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Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

03
Jan18

"A Part Of Me" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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Todos vivemos na busca da pessoa que nos completa. Procuramos a outra metade do que somos no cerne de milhões de opções, até ao dia em que o tão esperado momento chega… E tu apareces. E tudo muda e a minha vida deixa automaticamente de ser a mesma porque estás aqui, porque fazes parte dela, porque existes.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. Sempre te procurei, não me perguntes como nem porquê, não te sei explicar isto por palavras. Só sei que sempre te procurei, e é só isso que importa acrescentar. Sempre soube que tu existias, sentindo-o. Quando finalmente te encontrei, fiquei desde logo com a forte sensação que tínhamos sido feitos um para o outro, procurava a pessoa que encaixava na perfeição no puzzle que eu sou, e finalmente tinha-a encontrado. Eras tu. Eras mesmo tu. Estávamos destinados. Um ao outro. A ficarmos juntos.

Como eu precisava de uma pessoa assim como tu. A junção perfeita. A felicidade na sua forma mais plena e pura, na sua forma mais simples e pequenina, pedaços felizes de nós.

Estava destinada a cruzar-me com o teu olhar todos os dias, estava destinada a ouvir o teu sorriso e a deixar-me perder. A ter o teu toque só para mim, assim em exclusivo, como se fosse uma preciosidade guardada dentro de um frasquinho, secretamente escondido na minha mesa-de-cabeceira, como se de um tesouro se tratasse. Que eu pudesse abrir quando quisesse e deixares-me envolver em ti.

O que mais me fascina em ti?

Seres parte de mim. Em tudo e para tudo. Acho que acabo de descobrir que o foste desde sempre, mesmo quando não te conhecia, fizeste sempre parte de mim e do meu mundinho. Algo me dizia que ia ser assim. És parte de mim nos sonhos, nas escolhas, nas conquistas, e nos objectivos e realizações. És parte de mim em cada fragmento de ti que me ofereces, todos os dias.

O que mais amo em ti?

Ora deixa cá ver… É difícil escolher, sabes?

Amo tudo. Mesmo tudo. Tu por inteiro. Principalmente aquilo em que me transformaste, como me mudaste, o que sou.

Seres parte de mim, é seres para sempre…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

29
Dez17

"A Imoralidade da Moral" - Oscar Wilde

João Jesus e Luís Jesus

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A discórdia é sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa própria vida é o que há de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossas considerações morais sobre a vida dos outros, mas estas não nos dizem respeito. Para além disso, o individualismo é realmente o mais elevado dos ideais. A moralidade moderna consiste na aceitação dos modelos da nossa época. Julgo que aceitar o modelo da nossa época será, para qualquer homem culto, a mais crassa das imorallidades. 


Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray" 

27
Dez17

"O Que Há Dentro De Mim" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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… Dentro de ti há vida! – Disse-me o avô.

Foi naquele fim de tarde, no Alentejo, no meio dos campos de trigo que eu e o avô João tivemos uma conversa de homem para homem. Daquelas conversas sérias e francas, de adultos, ou melhor dizendo entre um adulto e uma criança a fazer de conta que era adulta. Um momento de grande reflexão. Mas afinal o que é a Vida? – Perguntei eu ao avô.

A vida é isto, Pedrinho. É estarmos aqui, ao pé um do outro a conversar. É sentir a terra debaixo dos pés, é ouvir o vento à nossa volta, é ver os campos de trigo a crescer, as flores a abrir, o amanhecer do que somos e do que nos rodeia. O avô João sempre foi um sábio, lembro-me perfeitamente das histórias que ele contava, da vida que levava quando era mais novo. Lá está ela outra vez… a Vida. Raios parta à vida que não se explica, não fala, não se mexe, não diz nada, limita-se a passar à nossa frente

E o avô João disse-me de seguida uma coisa que nunca mais me esqueci… A vida é como o Sol, floresce e brilha e de repente… esmorece.

E de facto, o avô João tinha razão, a vida que vivemos é como uma bobine de um filme, num piscar de olhos tudo acaba.

Mas voltando à nossa conversa. Fiquei nitidamente a pensar naquilo, na minha inocência de menino, fiquei sério a olhar para o avô.

Porque é que a vida não tem nome? Chama-se só assim? Vida…

A vida somos cada um de nós… Por isso pode ter todos os nomes que imaginares.

 Mesmo de rapariga? – Perguntei eu. 

O avô riu-se – Mesmo de rapariga!

Que coisa tão esquisita, a vida é mesmo estranha. Mas tu já viveste mais do que eu… Tu já tens cabelos brancos e barba rija e eu não.

Não se admirem, eu era mesmo um puto curioso e sem papas na língua, o meu avô via-se à rasca quando se punha a conversar comigo, porque eu fazia sempre com que ele ficasse sem resposta.

Isso não quer dizer nada. Cabelos brancos e barba rija significam mais problemas que vida. Ainda bem que tu ainda não os tens.

E também vou tê-los avô? Assim como os problemas de matemática?

Oh, meu querido. Os problemas da vida não se resolvem só com contas, às vezes é preciso pedir ajuda ao tempo e ao pensamento.

Tu pensas muito avô? Pensas na vida?

Todos os dias… Olha talvez seja por isso que tenho cabelos brancos.

O avô João também tinha bom humor.

O que há dentro de mim?

Dentro de ti, há um coração pequenino  e dentro desse coração cabe o mundo inteiro.

E isso tudo é a vida!

Como o tempo passa, agora sou eu que conto esta história à Camila, sentados no jardim, de barba rija e cabelos brancos.

Agora sim… Já fiquei a saber o que é a vida…

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

20
Dez17

"Esperas por Mim..." - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

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… Quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. Naquele momento não me apetecia falar, não queria dizer nada, mas ao mesmo tempo precisava de te dizer tudo, no entanto, não conseguia. Estava sem forças. Limitava-me a olhar para ti…ti…

Sabíamos que este dia mais cedo ou mais tarde iria chegar, já contávamos os dias. Para que chegasse o dia em que nada seria suficiente, um olhar não basta, um sorriso não chega, um abraço é minúsculo, um beijo não aquece e… Amo-te! Essa palavra tão cheia de significado, fica como que suspensa no vazio, como uma marioneta. Via-a escrita nos teus olhos, por trás dos óculos pretos que usas todos os dias, nunca gostei de tos ver, sempre te disse isso, mas tu insistias que os óculos eram um acessório que estavam na moda. Não contrario. Nas mãos que seguram as minhas e não me querem deixar ir.

Maldita saudade, essa coisa abstracta, sem corpo, que não sabe o que é amar alguém ou sentir a falta de alguém, que vive feliz na tristeza, na ausência e na solidão que nos obriga a deixar para trás quem mais gostamos. Que nos faz perder o chão daquilo que nos fazia sentir tão intactos na vida.

Será que Amo-te, vai continuar a fazer sentido? Claro que sim, vou amar-te sempre, para toda a vida e vou estar aqui à tua espera quando voltares dessa viagem, disseste tu. Parecias tão convicto do que dizias que os meus receios se dissiparam, sorri e voltei a sentir aquela segurança tipicamente tua.

De repente, olhas para mim, esse teu olhar fervilhante e intenso como fogo, sedento de mim, de contacto físico, do meu corpo, dos meus lábios. Esse sorriso rebelde, que me faz perder sempre a cabeça. Ainda me lembro da primeira vez que te vi sorrir assim, foi naquela noite de Feira Popular, em que nos conhecemos. Ias com os teus pais quando calhou chocarmos no meio da multidão, foi a primeira vez de muita coisa. Gosto do teu sorriso. Não te vais esquecer de sorrir assim para mim, quando eu voltar, pois não? Nunca percas esse teu sorriso, é a única coisa que te peço.

E olhas para o teu relógio de pulso. Ainda temos tempo, quero amar-te antes de partires, sussurraste-me ao ouvido à medida que me beijavas no pescoço.

Esperas por mim quando eu voltar? Diz que sim, amor, pedi-te eu. De voz embargada, e de lágrimas a humedecerem o meu rosto.

Não!!! Afinal não quero que digas nada. Olha-me só nos olhos. Basta-me um olhar teu, pensei para mim, para ter uma resposta. E não disseste mesmo nada.

Olhaste para mim… E amaste-me como se não houvesse amanhã!

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

15
Dez17

"Muda De Vida ou De Poema" - Gonçalo M. Tavares

João Jesus e Luís Jesus

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 Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal. 

Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema. 

Gonçalo M. Tavares, in 'A Perna Esquerda de Paris' 

 

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João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

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