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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

12
Nov17

"Por Favor, Não Me Deixes Sozinho"

João Jesus e Luís Jesus

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 - Mãe? - Perguntou ele, acordando

- Sim, meu filho? - Perguntou-lhe baixinho

- Onde vamos? Porque é que estamos no carro? - Perguntou ele

Ela calou-se e sentia as lágrimas nos olhos.

- Mãe?! Estou a ficar assustado!

- Não te preocupes, vamos só dar um voltinha. Já voltamos para casa. - Mentiu-lhe - Volta a dormir. Ainda vai demorar.

Ele sentou-se melhor no banco.

- Não consigo. Já estou bem acordado. - Disse devagarinho

Ele olhou para fora do carro. 

- Onde estamos, mãe? - Perguntou curioso

- Já estamos um pouco longe de casa. É melhor voltares a dormir, porque vai mesmo demorar. - Disse, um pouco assustada

- Eu nunca vim aqui. - Disse-lhe

O carro parou de repente. 

- Porque é que paramos, mãe? - Perguntou assustado

Ela começou a chorar.

- Mãe, porque é que estás a chorar? - Perguntou-lhe triste

Colocou-lhe a mão no ombro. 

- Meu menino! - Suspirou, abraçando-o

- Está tudo bem, mãma! Estou aqui contigo. - Disse-lhe baixinho

Sorriu-lhe.

- Vamos sair só um pouquinho para apanhar ar fresco. - Avisou-o

Sairam do carro.

- Vamos jogar a um joguinho, para nos animarmos um pouco, está bem? - Desafiou

- Estás estranha mãe. - Disse ele

Ela limpou as lágrimas com a manga da camisola.

- Não estou nada. É só para nos animarmos. - Sorriu-lhe - Fazemos assim, tapamos os olhos e não podemos olhar. Eu escondo-me e tu tens de me procurar, ok?

- Mas eu não quero ficar aqui sozinho.

- Tu és um menino corajoso! Vais conseguir encontrar-me. - Disse-lhe, tremendo com a voz - Não podes mesmo olhar.

- Está bem. Começou eu a procurar.

Ela afastou-se dele, após ele tapar os olhos.

- Conta até cem devagar. Depois procura-me. - Disse-lhe com as lágrimas nos olhos

- Está bem, mãmã. - Disse ele - Não vás para muito longe, não quero ficar sozinho.

Começou a chorar e entrou no carro. Ligou-o e acelerou, deixando o menino para trás.

 

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11
Nov17

"Perdoa-me"

João Jesus e Luís Jesus

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 - Por favor! É a última vez!

Ela olhou-o nos olhos.

- Disseste isso no outro dia e no outro também.

- Desta vez é a sério, juro-te! - Implorou ele

Ela queria perdoá-lo, mas aquela discussão já durava há meses. Estava farta!

Levantou-se e afastou-se um pouco dele.

- Sabes qual é o problema? É que eu defendo a ideia das oportunidades, mas acho que agora está a ser demais! Estou a ficar farta. Cada dia que passa fico ainda mais do que no anterior. - Revela

Ele ficou quieto.

- Eu entendo-te! Mas eu não consigo evitar! 

- Não consegues evitar?! - Gritou ela, muito furiosa - Não posso ir ver os meus durante três horas que já te tenho a ligar-me para o telemóvel e quando chego a casa, tenho de estar sempre perto de ti e contar-te tudo o que fiz. Por favor! Estás a exagerar!

Olhou para ele. Ele estava triste.

- Tens de parar com isso. Dar-me um pouco de liberdade! - Explicou-lhe

- Ok, eu vou tentar! Mas por favor, perdoa-me!

Pensou no assunto dele. Gostava mesmo muito dele, mas queria muito ser livre.

- Eu vou perdoar-te, mas apenas quero um pouco de liberdade.

- Ok.

 

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08
Nov17

"Destinos (des)Cruzados" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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 Tinha chegado a hora do adeus, numa manhã chuvosa e fria de Outono. Acordou apressado, o avião partia dali a dez minutos e ele tinha mesmo que se despachar, mas parecia não ter pressa para sair. Naquele dia não havia nada que o fizesse sorrir, que trocasse o silêncio que ele sentia pela alegria dos últimos dias, parecia que ainda sentia o perfume dela em si, nas suas roupas, por toda a casa. Pintado nas paredes, desenhado nos lençóis da cama, em cada divisão. Musicado na sala de jantar onde todas as noites dançavam ao som da mesma música. O sabor dos lábios dela nos seus, naquele último beijo que trocaram. Lembra-se e soletra e sussurra o nome dela… S-O-F-I-A. Que ecoa no ar em cada pedaço de céu.

Recorda, a sua essência, a textura e suavidade da sua pele, o toque, as formas do seu corpo.

Só voltariam a ver-se dali a alguns meses quando o Sol voltasse a brilhar e a Primavera estivesse de regresso, estavam separados pelo imenso Oceano Atlântico, quase em lados opostos do mundo. Nesse curto espaço de tempo, nessa distância sem fim à vista tentariam desenhar a saudade que iriam sentir um do outro. Tudo o resto ficaria bem guardado a sete chaves até voltar a fazer sentido.

As saudades já eram mais do que muitas. Impossíveis de descrever. De viver. Tinham vivido aqueles últimos dias com grande intensidade, o amor que sentiam um pelo outro tinha renascido, tinha reaprendido novamente o verdadeiro sentido do amor.

Desde o Verão que não se viam, que não se tocavam, que não olhavam um para o outro olhos nos olhos. Que o espaço naquela casa não ganhava outra vida, outra cor, que a almofada ao lado da sua, na cama, não era preenchida. A presença de Sofia fazia-lhe falta.
No aeroporto, Sofia já esperava pelo avião na sala de embarque, parecia ansiosa pela chegada de Luís, ainda não tinha parado de o procurar por entre a multidão de pessoas. Mas nada.

Luís, comia a torrada enquanto conduzia a alta velocidade pelas ruas da cidade, tinha cinco minutos para chegar ao aeroporto. Chega finalmente ao aeroporto um minuto depois da hora marcada, o avião acabava de partir levando Sofia para bem longe, Luís olha pela janela para aquele ponto branco no céu. Tinha falhado, nem tinha conseguido despedir-se.

…Muita coisa tinha ficado por dizer.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger "Escreviver"

07
Nov17

Ao Teu Lado, de Ana Ribeiro (Opinião)

João Jesus e Luís Jesus

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 Sinopse: 

Mais do que uma história de amor entre dois amigos de infância, é uma história de afetos e da essência de uma verdadeira amizade que se inicia na infância e se prolonga pela vida fora. Também aborda a temática da diferença, a forma como as diferenças entre as pessoas muitas vezes as podem unir para sempre ou interferirem com as relações que estabelecemos com os outros. E o bullying: na infância, Miguel vive num dilema. Se por um lado sente falta de ter amigos, por outro lado não quer fazer amigos por ter medo de ser gozado por ser pobre.

 

Opinião:

Digamos que o titulo deste livro não é algo novo e pouco vulgar, no entanto, o que me fez tê-lo lido, foi o facto de a capa deste ser bastante atrativa e sugerir uma história divertida.

O livro começa com a descrição do espaço no qual os avós da personagem principal, Ana, se encontram. Achei estas descrições das paisagens e das atividades rurais muito bem descritas e originais. 

A história fala de uma amizade que se foi desenvolvendo ao longo dos tempos, entre um menino do campo - Miguel - e uma menina mais citadina, porventura, com descendência "camponesa", Ana. Esta amizade vai ser ultrapassada (ou não) perante vários obstáculos e situações que põem à prova a sua amizade.

A linguagem utilizada no livro é simples, vulgar e de fácil compreensão. 

Encontro várias referências a cantores bastante conhecidos autores de vários clássicos musicais, conseguindo perceber o gosto musical da escritora Ana Ribeiro.

Quanto às personagens, eu diria que Ana é um pouco mais confiante em si própria do que Miguel, que tem mais receio dos vários acontecimentos. Se leres este livro, irás perceber o porquê.

Sou um adolescente, e como tal, experiencio e experienciei vários tipos de amizade e consigo perceber a verdadeira essência de se ser amigo, e este livro trouxe isso mesmo. Identifiquei-me muito com vários acontecimentos que se passaram comigo.

Este é o 3ª livro publicado em papel da escritora Ana Ribeiro. 

Gostei imenso do livro, principalmente das suas descrições detalhadas que não eram nem um pouco aborrecidas, no entanto, tenho também alguns pontos menos bons a apresentar, que depende também do gosto pessoal de cada um.

O que menos gostei, foi o facto de os acontecimentos serem relatados de uma forma deveras direta. Na minha perspetiva, acho que a escritora deveria criar uma revelação de acontecimentos mais subentendida, de modo a fazer com que os leitores tirassem as suas próprias conclusões. Em certos momentos (poucos), senti-me um pouco perdido na história, principalmente quando existem longos período de diálogo.

De modo geral, gostei muito do livro e recomendo-o a toda a gente que gosta de uma leitura mais suave e enquadrada no romance. Confesso que encontramos um bocado de tudo neste livro.

 

Nota: 4.5 / 5

06
Nov17

"Fama" - Capítulo IV

João Jesus e Luís Jesus

 

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Entro no meu dormitório e encosto-me à porta.

Foi uma tarde fantástica! O Liam esteve comigo a tarde toda! Foi incrível!

- Olá, Bella Swan! - Diz a Dianne 

Abro os olhos de repente. 

- Oh! Olá Dianne! - Sorrio envergonhada

- Então? Não te vi o dia todo! - Diz ela, pousando o computador na sua cama

Sorrio-lhe e não posso evitar de dar dois pulinhos.

- Espera, espera! Vais me contar tudo que aconteceu hoje. - Diz ela excitada

Sento-me na minha cama e conto-lhe tudo e todos os pormenores do meu dia. Ela acompanha e apenas faz uns "hum" de vez em quando.

- E depois ele trouxe-me até ao dormitório. - Sorrio

A Dianne suspira e sorri para mim.

- Meu Deus! Que dia! - Diz ela - Chelsea, ele está apanhadinho por ti!

Fico satisfeita! Gosto muito dele.

- Bem, agora tenho de dormir. Amanhã é o casting. - Digo

A Dianne faz uma cara estranha.

- Oh desculpa, Dianne! Estou sempre a esfregar-te isto na cara. Desculpa-me, a sério! - Imploro

Ela faz um sorriso tímido.

- Não interessa! Já recuperei de tudo. O que me interessa é que tu agora vais aparecer nas capas de revista. - Diz ela

Abraço-a.

- Isso ainda não está mesmo garantido! Ainda existem mais raparigas. 

- Oh! Tu vais ganhar! És a melhor de todas. - Revela ela

Sorrio-lhe.

- Bem, vou só comer alguma coisa que tenho para aqui e já vou dormir. - Aviso

- Hum, quanto a isso, estive a fazer limpeza ao quarto. Por isso só tenho aqui refrigerantes. - Diz ela, envergonhada

Bufo.

- Não faz mal, eu vou lá baixo comprar alguma coisa. Já volto. - Declaro

Saio do quarto e desço para a sala onde têm as máquinas de comida. 

Insiro a moeda e compro uns Maltesers, o meu chocolate preferido.

- Olá. - Oiço atrás de mim

Rio-me.

- Até seria de estranhar se não estivesses no dormitório das raparigas. - Digo e viro-me para trás

O Liam sorri.

- Com que então, a comer chocolates à noite? Ainda por cima, antes de um casting! - Diz ele, aproximando-se

- Tu bem sabes que eu não me interesso com isso! Eu como o que quero quando quero. - Digo muito sorridente

Ele sorri e aproxima-se mais de mim.

- Não consigo parar de pensar em ti, Chelsea. - Sussura ele - Tinha de te vir desejar boa noite.

Fico um pouco intimidada.

- A sério Liam? - Sussurro

- A sério, Chelsea. Não te consigo tirar da cabeça. Desde que te vi no casting, não consigo parar de pensar em ti. Tu és diferente de todas as raparigas que eu já conheci. - Revela ele

- Aposto que foram muitas. - Sorrio

- Mas nenhuma como tu. - Diz ele

Olho para ele, nos olhos. Ele aproxima-se ainda mais e tenta beijar-me. 

- Até amanhã, Liam! - Saio de perto dele, depois de lhe por um Malteser na boca

Ele ri-se.

- Eu detesto este chocolate! - Diz ele

- É o que há! 

Subo para o meu dormitório com um sorriso na cara.

_______________________________________________________________________________________

Corro para o auditório onde irá ser realizado o casting.

- Raios! Estou sempre atrasada! - Bufo, muito irritada

Entro no auditório. A sala está vazia.

Bato à porta onde se entra no pavilhao para o casting.

- Sim? - Diz uma senhora

- Sou a Chelsea! Estou atrasada, desculpe! - Digo

A porta abre-se e vejo a Blair Friens, a mulherzinha irritante e dona da marca mais famosa do mundo de modelos.

- Você é sempre a mesma, Chelsea! Sempre atrasada e a correr que nem maluca! - Suspira ela - Bem, de qualquer modo, lamento muito, mas já passou a sua vez, logo já não pode fazer o casting. 

- Desculpe? - Digo irritada - Eu tenho de fazer o casting! Por favor! São só cinco minutos!

Ela sorri maliciosamente.

- Desculpe, Chelsea. Mas...

- Por favor, Blair, deixe a Chelsea entrar. - Oiço a voz do Liam

A Blair olha para trás.

- Liam, bem sabes que se alguma das candidatas for modelo na nossa empresa, não pode chegar atrasada! - Diz ela furiosa

- Ok, mas que eu saiba ainda nenhuma delas é. - Diz ele

A Blair bufa.

- Ok, podes entrar. - Diz ela, derrotada

Sorrio-lhe, pois bem sei que ela adoraria ver-se livre de mim.

Vejo a mulher magricela que eu atirei ao chão ontem. Ela ignora-me. Ainda bem.

- Olá. - Digo ao Liam

Ele pisca-me o olho.

- Bem, franganota, vê lá se fazes algo de jeito, porque as tuas colegas ainda são pior que tu. - Diz a Blair, arrogantemente

Ignoro-a e o Liam começa a tirar fotos. 

- Bem, acho que já chega. - Diz ela, passado uns minutos

- Obrigado, senhora Blair. - Agradeço

-Está bem, está bem, cale-se e vá lá embora. - Diz ela - Amanhã saem os resultados nos dormitórios, mas não fique com esperanças, pois foi horrível.

Rio-me para o Liam. Ele acena-me e eu saio do auditório.

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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