebi mais cedo.

Devo aproveitar ao máximo a vida que eu ainda tenho, não posso ficar parado. Tenho de apenas aproveitar todos os momentos, pois a vida passa num instante.

Nunca mais ficarei parado no sofá, à espera que algo bom apareça. Tenho de me levantar e procurar o que eu quero.

Nunca mais recusarei ajudar os meus amigos, pois às vezes, as histórias de ajuda são as melhores.

Nunca mais desisterei. Tenho de continuar a caminhar, mesmo que me doam os pés, porque só assim chegarei onde quero.

Recordarei todos os momentos bons que vou passar. Uma simples fotografia pode fazer-me lembrar o que a vida tem de bom.

E quando os meus últimos dias chegarem, sorrirei, pois aproveitei a minha vida ao máximo e colhi todos os frutos que ela me deu.

No fim, direi um obrigado e fecharei os meus olhos, satisfeito por ter estado vivo.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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