Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Letras Aventureiras | Por João e Luís Jesus

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

24
Fev18

"Algo Único"

João Jesus e Luís Jesus

people-2943065_1920.jpg

Sei que já estás farta de me ouvir dizer sempre o mesmo.

Mas preciso de repetir outra vez e outra vez, até ficar gravado na tua e na minha mente. 

És algo único! Uma pessoa diferente das outras. Tens algo em ti que eu nunca vi em mais ninguém. Tens a tua essência, a tua "úniqueza" se é que me entendes.

E é por isso que gosto tanto de ti! Por causa das tuas coisas que te fazem única. 

Dos teus pensamentos, da tua personalidade, do teu modo de ser, de sorrir... És única em tudo! És unicamente única.

E é por isso que tenho a certeza que te amo. Que não quero mais ninguém. Porque tu és diferente de todas as outras pessoas. Porque mudaste todas as minhas expectativas. Porque mudaste a minha forma de ver alguém.

Agora quero apenas dar-te a mão, ficar contigo para sempre. Quero fazer com que sejas sempre assim: bela e única. Quero que vivas comigo. Quero que fiques comigo. Quero que me ames.

Quero ser único contigo da mesma forma que és única comigo. 

Amo-te e não sei dizer mais nada. Amo-te de uma maneira única.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

23
Fev18

"A Luta Pelo Teu Amor" - Sigmund Freud

João Jesus e Luís Jesus

love-1643452_1920.jpg

Há um ponto no qual não posso concordar contigo, Marty. Tu dizes que agora somos muito sensatos e o quanto tolos fomos no passado a lidar um com o outro. Eu concordo alegremente que agora somos sensatos o suficiente para acreditar no nosso amor sem quaisquer dúvidas, mas não teríamos chegado a este ponto se não fosse por tudo o que aconteceu entre nós antes. Foi a intensidade do meu desgosto, trazido pela muitas horas de sofrimento que tu me causaste há dois anos, que me convenceu do meu amor por ti. Hoje em dia, com todo o meu trabalho, e a luta por dinheiro, posição, e reputação, que tudo junto mal me dá tempo de sobra para te escrever uma carta afectuosa, já seria quase impossível chegar a essa convicção. Não desprezemos os tempos em que para mim um dia só teria sentido se recebesse uma carta de ti, quando uma decisão tua significava uma decisão entre vida e morte. Eu não sei realmente que mais poderia ter feito nessa altura; foi um período de luta muito difícil, e finalmente, de vitória, e só após disso tudo ter terminado consegui encontrar a paz interior para trabalhar em torno do nosso futuro. Nesses dias eu estava a lutar pelo teu amor como estou agora a lutar pela tua pessoa, e tens que admitir que tive que trabalhar tanto para atingir esse objectivo como estou a trabalhar agora para atingir este outro. 


Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 7 de Janeiro 1885 (excerto) 

05
Fev18

"Fama" - Capítulo XV

João Jesus e Luís Jesus

- Escolhe tu primeiro. - Diz ele

Sorrio e entrego-lhe o menu.

- Insisto outra vez. Escolhe tu primeiro. - Digo ao Liam

Ele suspira e aceita o pedido. Ele passa os olhos muito rapidamente pelo menu e poucos momentos depois, chama os empregados pedindo alguma comida leve à escolha do chefe.

- Tu és um parvalhão, Liam! Nada que tu já não soubesses, claro... - Digo-lhe

Ele sorri-me e faz uma careta.

- Então, gostaste do filme?

Olho-o nos olhos. 

- Eu adorei o filme, não gostei foi do facto de ter a tua mãe lá a cada cinco minutos a vigiar-nos. - Resmungo

Ele faz um ar surpreendido.

- Tu sabes como ela é. 

- Pois sei! Controladora e bem sei que apesar de aparentar que gosta muito de mim, ela detesta-me. - Revelo, um pouco enervada

- Oh! Que estupidez! - Diz ele, olhando para outro lado

Enervada, agarro no meu novo telemóvel.

- Tens um telemóvel novo? - Pergunta ele, tentando mudar de assunto

- Tenho, porquê?

- Porque ainda ontem vi o teu telemóvel antigo e ele estava em perfeito estado. Não percebo o porquê de comprares outro. - Diz ele

Reviro os olhos. Hoje ele está particularmente chato.

- Acontece que hoje nos estúdios, o Jordan sem querer acabou com o meu lindo telemóvel. - Revelo

- Espera, o Jordan da tua universidade? - Pergunta ele desconfiado - Aposto que fez de propósito!

- Sim, esse! E juro que foi sem querer. Ele hoje até estava muito simpático. Nunca o tinha visto assim. - Declaro

Ele franze a sobrancelha. 

A comida chega um pouco depois e devoro-a toda. Ele paga a conta no fim e saímos do restaurante.

Corremos para a limusine, pois como sempre, os jornalistas perseguem-nos para todos os lados.

- Detesto jornalistas. - Revela o Liam já dentro da limusine

Chegamos ao meu apartamento e o Liam despede-se de mim com um beijo.

- Até amanhã. E desculpa por tudo. - Diz-me ele ao ouvido

Sorrio e beijo-o.

- Eu fui uma parvalhona esta noite. Até amanhã. - Digo

Saio da limusine e entro em casa.

- Que bom! Voltaste! Como foi? - Bombardeia-me a Dianne

Fico uma boa meia-hora no sofá enquanto falo sobre tudo com a Dianne, que como sempre me acompanha muito calada e a ouvir tudo atentamente.

- Preciso de dormir! Foi um dia cansativo. - Digo-lhe

- Ok! Eu compreendo! Até amanhã. - Despede-se ela com um sorriso

Visto o meu pijama e entro na minha enorme cama. Ligo o telemóvel e vejo que tenho uma mensagem.

Abro e fico espantada. O Jordan enviou-me uma mensagem por Facebook.

"Então? Já conseguiste o que precisavas?"

Respondo imediatamente e reparo que ele ficou online neste preciso momento.

" Sim, consegui! Amanhã devolvo o dinheiro que me emprestaste. Obrigado mesmo!"

Ele vê a mensagem e começa a escrever.

"Nem pensar! Fica com ele!"

Reviro os olhos. É sempre a mesma coisa.

"Nem pensar digo eu! Estou a dever-te um favor."

Ele responde muito rapidamente.

"Ok! Mas nada de devolver dinheiro. Quando precisar de algo, estás a dever-me uma."

"Ok."

As mensagens param e pouco tempo depois ele envia uma última mensagem.

"Ainda bem. Boa noite! Beijos."

Fico paralisada e surpreendida ao mesmo tempo.

Ele nunca, nunca foi assim.

 

20916630_852581441564418_1179582757_n.png

26
Jan18

"A Fronteira Entre A Amizade e o Amor" - Jean de La Bruyére

João Jesus e Luís Jesus

heart-3085515_1920.jpg

Há na pura amizade um prazer a que não podem atingir os que nasceram medíocres. A amizade pode subsistir entre pessoas do mesmo sexo a diferentes, isenta mesmo de toda a materialidade. Uma mulher, entretanto, olha sempre um homem como um homem; e reciprocamente, um homem olha uma mulher como uma mulher; essa ligação não é paixão nem pura amizade: constitui uma classe aparte. 

O amor nasce bruscamente, sem outra reflexão, por temperamento, ou por fraqueza: um detalhe de beleza nos fixa, nos determina. A amizade, pelo contrário, forma-se pouco a pouco, com o tempo, pela prática, por um longo convívio. Quanta inteligência, bondade, dedicação, serviços e obséquios, nos amigos, para fazer, em anos, muito menos do que faz, às vezes, num minuto, um rosto bonito e uma bela mão! 
O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor. Enquanto o amor dura, subsiste por si, e às vezes pelo que parece dever extingui-lo: caprichos, rigores, ausência, ciúme; a amizade, pelo contrário, precisa de alento: morre por falta de cuidados, de confiança, de atenção. É mais comum ver um amor extremo que uma amizade perfeita. 
O amor e a amizade excluem-se um ao outro. Aquele que teve a experiência de um grande amor descuida a amizade; e quem se esgotou na amizade ainda não fez nada para o amor. 
O amor começa pelo amor, e só se passaria da mais forte amizade para um amor fraco. Nada se parece mais com uma viva amizade do que essas ligações que o interesse do nosso amor nos faz cultivar. 

Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"

24
Jan18

"Deixa-te Ficar" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus

3646d-hug.jpg

Eras o meu grande amor, lembro-me tão bem das vezes que suspirava por ti quando te via, das noites de insónia que tinha porque tu não me saías da cabeça, fechava os olhos, tentava adormecer e via o teu sorriso em cada intervalo da respiração. Ouvi as gargalhadas que dávamos juntos, quando eu te dizia sistematicamente que gostava muito de ti e que só conseguia ver o meu futuro ao teu lado. E tu rias-te. Eu também gosto de ti, já sabes, mas o futuro ainda é muito longe!, dizias tu, com a doçura estampada no rosto. E como isso me fazia ficar rendida. Mas o nosso gostar era diferente, pelo menos o meu era diferente do teu.

Sentia um arrepio porque parecia que continuavas a observar-me, como fazias sempre sem querer. Dizias-me sempre que gostavas de olhar para mim, como se olha para o Sol, com cuidado mas com a atenção, porque a essência é um detalhe minucioso. E acordava a meio da noite, sobressaltada, com aquele sonho que teimava em perseguir-me todas as noites, ficar contigo para sempre era o meu sonho. E quis o destino que tudo fosse diferente.
Um dia, tu não apareceste, foi assim tudo de repente, nem me deste tempo de reagir, senti logo a tua falta, descobri o vazio que tu deixavas em mim, a dor que dilacerava o meu coração, procurei desesperadamente por ti em cada canto, não te encontrei, nunca mais te vi. Partiste para sempre. Foi melhor assim, ele não era rapaz para ti, diziam-me como se tivessem certezas de tudo o que diziam. Mal te conheciam. Eu não queria acreditar, tu eras perfeito e eu queria fugir e correr atrás de ti, mesmo sem saber onde estavas, procurar-te e encontrar-te. Queria que voltasses, não conseguia se quer imaginar a possibilidade de te perder. Desapareceste até hoje.

Recebi há uns dias uma pequena carta tua, meia dúzia de palavras, que veio reavivar tudo o que ainda sentia por ti, tudo aquilo que eu já não queria nem contava sentir, queria guardar esse sentir para outra pessoa, para levar para outro lugar. Não consegui. Falhei.

Desculpa!
Perdoa-me!
Prometo um dia voltar!

Podia ler-se. E tudo voltou ao início, voltei a dar comigo a pensar em ti, a querer-te aqui, a desejar ter-te para mim. Os meus sonhos, folha de papel a preto e branco, preencheram-se de ti, de tudo de ti, cada fragmento de ti. Aquele sonho traído que eu achava que já não tinha qualquer sentido, rescreveu-se. Continuava a querer muito ficar contigo.

– Deixa-te ficar, por favor! – Implorei-te eu. Supliquei-te, de pé, estática, impávida e serena, no meio da sala, a ver-te pegar no casaco de cabedal pronto para me dizeres adeus, mais uma vez.
– Amo-te desde sempre, mas não posso!
– Porquê?

Nunca me soubeste explicar. Preferias afastar-te. Aproximaste-te de mim, olhamo-nos, abraçaste-me, sorriste-me como só tu sabes fazer, um toque aqui, um toque acolá, deste-me um beijo meigo na testa, peguei na tua mão. Sabia que era desta que ias ficar comigo.
E prometeste falhar…

Insisti. E tu deixando-te ficar. Para sempre.

 

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

Mais sobre nós

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

João Jesus

Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

letrasaventureiras@sapo.pt

Luís Jesus

Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, o meu sonho é licenciar-me em engenharia informática e visitar países como a Austrália, Singapura, China e EUA.

letrasaventureiras@sapo.pt

Direitos de Autor

Plágio é CRIME! Não me importo que utilizem os meus textos desde que os identifiquem com o nome pelo qual os escrevo ou o link do blogue. As fotografias que utilizo são retiradas da internet, no entanto, se houver alguma fotografia com direitos de autor: estes não serão esquecidos. Obrigada!

Autora do Banner

DESIGNED BY JOANA ISABEL