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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

02
Out17

"Doentes" - Final

João Jesus e Luís Jesus

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 Abro os olhos. Está escuro.

Pisco várias vezes os olhos, mas estes demorar a adaptar-se. 

- Dylan? - Pergunta uma voz muito fraca

Começo a ver melhor o ambiente e reconheço que está alguém à minha frente. Sentado e amarrado numa cadeira.

É a Heather. Dou um safanão na cadeira.

- Heather? - Pergunto

Ela parece fraca e parece muito cansada.

- O que se passa? - Pergunto rapidamente, tentando soltar-me da cadeira

- A Rhonda...e o Russel. Levaram o velhinho. Ele está lá em...cima. - Informa ela, pausadamente

- O que se passa contigo? - Pergunto preocupado

Ela parece muito pálida.

- Eles...infetaram-me. 

Não acredito no que oiço. 

- Não, não, não... - Sussurro

- Eles querem que...eu me transforme à tua frente. E claro...depois mato-te. - Geme ela - Por isso, Dylan, tens de sair...daqui. 

- Não Heather! Eu vou sair daqui contigo. - Digo-lhe

Ela faz um leve sorriso.

- Pensava que estavas zangado comigo. - Declara ela

A Heather tem razão. Eu estava mesmo muito zangado com ela.

- Eu sou um parvo, acho que já percebeste. - Digo-lhe

Ela dá uma risada.

Começo a abanar a cadeira com toda a minha força, para a conseguir partir. Ela cai ao chão e parte-se.

Liberto-me das cordas.

- Vamos lá. - Encaminho-me até à cadeira da Heather

- Não Dylan. - Diz ela - É melhor ficar aqui.

Reconheço que ela tem razão. Se ela se transformar, fica ali presa durante um tempo.

Saio da misteriosa sala e reparo que existe um pé-de-cabra perto da porta. Agarro-o e aperto-o com força.

- Espera Dylan... - Sussurra a Heather

Volto até ela.

- Boa sorte. - Diz ela com um sorriso

Sorrio-lhe e dou-lhe um beijo na mão. 

- Vou ter. - Reconforto

Ela olha seriamente para mim e eu fico preso ao seu olhar. De repente, beijo-a.

Ela sorri. 

- Agora vai. - Diz ela

Pisco-lhe o olho, tentando reconfortá-la e saio da sala. 

Existem umas escadas de madeira para subir para o piso de cima. Isso significa que estamos debaixo de terra, pois não me lembro de ver outro andar na cabana do lado de fora.

Subo as escadas devagar e abro a porta sem barulho. A sala de estar está vazia. Entro e escondo-me atrás de um grande sofá.

De repente, aparece o Russel. O meu coração começa a bater freneticamente, pois posso ser apanhado. 

- Pensei ter ouvido algo. - Diz ele para a Rhonda, onde supostamente está cozinha

Ele prepara-se para voltar à cozinha, mas atiro uma pedrinha que se encontra em cima da mesa, perto do sofá. A pedra bate na porta que se abre devagar, provocando uma enorme chiadeira.

Ele vira-se de repente e anda devagar até à porta. Ele coloca a mão na maçaneta da porta e abre-a rapidamente, atirando-se para as primeiras escadas.

Ele fica confuso, pois não vê ninguém, então atiro-me para cima dele e espeto-lhe a ponta aguçada do pé-de-cabra por detrás do pescoço.

Ele emite um som estranho e cai no chão, provocando um estrondo enorme.

- Russel? - Pergunta a Rhonda, da cozinha

O Russel revira os olhos e o seu sangue pinga pelas escadas. 

Devagar, vou até à cozinha. A Rhonda já deve ter percebido.

Levanto-me e entro na cozinha, com o pé-de-cabra na frente. Ela tem uma arma nas mãos e treme como uma vara verde.

- O que fizeste ao Russel? - Pergunta ela, furiosa

- Dei-lhe umas festinhas no pescoço. - Ironizo

Ela fica de olhos muito abertos e aponta-me a arma com mais força. 

Vejo o velhinho detrás dela, de pé em frente à secretária onde se encontra a cura. O velho faz-me sinal. Ele aponta para a barriga dela.

Ah! Ele quer que eu a atinja ali, depois de ele fazer alguma coisa. Aceno com a cabeça devagar.

- Anda lá, Rhonda! Força! - Digo-lhe

Ela parece cada vez mais furiosa.

- Dispara. Ou estás ainda com pena do pequeno Russel? - Digo

Ela fica vermelha de raiva e aceno com a cabeça ao velho.

A Rhonda prepara-se para disparar, mas o velho agarra-lhe pelas costas e consegue derrubá-la. Ela dispara a arma, mas não me atinge.

Chego perto dela e enfio-lhe o pé-de-cabra mesmo na barriga.

- Urgh! - Grita ela

Os olhos dela ficam muito abertos e a boca tenta dizer algo, mas apenas sai sangue.

- É a vida Rhonda! Os maus vão-se embora e ainda conseguem levar os bons consigo, mas os melhores de todos ficam. Não é o teu caso. - Digo-lhe

Empurro mais o pé-de-cabra e ela morre.

- Rapaz. - Sussurra uma voz perto da Rhonda

O velhinho está no chão, com sangue perto dele, mas não sei se pertence à Rhonda.

- Ela atingiu-me. - Diz ele

Agarro-o.

- Não pode morrer, senhor. Ainda não temos a cura. - Imploro

Ele dá um risinho.

- Está um caderno no meu quarto. Tem lá a receita. Tudo o que precisam...está lá. - Diz ele, muito ofegante - Salvem o mundo, por favor. 

Ele começa a contocer-se.

- Calma. - Digo-lhe baixinho

Ele sorri.

- Vou para um lugar melhor. - Diz ele sorridente

- Pois vai. - Sussuro-lhe

Ele tem um espamo e a sua respiração pára. Fecho-lhe os olhos e coloco-o deitado no sofá, pois ele não merecia morrer e acho que devia ter um túmulo apropriado.

Vejo que ainda existe, um pouco da cura num pequeno caldeirão, na cozinha. Coloco-o num copo que está perto de mim e corro para a sala onde a Heather se encontra.

Ela está ainda mais fraca. Não deve tardar muito para se transformar.

- Heather? - Pergunto-lhe quando chego perto dela

Ela não responde e só consigo ouvir a respiração dela. 

- Já vais ficar boa. Tens de tomar isto tudo. - Digo-lhe

Ela não faz nada. 

Encosto-lhe o copo à boca e ela abre-a muito devagarinho.

- Tens de beber. - Informo

Desço o líquido devagar pelo copo e ela dá goles devagarinho. Acho que está a correr bem.

- Pronto, já está. - Digo 

Mas ela continua a não fazer nada.

- Heather? - Digo preocupado

De repente, ela começa a tremer muito rapidamente.

- Heather! - Grito, agarrando-a

Ela continua a tremer imenso e eu não sei o que fazer. 

De repente, pára. A cabeça dela caí para o lado e vejo que os olhos dela estão fechados.

Coloco os dedos no pescoço e sinto pulsação. Está viva, mas por pouco.

Devagar, ela abre os olhos.

- Acho que...parou. - Diz ela

Ela sorri e eu beijo-a.

- Os outros? - Pergunta ela

- Estão mortos. - Informo

Ela pisca rapidamente os olhos.

- Não te preocupes, o velhinho deixou a receita. - Digo-lhe 

Ela suspira aliviada. Desamarro-a e subimos para o andar de cima.

______________________________________________________________________

 

Chegamos ao hospital. 

- Ela mudou de quarto, Doutora. - Diz uma enfermeira - Último quarto. 

Corremos para a porta indicada e entro rapidamente no quarto.

- Maggie. - Digo, correndo para ela

Ela parece mais magra e fraca do que a última vez que a vi. A infeção deve estar quase completa.

- Conseguiste? - Pergunta ela curiosa

- Claro.

Entrego-lhe uma garrafinha com um pouco da cura. Ela bebe-a rapidamente e começa a tremer, como aconteceu com a Heather.

Desta vez, não fico tão preocupado e segundos depois, ela já recupera a consciência.

Abraço-a. Com força.

- Tinha tantas saudades tuas. - Suspira ela - Obrigada.

- E eu tuas, seu mosquito! - DIgo-lhe

Uma enfermeira entra pelo quarto.

- Senhora, o que fazemos com o homem gago que trouxe? - Pergunta a enfermeira

A Heather sorri-me. Decidimos trazer o Gago connosco, para este nos dar informações sobre os outros grupos de Infeção, para os conseguirmos exterminar.

- Interne-o na ala psiquiátrica. Ele precisa de uns tratamentos. - Diz ela 

Rio-me. A Heather ri-se e a Maggie também.

- Ainda temos muito trabalho pela frente. - Digo-lhe - Vamos precisar do Gago operacional. - Digo-lhe, quando a enfermeira sai do quarto

- Nós vamos conseguir. - Diz ela

Levanto-me.

- Depois de exterminar-mos os grupos de Infeção, temos de espalhar a cura pelo mundo, para acabar com o vírus. - Digo

- Vai ser díficil. - Diz a Heather - Mas eu vou contigo.

Sorrio e ela abraça-me. Beijo-a.

- Que nojo Dylan! Eu estou aqui! - Ri-se a Maggie

Rio-me as gargalhadas. 

Tudo irá ficar bem.

 

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25
Set17

"Doentes" - Capítulo XIII

João Jesus e Luís Jesus

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 De repente, o Russel e a Rhonda agarram em algo afiado e apontam-nos com eles.

- Calma! Não quero estragos! - Grita o velho histericamente

A Rhonda sorri malvadamente.

- Não estou a perceber! Como é que vocês podem infetar pessoas se não estão infetados? - Pergunta a Heather

- Costumas ser tão esperta e não sabes esta. Parva! - Diz a Rhonda aos gritinhos

Acho que percebi! 

- Eles têm veneno de Infetado. - Digo

O Russel começa a rir. A Heather olha para mim duvidosa.

- Mas como? - Pergunta ela

- Nós matamos os Infetados e extraímos o veneno deles. O corpo queima, mas a boca deles continua intacta e é la que eles têm o veneno. Extraímos e está feito! - Revela ele

- Depois, fazemos dardos venenosos que distríbuimos pelo nosso grupo inteiro e eles tratam da coisa. - Diz a Rhonda

Sinto uma raiva enorme deles.

- Quantos são de vocês? - Pergunto

- Tantos que não dá para contar, Dylan! - Diz o Russel

Dou uma risada nervosa. Quero tanto partir-lhe a cara ao murro!

- E mesmo depois de vos ajudarmos vocês têm coragem de continuar com isso? - Grito

- Claro! Nós estamos a limpar o mundo! Os mais fortes ficam! - Diz a Rhonda

- Vocês são doentes! - Grita a Heather

A Rhonda avança para a Heather e agarra-lhe o braço.

- Larga-me sua macaca! - Grita a Heather

Atiro-me à Rhonda e dou-lhe um murro na cara. A Heather recua e protege o velho.

A Rhonda bate-me em cheio no peito e eu fico um pouco tonto, mas continuo a bater-lhe. 

De repente, sinto uma dor aguda perto da barriga. Caio para o lado e vejo que o Russel acabou de me espetar a coisa aguçada. 

Estou tonto no chão, mas consigo vê-lo a agarrar na Heather, que grita. 

- Dylan! - Grita ela

Tento levantar-me, mas não sinto as pernas. Desisto e olho para o que está a acontecer.

- Está quieta! - Grita a Rhonda a plenos pulmões

A Heather leva um murro na cara e fica sem sentidos. Eles injetam qualquer coisa nela e oiço o velho gritar atrás de mim. 

Perco os sentidos e não oiço mais nada.

 

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18
Set17

"Doentes" - Capítulo XII

João Jesus e Luís Jesus

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Finalmente, acabo de cobrir a cova com terra. 

Está feito.

- Vamos embora. - Diz a Rhonda num tom de súplica

Continuo calado, a olhar para onde o meu melhor amigo está morto, já enterrado.

- Vamos Dylan. Temos de sair daqui. - Diz a Heather

Dou uma última olhadela à campa e agarro na minha mochila.

- Vamos. - Digo

Começamos todos a andar. Já se começa a avistar alguns raios de sol por entre os pinheiros.

- Achas que conseguimos eliminá-los a todos? - Pergunta a Heather

- Quase de certeza que sim. - Informa o Russel - Eles nunca são mais que vinte em algum lado, por isso, acho que os matamos a todos.

A Rhonda decide ir na nossa frente e o Russel atrás, pois eles são melhores na defesa. Devemos estar a chegar ao centro da floresta.

- Será que as pegadas no trilho não podiam ser dos Infetados? - Pergunto furiosamente

- Não. Eles gostam mais de andar pelas árvores e só pousam no chão para caçar. - Diz a Rhonda

Estou extremamente furioso. Detesto tudo! 

De repente, num ataque de fúria, dou um pontapé ao que me aparece à frente.

- Calma Dylan! Estamos quase a chegar, de certeza! - Diz a Heather, colocando-me a mão no ombro

Tiro-lhe a mão do meu ombro. No fundo, foi ela a culpada da morte do Sam. A arma dela não estava a funcionar e por causa disso, ele morreu.

A Heather deve perceber o que eu estou a sentir e afasta-se um pouco, parecendo muito triste consigo mesma. Bem feito, acho eu.

- Acham que é ali que está a cura? - Pergunta a Rhonda, apontado para um lugar mais luminoso na floresta

Aproximo-me da Rhonda e olho para o ponto que ela aponta.

Vê-se uma pequena cabana de madeira e vê-se uma luz acesa dentro dela. De certeza é ali.

- É ali! Ali deve ser o esconderijo do velho, eu li no diário. - Diz a Heather muito feliz

Olho para ela. Se em vez de ler aquele diário em poucos minutos verifica-se a arma, o Sam estaria entre nós. Ela vê-me e fecha o seu sorriso.

- Então é melhor irmos já. - Declara o Russel - A noite deve estar a chegar e eu quero sair daqui.

- É melhor corrermos. - Digo

Corro na frente deles, o mais rápido que posso. Oiço os passos pesados da Rhonda atrás de mim.

Paro em frente da cabana. É ali que conseguirei a cura para a minha irmãzinha. E é hoje!

Espero pelo resto do pessoal e bato à porta. Ouve-se movimento dentro da casa.

- Quem é? - Diz uma voz rouca dentro da cabana

Oiço o barulho de chaves.

- Hum...Somos nós?! - Diz a Rhonda

O barulho para.

- E quem são vocês? - Diz o velho com uma risada

Reviro os olhos.

- Queremos apenas um pouco da cura. - Digo

O resto do meu grupo olha para mim surpreendido.

- Bonito! Agora não vai abrir de certeza! - Resmunga a Rhonda

De repente a porta abre-se. 

Um velho, baixinho, com barbas enormes olha para mim de cima a baixo. 

- Ok, podem entrar. - Diz ele devagarinho - Mas as armas ficam comigo.

Desconfiado entrego-lhe a arma. A Heather e o Russel fazem o mesmo, mas a Rhonda recusa-se.

- Se não deres a arma ficas cá fora. - Diz o velhote

A Rhonda resmunga e entrega a arma.

- Espera aí! - Grita o velho quando a Rhonda entra em casa - A faca que tens na meia.

A Rhonda vira-se surpreendida.

- Como soube que eu...

- São muitos anos do mesmo. - Diz ele, estendendo o mão para a Rhonda

A Rhonda bufa enervada e entrega a faca. O velho fecha a porta imediatamente.

- Então... - Diz ele olhando para nós - Querem a cura?

- Obviamente. - Digo-lhe

Ele olha para mim muito seriamente.

- Gosto de ti rapaz. - Diz ele de repente e começa a andar muito rapidamente até à divisão que deve ser a sala

A cabana parecia ser pequena por fora, mas por dentro é enorme. 

Ele está de volta de uma mesa enorme, toda suja e cheia de papéis e umas misturas estranhas.

- Que é isso? - Pergunta o Russel

- A cura. - Diz o velho

Espreito para uma mistela que ele está a mexer. 

- Isso é a cura? A grande cura? - Pergunta a Rhonda surpreendida - Isso parece um batido light!

O velho dá uma gargalhadazinha.

- Deixem-me explicar. - Diz ele - Aqui temos tudo o que o vírus detesta. Calor, silêncio, lentidão e claro, luz, muita luz.

- Mas isso não parece ter nada disso. - Digo

- Parece. - Diz o velho misteriosamente - A cura tem todas essas coisas. Deve ser servida muito quente, pois o vírus queima com o calor. A bebida fica cada vez mais grossa com o calor, impedindo que o som se oiça e que se engula muito pior, daí a lentidão. E a luz, porque a bebida deve ser servida num período muito luminoso, o meio-dia, pois depois de curado, o vírus não quer deixar a pessoa e precisa de luz para se afastar.

- Então é por isso que a velha aldeia estava posicionada num sítio de muito calor e luz! - Diz a Heather surpreendida

- Exatamente. Ali era a zona mais infetada, por isso era a que mais precisava da cura, então fizeram várias mudanças para a receberem. - Diz ele orgulhoso

O velho é mesmo muito inteligente!

- Mas espere aí. - Digo

Ele olha para mim.

- O vírus espalha-se com a mordidela dos Infetados, não é? - Pergunto

- Claro!

- Mas a minha irmã e os meus pais não foram mordidos. Como aconteceu? - Pergunto curioso

O velho olha para mim com dúvida na cara.

- Não faço a mínima ideia, meu rapaz. - Diz ele

- Mas eu faço. 

Olho para o Russel. Ele está com um sorriso malvado na cara.

- Fomos nós. - Diz ele

 

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11
Set17

"Doentes" - Capítulo XI

João Jesus e Luís Jesus

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 - É melhor termos cuidado... Esta floresta parece mesmo muito perigosa. - Avisa o Russel

Concordo com ele. Esta floresta parece perigosa e sombria só por fora, imagina lá dentro! Nem quero pensar no que se pode estar a esconder por detrás daqueles arbustos.

- É melhor irmos andando! Quanto mais depressa sairmos daqui é melhor para todos. - Diz a Heather

- Pela primeira vez, acho que concordo contigo, franganota! - Diz a Rhonda olhando para todos os galhos de todos os pinheiros

Começamos a andar e eu agarro firmemente a minha arma. O Sam decide ir na frente.

Chegamos a uma parte da floresta, em que esta se divide em muitos caminhos.

- Raios! Agora para onde vamos? - Pergunto

O Sam começa a olhar em volta muitas vezes.

- Pelo que dizia no diário do velho, muitos eram aqueles que queriam a cura, por isso deve ser o caminho com mais pegadas ou o mais gasto. - Deduz o Sam

- Ele tem razão. - Concorda o Russel

Escolhemos o caminho que nos parece o mais usado, ainda com algumas pegadas. A floresta fica cada vez mais sombria e cerrada à medida que nos aproximamos do centro desta.

- É melhor ligarmos as lanternas. - Diz a Heather, ligando a sua lanterna

Ligo a minha. É verdade que já não se vê um palmo à frente do nariz.

- Esperem. - Diz a Rhonda, muito baixinho e de repente - Desliguem as lanternas.

- Mas está escur... 

- Cala-te e faz o que digo. - Diz ela furiosa

Desligamos as lanternas, um pouco desconfiados.

Consigo ver apenas o olho cintilante da Rhonda a dar muitas voltas. 

- O que se passa Rhonda? - Pergunta o Russel

Ela suspira.

- Isto está muito silencioso para uma zona onde deveria estar a maioria dos animais. - Diz ela desconfiada - Apenas não liguem as lanternas.

- Achas que estão aqui Infetados? - Sussurra a Heather

- Tenho a certeza que eles estão por aí. Já se devem ter apercebido de nós. - Informa ela

- Mas nós não fizemos barulho algum, como é que eles nos deteteram? - Pergunta o Sam

- Eles são excelentes caçadores, detetam sons e calor humano ou artificial a muitos quilómetros de distância. Por isso, tentem não fazer mais barulho e nem liguem as lanternas, pois eles detetam-nos. - Resmunga ela

- Ok Rhonda, mas como vamos descobrir o sítio da cura sem vermos nada? - Pergunto furioso

- Apenas tenta andar.

Começamos a dar passos às cegas. Por vezes, toco na Heather ou no Russel com as mãos.

- Credo Heather, estás gelada! - Diz o Sam - Para de me agarrar!

- Sam? - Pergunta a Heather

- Que foi?

- Eu não estou a tocar em ninguém. - Diz a Heather assustada

Oiço o Sam parar.

- Rhonda, liga a lanterna. - Ordeno

Oiço-a procurar a lanterna e muito devagar, ela liga a lanterna.

Um ser branco como a neve, com dentes afiados e quase transparentes está agarrado ao braço do Sam, preparado para o morder.

O Sam empurra-o, mas um monte de Infetados começam a rodear-nos.

Saco a minha arma, que é igual às armas de todos, um lança-chamas e queimo o que se chega perto de mim.

- Ahhh! - Grita o Sam

O Infetado deitou-o ao chão e está prestes a saltar por cima dele.

A Heather está próxima do Sam e tenta queimar o Infetado, mas a sua arma não está a funcionar.

Corro para o Sam, o Infetado está quase a saltar.

- Não Dylan! - Grita o Sam quando se apercebe de mim

O Infetado salta e eu salto também, mas recebo um pontapé do Sam na barriga que me transporta para trás. 

- Urhgaah! - O Infetado rosna quando já está em cima do Sam

- Sam! - Grito desesperado

O Infetado crava os dentes e as unhas afiadas no seu peito e começa a devorá-lo. O Sam grita e esbraçeja, mas não consegue atirar o Infetado.

Corro para ele e queimo o Infetado, este cai morto ao lado de Sam.

- Não, não, não! - Choro, ajoelhando-me perto do Sam

A Heather, o Russel e a Rhonda conseguem acabar com os outros e chegam perto do Sam.

- Sam, não feches os olhos! Não te atrevas a fazer-me isso. - Grito-lhe

O Sam abre e fecha os olhos cada vez mais devagar. De repente, ele faz um sorriso.

- Oh Dylan sempre foste uma porcaria em despedidas. - Sussurra ele

Olho para ele e dou uma pequena risada.

- A Heather vai cuidar de ti, não te vai acontecer nada, não é Heather? - Olho para ela com esperança

A Heather olha para mim com aquele olhar. É impossível salvá-lo. Eu sei disso, mas não consigo admiti-lo.

Olho para a ferida do Sam. Vêm-se as costelas, está horrível!

- Mesmo que me possa salvar, eu peço-lhe que não o faça. - Sussurra o Sam - Chegou a minha hora e não quero impedi-la. 

Deixo cair uma lágrima. Estou sozinho.

A respiração do Sam fica cada vez mais agitada.

- Dylan? - Diz ele com os olhos fechados

- Sim? - Fungo

- Salva a Maggie... por mim. - Diz ele - E por favor, vai para a cama com a Heather, que eu já não aguento mais!

Ele dá uma pequena gargalhada, mas começa a tossir. A Heather está perplexa.

- E queima-me o corpo, quando eu morrer. - Diz ele, por fim

A respiração dele começa a ficar muito lenta.

- Sam? - Pergunto

Ele não responde. A sua respiração parou. Ele está morto.

- Não podemos queimar aqui o corpo. Estamos no meio da floresta. - Diz a Rhonda

- E nem vamos fazer isso. - Digo - Vamos enterrá-lo, como um guerreiro. Ao menos morre debaixo de terra e não queimado. Ele iria gostar de ser enterrado onde morreu.

Levanto-me e a Heather abraça-me. 

- Ele era uma boa pessoa. - Diz a Heather ao meu ouvido - Nem a cura o conseguiria salvar se ele voltasse. Os ferimentos dele eram muito graves e se depois o curássemos, ele morreria de seguida.

Eu sei. E vou conseguir a cura para fazer um dos seus últimos pedidos: eu vou curar a Maggie, custe o que custar.

 

 

04
Set17

"Doentes" - Capítulo X

João Jesus e Luís Jesus

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 Sento-me rapidamente no banco do jipe.

- Estás a gozar comigo. - Digo-lhe

Ele sorri.

- Sabes bem que não. - Declara ele

Olho através do vidro e vejo uma cidade destruída e desconhecida para mim.

- Como fizeste a viagem toda até aqui em apenas uma noite? Estávamos a muito menos de metade do caminho!. - Pergunto surpreendido

Ele começa a rir.

- A Rhonda e o Russel têm uns amigos por estas bandas e eles ajudaram-nos com o jipe. Conseguimos andar muito, mas mesmo muito rápido. - Informa ele muito contente

- Até admira como não dei conta! - Digo

Ele olha para mim com um ar de gozo.

- Isso foi porque a Heather te injetou uns calmantes, para que dormisses até chegarmos. - Revela ele - E andamos durante três dias e tu dormiste esse tempo todo.

Fico pasmado.

- Fui o único a ser sedado? - Pergunto curioso

- Fizemos à vez, mas a Heather injetava-te sempre mais um bocadinho quando ninguém via. Essa rapariga ão te larga por nada! - Sorri

Rio-me um pouco. Dormi três dias! O quê?

- Sam, que dia é hoje? - Pergunto atacado

- Sexta-feira, porquê? - Diz ele normalmente

Levanto-me de imediato.

- Sam, nós temos de nos despachar! A Maggie está nos últimos dias de infeção! Temos de estar lá amanhã se a queremos salvar! - Digo rapidamente

O Sam fica sério rapidamente.

- Nem me passou pela cabeça! - Diz ele - Desculpa.

- Não faz mal, temos é de ser muito rápidos. - Digo

Saio do jipe e visto uma t-shirt e uns calções muito depressa.

A Heather está sentada numas escadas de uma casa em ruínas a ler um livro qualquer.

- Olá. - Digo-lhe

Ela olha para mim.

- Oh, finalmente! - Ela abraça-me - Estava a ver que nunca mais acordavas! Nunca mais na vida irei dar aqueles calmantes a alguém, são mesmo potentes.

Rio-me.

- Não sabes o que é passar três dias à beira da Rhonda! Ela cheira mesmo muito mal quando não toma banho, e é mil vezes pior comigo quando não come nada de jeito! - Revela ela largando-me

- Imagino.

Ela olha para mim e dá uma risota baixinho.

- Desculpa se estou a ser muito chata! Foram três dias horríveis! - Diz ela

Ela volta a sentar-se e abre o livro outra vez.

- Então, o que é isso? - Pergunto-lhe curioso

Ela suspira.

- Enquanto tu dormias, eu...e a Rhonda, encontramos este velho diário nos destroços do centro da cidade. - Revela ela - Não imaginas o número de referências que o tal homem faz à cura do vírus! São mesmo muitas. 

Sento-me perto dela.

- E pelo que está aqui escrito, a cura encontra-se na floresta da cidade, que fica mesmo ali! - Ela aponta para a nossa frente

Olho para a floresta. É escura, enorme e parece ser perigosa. 

- Tens mesmo a certeza que se encontra ali? Ali parece ser o esconderijo perfeito para um bando de Infetados. - Digo com receio - O que deve ser a cura? Uma flor? Um fruto?

Ela ri-se de mim.

- Claro que não é nada disso! E sim está lá de certeza! - Diz ela - Pelo que o homem do diário conta, há uma velha cabana no centro da floresta, e existe lá um velho que sabe sobre a cura, aliás, é ele próprio que a fornecia para as aldeias e cidades aqui próximas.

- E o que aconteceu a esta? - Pergunto

- O último registo do homem fala sobre uns membros do governo que queriam ter a tal cura e que como esta cidade era a que recebia mais cura e que tinha maior número de gente curada, eles vieram cá à procura dela. Acontece que ninguém lhes contou nada, pois os habitantes foram obrigados a jurar silêncio sobre ela e então, o governo decidiu bombardear em força esta zona e todas as outras que se recusaram dizer alguma coisa. - Revela ela

Fico surpreendido. A Heather estudou muito aquele diário!

- Então, parece-me que temos de ir procurar o homenzinho. - Digo

Ela levanta-se imediatamente.

- Aleluia! Estava a ver que ninguém dizia isso. Vamos! - Diz ela

Encontramo-nos com Sam e depois com o Gago, Rhonda e Russel. Todos concordam em irmos, mas alguém tem de ficar perto do jipe, para não corrermos o risco de sermos assaltados.

- Eu fico. - Diz o Gago - Vocês...são...muito...muito...mais fortes.

Concordamos e começamos a viagem até à floresta, que não é assim tão distante.

- Bem, é agora ou nunca. - Digo quando chegamos à entrada da floresta

A floresta é enorme, densa, alta, escura e transmite uma atmosfera perigosa e assustadora.

- Não deve ser assim tão perigoso. - Diz o Russel

- Vamos lá! - Decide a Rhonda, entrando na floresta

- Oh valha-me Deus! - Resmunga entre dentes a Heather

A Rhonda decide ir na frente e todos nós vamos atrás dela, entrando na floresta.

 

 

 

 

 

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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