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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

12
Jan18

"Do Alto"

João Jesus e Luís Jesus

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Estava com os olhos fechados, a dormir profundamente quando acordou de repente.

Sentia algo estranho no ar, um cheiro suspeito e um som aterrorizante ao longe. As suas penas eriçaram-se de imediato.

Sabia que algo mau vinha aí. 

Olhou com mais atenção para o horizonte. Via bem de noite, mas estava muito nublado, muito escuro... Não via quase nada!

De repente, chegou um enorme estrondo bem perto da sua árvore. 

Era água! Litros e litros dela! De onde é que veio tanta? 

As luzes das casas mais próximas iam ligando-se uma a uma, mas a água chegava às casas muito rapidamente, destruindo a maioria. 

Não sabia o que fazer! Estava encurralada! Tinha de voar para muito longe para um sítio seguro.

Porém tinha pena dos humanos lá em baixo. Ouvia-se gritos, ouvia-se o som da destruição.

Fechou os seus enormes olhos de coruja e desejou que tudo ficasse bem. Vivia ali desde que nascera.

Ouvia cada vez mais gritos, cada vez mais dor. Deixou cair uma lágrima no enorme rio que se estendia abaixo de si. 

A sua árvore ameaçava cair. Tinha de ir embora.

Abriu as asas e voou. Olhou para trás, não via mais nada sem ser a água a engolir tudo o que via. A sua árvore caiu com um enorme "chape" na água.

Continuou a voar. Tinha de chegar a um sítio seguro.

 

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10
Jan18

"Amor Erótico" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Há já alguns dias que tudo se repetia. Todas as noites J. tinha o mesmo sonho, um sonho persistente que o fazia acordar sistematicamente sobressaltado, ofegante e a transpirar. Já não conseguia regressar à cama e voltar a dormir, de boxers e roupão vestido, ia até à cozinha, enchia uma chávena de café bem quente e ficava horas na escuridão da sala, sentado no sofá sobre o vazio da noite. Nunca mais conseguia sossegar, aquele sonho, parecia persegui-lo.

Via e revia tudo tempos a fio. Tudo começava com um cenário todo branco, paredes brancas, sem nada, uma cama ao centro, um nevoeiro esfumado no ar que fazia com que não conseguisse vislumbrar mais pormenores. Do nada aparecia um vulto feminino, belo e esbelto, longos cabelos loiros, sorriso fácil e de lingerie branca. Lentamente ia-se aproximando dele, e num único movimento, puxava-o para si a partir do decote da camisa axadrezada que trazia vestida, para depois o empurrar bruscamente de encontro à cama e assim possuí-lo sofregamente noite dentro. E era assim que tudo começava.

Por entre beijos intensos e carícias, roupa que voava em direcção ao chão, a mão que acariciava cada fio de cabelo dela, que explorava o corpo dela. Os lábios carnudos dela, que lhe humedeciam a pele, as mãos suaves, doces e ternas que percorriam o seu corpo, lhe apertavam a pele e a carne e que o faziam gemer e contorcer-se de prazer, atingindo o clímax, num orgasmo fervilhante. Como adorava as curvas dela, percorrê-las, senti-las, os seios perfeitos, simétricos e quentes que faziam faísca na humidade e frescura dos seus lábios, no suor libertado pelo corpo dela, o ventre duro e macio, desalinhado como as dunas no deserto. A excitação no seu auge. Aquele amor despido, carnal, intenso, vivido no limite, a necessidade e saciedade de um corpo, de contacto físico.

De repente, ela levanta-se, deixando praticamente tudo a meio, ainda havia sensações, cheiros e aromas para explorar e descobrir, nua, sem mais nada que a protegesse, veste a camisa dele. Acena, atira-lhe um beijo e difunde-se na névoa.

J. acorda, e é assim que tudo termina todas as noites, sem mais nenhum detalhe a acrescentar, mas desta vez, tudo foi diferente. Encontra nas costas da cadeira a sua camisa, a camisa do sonho, e de repente sem nada que o fizesse prever… sente o cheiro dela.

Sorri, veste a camisa. E sai…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

08
Jan18

"Fama" - Capítulo XII

João Jesus e Luís Jesus

- Ai! Finalmente em casa. - Suspiro, assim que caio no enorme sofá do meu novo apartamento

Fecho os olhos. Estou tão cansada! 

- Ufa! Nem me posso mexer. - Diz a Dianne, sentando-se perto de mim

Fico quieta durante um grande tempo no sofá. De repente, o meu estômago começa a roncar.

Levanto-me, cheia de preguiça.

- Onde vais? - Pergunta a Dianne, baixinho

- Vou comer alguma coisa. - Digo

Ela olha imediatamente para mim.

- Lembra-te do que a Babuína te disse. - Avisa ela

Sorrio. Babuína foi o nome que demos à senhora que gritou comigo durante um bom tempo sobre os meus hábitos de alimentação.

Abro o frigorífico. Uau! Está cheio de coisas boas. Mas o meu sorriso desvanece-se, pois tudo que existe no frigorífico é light ou muito saudável, tudo dentro da dieta proposta.

Agarro num gelado se menta, claro, light! 

- Parece que hoje já andaram aqui a fazerem tudo para seguir a dieta à risca. - Digo, quando chego perto da Dianne - Só temos comida saudável cá em casa.

A Dianne ri-se.

O gelado até é delicioso, mas falta-lhe aquele sabor a coisa que não faz muito bem para a saúde. Sinto falta disso.

A Dianne coloca um dedo no gelado e come uma grande porção dele.

- Se queres vai buscar. - Brinco

A campainha toca.

- Urgh, quem será agora? - Diz a Dianne revirando os olhos

Levanto-me e abro a porta.

- Oh! Liam! Olá. - Digo sorridente

O Liam entra em casa com o seu enorme sorriso habitual.

- Olá Chelsea. Olá Dianne. - Diz ele 

Fecho a porta.

- Então, gostaram do vosso primeiro dia? - Pergunta ele curioso

A Dianne olha para mim.

- Bem, foi estranho. Também só começamos hoje, amanhã de certeza vai ser melhor. - Minto

Ele senta-se no sofá.

- Ouvi dizer que ouve uns problemas com algumas pessoas na cantina. Essa gente! Arranja logo sarilhos no primeiro dia. 

A Dianne começa-se a rir imeditamente e engasga-se um pouco. 

- Hum, pois. - Digo-lhe, concentrando-me no meu gelado - Uma dessas pessoas..fui...eu.

Ele cala-se e fica a olhar para mim.

- Credo. Estás só no primeiro dia, Chelsea! - Diz ele, espantado - Já sabes que tens de cumprir as regras todas que eles dizem.

- Tu bem sabes que eu sou uma pessoa díficil que detesta seguir regras. - Revelo

- Não faz mal. - Diz ele, colocando a sua mão na minha perna

Uou! Parece que levei um choque elétrico!

- Hum, eu vou à casa de banho... acho eu. - Diz a Dianne, atrapalhada

Ela pisca-me o olho e entra na casa de banho.

- Quando é que a Dianne começa o curso de assistente? - Pergunto, para tentar mudar de assunto

- Acho que começa amanhã. - Diz ele, mas não retira a mão da minha perna

Olho-o nos olhos. Ele sorri levemente. Estou envergonhada.

- Isso é gelado de menta? - Ele agarra na minha colher e tira um grande pedaço de gelado - Adoro.

Ele come a colher de gelado. 

- Acho que o gelado era meu, mas ok. - Digo

Ele ri-se e eu começo a rir-me também.

- Gosto muito de ti, Chelsea. - Diz-me ele

- Eu também gosto muito de ti, Liam.

Ficamos parados a olhar um para outro e de repente, ele beija-me.

É um beijo muito longo. Mas estou a gostar!

- Ai! Ups! Desculpem, acho que ainda não terminei na casa de banho. - Diz a Dianne atrapalhada quando nos vê

Acabamos o beijo e desatamos às gargalhadas.

 

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06
Jan18

"Se For Um Sonho"

João Jesus e Luís Jesus

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Dei por mim a pensar.

Será que estou a sonhar? E se tudo isto não passar de um grande sonho, com pesadelos dentro? 

Será que a realidade é pior que isto? Será que me atrevo a acordar?

Se tudo isto for um sonho, agradeço à minha linda cabeça pela enorme história que está a criar. Tem os seus pontos altos e também os seus pontos baixos, mas acho que é uma história linda de ser contada.

Não sei porquê, acho que posso mesmo estar a sonhar! Principalmente quando acontece algo demasiado bom, julgo que não pode ser realidade!

Quando presencio momentos maus, oh por favor, não quero mais nada do que acordar na minha cama e dizer a mim próprio que tudo isso era um sonho, um sonho muito mau. Um pesadelo!

Gostava de saber como é a realidade, como é a vida sem estar a sonhar. Será mágica? Será terrível? Será tão má que apenas quero sonhar com algo melhor?

Não sei! Só sei que quero mais disto! Quero sentir-me vivo. Quero sentir mais do mesmo! Quero ter mais surpresas. Quero continuar a viver onde eu amo estar.

Se isto tudo for mais um sonho muito, muito longo, quero apenas continuar a sonhar.

 

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05
Jan18

"Viver é Não Saber Que Se Vive" - Florbela Espanca

João Jesus e Luís Jesus

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Ponho-me, às vezes, a olhar para o espelho e a examinar-me, feição por feição: os olhos, a boca, o modelado da fronte, a curva das pálpebras, a linha da face... E esta amálgama grosseira e feia, grotesca e miserável, saberia fazer versos? Ah, não! Existe outra coisa... mas o quê? Afinal, para que pensar? Viver é não saber que se vive. Procurar o sentido da vida, sem mesmo saber se algum sentido tem, é tarefa de poetas e de neurasténicos. Só uma visão de conjunto pode aproximar-se da verdade. Examinar em detalhe é criar novos detalhes. Por debaixo da cor está o desenho firme e só se encontra o que se não procura. Porque me não esqueço eu de viver... para viver? 


Florbela Espanca, in "Diário do Último Ano" 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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