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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

01
Jan18

"Fama" - Capítulo XI

João Jesus e Luís Jesus

Muito devagar e respirando fundo várias vezes, lá tenho coragem e bato à porta do compartimento onde me pediram para estar.

- Entre. - Oiço uma voz

Entro, com o coração aos pulos no meu peito.

- Pode sentar-se. - Diz uma mulherzinha com ar de rica e snob, apontando para uma cadeira mesmo à sua frente

Sento-me calmamente, mas cada vez mais, o meu coração pula do seu sítio.

- Menina Chelsea, tem alguma ideia do porquê de a chamar aqui? - Pergunta ela, olhando para uma folha

- Não faço ideia. - Concluo

Ela sorri maliciosamente.

- Eu já sabia que ia dizer isso, afinal, todos dizem. - Diz ela

Detesto-a! Detesto quase toda a gente.

- Bem, eu vou dizer-lhe o porquê. Julgo que já deve calcular que o almoço livre foi como uma prova. Queríamos ver quem seguiria a dieta à risca, mesmo com tudo ao seu dispor e total liberdade para comer o que quisesse. - Revela ela

Fico pasmada. Uau! Esta gente tem esquemas estranhos!

- E é aí que começamos a escolher os melhores candidatos. - Diz ela com um sorriso malicioso - E nós esperávamos muito de si Chelsea, mas logo na primeira prova, você decepcionou-nos. 

Olho para ela seriamente.

- Decepcionei-vos por comer aquilo que eu acho que me faz bem? - Digo com uma risada

Ela parece ser atingida por um raio quando me ouve falar.

- Hum, sim! Se nós a mandamos comer por exemplo, uma alface crua em vez de bolachas de água e sal, você tem de comer, pois agora nós temos influências em si. - Diz ela com um ar de mandona

- Acho que ainda sou eu que mando no que como. - Digo-lhe

Ela dá uma risada quase inaudível e chega mais perto de mim.

- Chelsea, pare. Pare com isso ou vai sair daqui mais cedo do que imagina. Não era isto que mais desejava? Então limite-se a cumprir as regras se ainda quer estar aqui. - Diz ela olhando com os seus olhos de cobra venenosa diretamente para mim

Levanto-me da cadeira.

- Acho que já percebi. - Digo

- Então, entendeu que tem de cumprir a dieta? - Pergunta ela, com um ar mais amoroso

- Entendi. - Digo, enquanto abro a porta - Só que não sou obrigada de a cumprir. Adeus.

Fecho a porta e sorrio. Estou orgulhosa de mim!

Vou ter com a Dianne, que estava à minha espera. 

- Então? Correu bem? - Diz ela com um sorriso

Conto-lhe tudo enquanto andamos até ao pavilhão onde continuaremos as tarefas do dia. 

- Disseste mesmo isso? - Pergunta a Dianne surpreendida

- Sim. Estava farta de a ouvir. - Digo

A Dianne começa-se a rir.

- Sabes que isso pode ter sido mau, por um lado. - Diz ela

- Sim, eu sei! Mas é verdade! Não vão ser eles que vão mandar no que como ou deixo de comer.  - Afirmo - E tu achas exatamente o mesmo, não te ponhas para aí a armar-te em séria!

A Dianne começa ainda a rir-se mais.

- Ok, ok! Eu concordo contigo. - Diz ela - Temos de nos despachar, pois temos mais coisas hoje. 

Começo a correr para o próximo estúdio, pois estamos atrasadas, como sempre.

 

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22
Nov17

"Olhar Invisível" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Sonhar… Um acto que acontece durante o nosso sono, interpretado de diversas formas, ainda meio incompreendido e sem uma justificação aparente. Dizem que os sonhos não são mais do que uma experiência de imaginação do subconsciente. Uma busca pela realização de desejos reprimidos. Os sonhos permitem-nos sair por breves momentos da nossa vida, da nossa pele e viver outras vidas, sermos outras pessoas, atingirmos o que até então parecia inatingível.

Havia um homem, perdido algures numa rua infinita de uma cidade longínqua, que vivia triste, angustiado e frustrado. Era conhecido por quem com ele se cruzava, e por quem conhecia a sua história como o homem que não conseguia sonhar. Não conseguia. Muita gente se questionava, como era possível haver uma pessoa que não fosse capaz de sonhar, que não soubesse o que era ter um sonho. Mas ele não sabia, passava horas e horas a tentar perceber o que havia de errado consigo próprio para ver tudo tão negro quando fechava os olhos. De certa forma era como se fosse desprovido de pensamento, de alma, de sentimento. Parecia que não era feito de carne e osso.
Um dia, estava ele muito descansado perdido em si mesmo, sentado nos degraus da sua escada quando apareceu uma jovem. Sentou-se ao seu lado e limitou-se a olhar para ele, no vazio dos seus olhos, não trocaram uma única palavra, ficaram apenas ali ao lado um do outro. Até que ele disse uma coisa…
Como é que se sonha?
Sky, era perspicaz e percebeu de imediato o dilema do homem. Explicou-lhe que sonhar não se aprendia, que era inato e nascia connosco. Que era como o vento, imprevisível. Ele calou-se e nada disse. Ela pegou na mão dele, e foram dar um passeio sem destino. Ele quis saber se ela tinha muitos sonhos, se sonhava muito. Disse-lhe que era uma sonhadora nata e que adorava sonhar. Voltou a fazer-se silêncio.
Pararam junto à praia, em jeito de segredo ele disse-lhe que adorava o mar e sentir a maresia, Sky convidou-o a descalçar-se e a deitarem-se na areia. Assim o fizeram, descontraídos e apenas com a maresia a envolvê-los.
De repente, o improvável acontece… Ele mostra-se agitado e acorda sobressaltado. Tinha-a a visto, tinha-a sentido, nos seus braços, aquele beijo. Estavam juntos. Juntos para sempre.
E apercebe-se, que tudo não tinha passado de um sonho. O primeiro de muitos…

 

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

29
Out17

"Borboleta"

João Jesus e Luís Jesus

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 Pousou levemente no parapeito de uma janela. 

O pôr-do-sol estava a acontecer. A noite estava a chegar. 

Olhou para o horizonte. O seu dia, a sua vida, o seu voo estava prestes a acabar.

Fora um dia magnífico! Fora uma vida curta mas espetacular. 

O sol escondeu-se atrás das colinas. O espetáculo tinha terminado.

Levantou voo, reparando que no parapeito que tinha pousado, um menino se preparava para a apanhar. Riu-se dele. Não a iria apanhar.

Voou para tentar apanhar o sol. Para viver como ele. Para todos os dias ver o mundo e nunca perder o nascer e pôr-do-sol. 

Continuou a voar, batendo as suas asas muito rapidamente. Iria apanhá-lo. Queria fugir com ele.

As asas doiam cada vez mais. Mas não desisita, continuava a voar até ao horizonte.

O céu começava a ficar escuro. Mas nem assim ela parava.

Começou a sentir-se cansada. As asas falhavam de vez em quando. Mas ela estava quase! Só mais um esforço e apanhava-o.

As asas ficaram como mortas. Caiu ao chão. 

Dorida, conseguiu ainda olhar para o horizonte uma última vez. Viu os últimos raios de sol ainda a espreitarem.

Despediu-se do sol e voou para a morte.

 

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05
Out17

"Perguntas"

João Jesus e Luís Jesus

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 Ele chegou ao lugar.

Estava mesmo em frente aquele sítio onde sempre quisera estar! O seu maior sonho...

Conhecer o seu escritor preferido! E ali estava ele. A tocar à campainha, à espera que alguém o atendesse.

- Bom dia! - Disse ele

Um senhor velho saía pela porta.

- Bom dia, menino. - Respondeu ele - Deseja alguma coisa?

- Sou o Jordan. Estou aqui para conhecer o senhor Phil. - Informou

O senhor sorriu.

- Claro que és. Estávamos à tua espera. - Ele apontou para a porta

Jordan entrou na casa. Era enorme por dentro! 

- Sempre em frente! Ele está na sala. - Despediu-se o senhor

Envergonhado, andou devagar até à sala de estar. 

Se a entrada da casa parecia grande, então a sala era gigantesca. 

Começou a ouvir uma música leve. 

De repente, o seu coração parou. 

No meio da sala, havia um piano enorme. Era a fonte da música.

Mas os dedos ágeis que tocavam aquela linda música, pertenciam ao seu escritor preferido. 

Limitou-se a ouvir. A melodia era realmente muito bonita!
O escritor tocou as últimas notas e a música acabou.

- Oh! Olá! - Disse ele - Avança.

O coração não parava de bater e bater, mas Jordan avançou. 

- Olá, senhor Phil. - Disse ele, timidamente

O escritor riu-se.

- Senhor... - Suspirou

Jordan começou a pensar no que lhe iria perguntar.

- Hum, senhor Phi...

De repente, o escritor começou a tocar novamente, mas desta vez uma música rápida.

Desapontado com a ação deste, calou-se e voltou a ouvir. 

A música terminou e quando ele se preparava para perguntar alguma coisa, o escritor voltou a tocar.

Estava enervado! Nunca mais iria perder tempo para visitar alguém que admirasse!

Derrotado, limitou-se a ficar calado quando este parou de tocar.

Então, subitamente, o escritor começou a sorrir.

- Era aí mesmo que eu queria que chegasses. - Declarou

Jordan ficou surpreendido. Não estava a perceber!
- De certeza, agora deves estar a pensar que sou um palerma! Mas o que te queria fazer pensar é o seguinte. - Explicou ele - De certeza me irias perguntar algo sobre o maior mistério do livro a que esperavas que eu ti respondesse com algo parvo, mas que fizesse sentido.

Jordan concordou.

- Mas algumas coisas, ficam melhor sem serem perguntadas. Por vezes uma pergunta pode estragar todos os nossos sonhos. Percebes? - Perguntou ele

Jordan percebeu. Percebeu que por vezes, a verdade pode ser má e é melhor ficar "escondida":

- Perfeitamente. - Respondeu Jordan

O escritor voltou a sorrir e tocou uma música maisalegre. Mas desta vez, Jordan não se importou.

 

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17
Set17

"Mexe-te"

João Jesus e Luís Jesus

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 Se alguma vez pensares que as coisas boas te vêm ter à mão, estás enganado.

Para vivermos as coisas boas temos de correr atrás delas e não ficar à espera. Não fiques parado

Mexe-te.

Corre atrás da alegria. Salta por cima do medo. Ultrapassa as inseguranças e vence a corrida com compaixão pelos outros.

Não serve de nada estar parado quando as melhores coisas da vida nunca virão ao nosso encontro. Temos de nos mexer para as conseguir apanhar.

Mas se quisermos mesmo agarrar com força todas essas coisas, nunca nos sentaremos à espera. Correremos até à exaustão.

Por isso, mais uma vez, mexe-te. Não fiques parado.

Pois assim perdes o melhor da vida.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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